Relatório II - Avaliação do desempenho de bovinos de corte suplementados com Organew em confinamento

Empresa

Vetnil

Data de Publicação

27/08/2015

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RELATÓRIO II - AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DE BOVINOS DE CORTE SUPLEMENTADOS COM ORGANEW EM CONFINAMENTO

Responsável: Prof. Ass. Dr. Cecilio Viega Soares Filho
Colaborador: Aluno Med. Veterinária – Alcides Machado Júnior

As leveduras vivas estão sendo incorporadas às dietas de bovinos de corte, visando aumentar o ganho de peso e a conversão alimentar, entre outros benefícios elas melhoram a utilização dos alimentos e manutenção da integridade do aparelho digestivo.

Seu modo de ação não está totalmente esclarecido pela ciência, porém, parece que a utilização das leveduras vivas desempenha importante papel no equilíbrio digestivo dos ruminantes, com regulação dos processos de fermentação dos alimentos.

As leveduras Saccharomyces cerevisae são microorganismos unicelulares eucariotas, podendo viver tanto na presença como na ausência de oxigênio. Reproduzem-se rapidamente quando o meio é rico em oxigênio. As leveduras têm sido utilizadas pelo homem desde tempos remotos na produção de alimentos, como pão e cerveja. Nos últimos 25 anos, as leveduras têm sido incorporadas à dieta das espécies domésticas com resultados favoráveis à produção.

Diversos mecanismos de ação têm sido utilizados para explicar os efeitos positivos da utilização das leveduras vivas, aditivos classificados como probióticos (pro – a favor; biótico – vida), entre os quais se destacam os seguintes:

Estimulação de microorganismos consumidores de ácido lático, com efeito positivo na manutenção do pH ruminal em níveis seguros aos bovinos, fator esse importante nas dietas com altos níveis de amido (o ácido lático é o principal responsável pela acidose ruminal que leva à redução no consumo de alimento e problemas de laminites).

Consumo de oxigênio no rúmen, com conseqüente incremento dos microorganismos ruminais, e, portanto, da produção de ácidos graxos voláteis. Em sistemas de criação intensiva de bovinos de corte, altos níveis de concentrado na dieta têm sido utilizados para promover maior ganho de peso em bovinos de corte. Nessas condições, o uso das leveduras vivas visa ação reguladora da flora intestinal e manutenção do equilíbrio entre flora benéfica e microorganismos patogênicos do intestino.

O resultado positivo provém da sua capacidade de estimular a multiplicação de bactérias ruminais anaeróbicas totais, que crescem em maior número na ausência de oxigênio, e também das bactérias utilizadoras de ácido láctico no rúmen, que, conseqüentemente, alteram o metabolismo e melhoram os processos de digestão da porção fibrosa da dieta.

Com maior otimização do ambiente ruminal promovido pelas leveduras, além do aumento do volume total de fibras digeridas no rúmen, prevê-se aumento na ingestão de matéria seca, maior ganho de peso, melhor conversão alimentar e menores problemas metabólicos, como demonstram vários trabalhos de pesquisa.

Berlin et al. (2005), citados por Mikael Neumann (2005), avaliando o efeito da inclusão da levedura viva sobre o desempenho de bovinos, verificaram que animais suplementados com levedura tiveram maior ingestão diária de matéria seca no período, maior peso vivo final e melhor conversão alimentar (2,97 kg contra 3,02 kg) comparativamente à dieta-controle. Outros experimentos de pesquisa, como o de Miranda et al. (2001), que avaliou o efeito da Saccharomyces cerevisae sobre o desempenho de novilhos, mostraram aumento de 4,2% no consumo diário de matéria seca (10,33 contra 10,09 kg/dia de MS), o que resultou em aumento de 6,2% no ganho de peso médio diário (1,59 contra 1,49 kg/dia) nos animais confinados suplementados com a levedura.

De modo geral, os trabalhos de pesquisa demonstram que a inclusão de leveduras vivas secas à dieta melhora o ganho de peso e a conversão alimentar de novilhos terminados em confinamento.

Os efeitos positivos da inclusão de leveduras vivas secas sobre o desempenho dos animais são mais evidentes com o aumento da participação da fração concentrada na dieta alimentar dos animais e durante o período inicial de confinamento, quando o desafio da adaptação à nova dieta é maior.

Outro benefício da inclusão das leveduras vivas nas dietas de bovinos está relacionado ao sistema de defesa do ruminante. Experimentos realizados no México por Canto et al. (2004), demonstraram que os animais tratados com o concentrado de leveduras vivas tiveram títulos de anticorpos significativamente mais altos para IgG total, IgG2 e para IgG1. Isso significa que, durante desafio sanitário, os animais alimentados com concentrados de leveduras vivas têm menor possibilidade de adoecerem e, por possuírem melhores condições de saúde, podem se recuperar de maneira mais rápida no caso de ficarem doentes.

Em experimento realizado no Brasil por Pereira (2006) fornecendo levedura viva a dois grupos de vacas leiteiras onde a um lote adicionou levedura e outro não com a mesma dieta. O lote que recebeu 10 g por cabeça por dia teve uma diminuição de 190 contra 302 para o lote testemunha (37,09%) de contagem de células somáticas (CCS), além de produzirem o mesmo volume de leite com menor ingestão de alimentos. Com a utilização de levedura seca na dieta animal a fermentação no rúmen absorve o oxigênio presente, aumenta a contagem de bactérias ruminais (proteínas by-pass), a conversão alimentar, a ingestão de alimentos e a produtividade, proporcionando melhor digestão das fibras, estabilização do pH (evita acidose); menor produção de metano e aumento na produção de leite.

Além disso, as leveduras vivas fixam em sua parede celular os microorganismos patogênicos, formando complexos que impedem a união desses patógenos às vilosidades ruminais e intestinais, diminuindo o dano que estes podem provocar a adesão de E. coli enterotóxica à parede celular da levedura viva (Brad Johnson et al., 2003).

O protocolo experimental teve por objetivos avaliar o produto Organew Forte da Empresa Vetnil para verificar se ocorre aumento do desempenho de bovinos de corte alimentados no regime de confinamento.

O experimento foi conduzido na propriedade do Dr. Acir Pelielo, denominada Sítio Vovó Cida, município de Buritama, SP. Cem (100) bovinos de corte mestiços castrados com peso vivo inicial de 340 kg foram avaliados, sendo 50 animais tratados com Organew Forte e 50 animais testemunha. O período do experimento foi de 18/08/2007 a 27/10/2007.

O período de adaptação foi de 14 dias, iniciando em 18/08/2007, sendo que os animais neste período receberam 10 gramas de Organew Forte por animal por dia.

O período experimental foi de 56 dias, iniciando em 01/09/2007 e terminando em 27/10/2007, sendo que os animais neste período receberam 5 gramas de Organew Forte por animal por dia. Os animais foram divididos de acordo com o peso vivo médio de 340 kg no início do experimento de tal forma que os dois lotes ficassem homogêneos, para os animais tratados e não tratados, respectivamente.

Os tratamentos consistiram de animais que receberam Organew Forte e o lote testemunha. Os animais receberam 5 gramas de Organew Forte por boi por dia misturados ao concentrado.

Os bois receberam uma dieta a base de bagaço crú mais concentrado.

Composição da Dieta para o Confinamento de Bovinos de Corte

A dieta apresentou: teor de proteína bruta= 13,7%; proteína degradável= 9,2%; extrato etéreo= 5,4%; Cálcio= 0,64%; Fósforo= 0,28%; FDN= 36%; FDNef= 25%; amido= 25% e fibra= 16,2%. O custo da dieta foi de R$ 2,50 por animal por dia.

Os animais foram mantidos em currais a céu aberto com dimensões de 50 metros de linha de cocho por 50 metros de fundo (2500 m2), sendo assim os animais tinham a disposição 1 metro linear de cocho por animal. Por ocasião da primeira vez em que os animais foram fechados nos piquetes do confinamento eles receberam uma dose de vermífugo a base de doramectina.

Foram realizadas quatro pesagens dos bovinos de corte, utilizando-se balança eletrônica, no momento em que se fechou os animais em confinamento, após 14 dias de adaptação e mais duas pesagens aos 28 dias e 56 dias de confinamento.

O delineamento utilizado foi em blocos inteiramente casualizado, com 50 repetições. Os dados foram analisados usando o pacote estatístico SAS.

Os bois que foram suplementados com Organew Forte produziram 5% a mais de ganho de peso vivo (0,060 kg por animal por dia) que o lote testemunha durante os 56 dias de condução do experimento, mais 14 de adaptação (totalizando 70 dias) (Tabela 1).

Tabela 1 – Desempenho de bovinos de corte suplementados com Organew Forte x Lote testemunha. Média de 50 animais durante 70 dias de período experimental.

Podemos observar na Tabela 1 que o ganho médio diário proporcionou uma boa margem de contribuição econômica com a suplementação e é considerada muito boa e com a relação custo: benefício positiva. Nesta época do ano o produtor comercializou a @ de carne bovina a R$ 66,00 (ou seja R$ 2,33 por kg de peso vivo). Com o diferencial de 0,060 kg de peso vivo a mais ganho x R$ 2,33 por kg de PV ele ganhou em média R$ 0,14 por animal por dia (em 70 dias R$ 9,80 por animal), o qual consideramos um ganho real muito bom. Na revisão de literatura foi apresentado os benefícios com a utilização de levedura viva e na prática se confirma o que foi citado.

A suplementação com Organew Forte para bovinos de corte proporcionou um ganho médio diário de 5% a mais (1,200 x 1,140).

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Araçatuba, 30 de outubro de 2007

Prof. Ass. Dr. Cecilio Viega Soares Filho