Relatório Parcial - Avaliação da produção e qualidade do leite de vacas leiteiras suplementadas com Organew Forte

Empresa

Vetnil

Data de Publicação

27/08/2015

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AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO E QUALIDADE DO LEITE DE VACAS LEITEIRAS SUPLEMENTADAS COM ORGANEW FORTE

Responsável: Prof. Ass. Dr. Cecilio Viega Soares Filho Colaborador: Aluno Med. Veterinária – Alcides Machado Júnior

AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO E QUALIDADE DO LEITE DE VACAS LEITEIRAS SUPLEMENTADAS COM ORGANEW FORTE

INTRODUÇÃO

Os efeitos favoráveis das leveduras vivas nos mecanismos de defesa da glândula mamária vêm sendo estudados nos últimos anos sobre a incidência de mastite e contagem de células somáticas, principal afecção dos animais destinados à produção leiteira (Langoni, 2000). No Brasil, a sua incidência é alta, acomentendo 71% das vacas em rebanhos de Minas Gerais e São Paulo (Costa et al., 1995 e Costa et al., 1999). As leveduras vivas estão sendo incorporadas às dietas de bovinos de leite, visando aumentar a produção de leite e diminuir a contagem de células somáticas, entre outros benefícios elas melhoram a utilização dos alimentos e manutenção da integridade do aparelho digestivo. Seu modo de ação não está totalmente esclarecido pela ciência, porém, parece que a utilização das leveduras vivas desempenha importante papel no equilíbrio digestivo dos ruminantes, com regulação dos processos de fermentação dos alimentos.

As leveduras Saccharomyces cerevisae são microorganismos unicelulares eucariotas, podendo viver tanto na presença como na ausência de oxigênio. Reproduzem-se rapidamente quando o meio é rico em oxigênio. As leveduras têm sido utilizadas pelo homem desde tempos remotos na produção de alimentos, como pão e cerveja. Nos últimos 25 anos, as leveduras têm sidoincorporadas à dieta das espécies domésticas com resultados favoráveis à produção. Diversos mecanismos de ação têm sido utilizados para explicar os efeitos positivos da utilização das leveduras vivas, aditivos classificados como probióticos (pro – a favor; biótico – vida), entre os quais se destacam os seguintes: Estimulação de microorganismos consumidores de ácido lático, com efeito positivo na manutenção do pH ruminal em níveis seguros aos bovinos, fator esse importante nas dietas com altos níveis de amido (o ácido lático é o principal responsável pela acidose ruminal que leva à redução no consumo de alimento e problemas de laminites). Consumo de oxigênio no rúmen, com conseqüente incremento dos microorganismos ruminais, e, portanto, da produção de ácidos graxos voláteis. Em sistemas de criação intensiva de bovinos de leite, altos níveis de concentrado na dieta têm sido utilizados para promover maior produção de leite das vacas. Nessas condições, o uso das leveduras vivas visa ação reguladora da flora intestinal e manutenção do equilíbrio entre flora benéfica e microorganismos patogênicos do intestino.

O resultado positivo provém da sua capacidade de estimular a multiplicação de bactérias ruminais anaeróbicas totais, que crescem em maior número na ausência de oxigênio, e também das bactérias utilizadoras de ácido láctico no rúmen, que, conseqüentemente, alteram o metabolismo e melhoram os processos de digestão da porção fibrosa da dieta. Com maior otimização do ambiente ruminal promovido pelas leveduras, além do aumento do volume total de fibras digeridas no rúmen,prevê-se aumento na ingestão de matéria seca, maior produção de leite, maior ganho de peso, melhor conversão alimentar e menores problemas metabólicos, como demonstram vários trabalhos de pesquisa. Berlin et al. (2005), citados por Mikael Neumann (2005), avaliando o efeito da inclusão da levedura viva sobre o desempenho de bovinos, verificaram que animais suplementados com levedura tiveram maior ingestão diária de matéria seca no período, maior peso vivo final e melhor conversão alimentar (2,97 kg contra 3,02 kg) comparativamente à dieta-controle. Outros experimentos de pesquisa, como o de Miranda et al. (2001), que avaliou o efeito da Saccharomyces cerevisae sobre o desempenho de novilhos, mostraram aumento de 4,2% no consumo diário de matéria seca (10,33 contra 10,09 kg/dia de MS), o que resultou em aumento de 6,2% no ganho de peso médio diário (1,59 contra 1,49 kg/dia) nos animais confinados suplementados com a levedura.

De modo geral, os trabalhos de pesquisa demonstram que a inclusão de leveduras vivas secas à dieta melhora o ganho de peso e a conversão alimentar de novilhos terminados em confinamento. Os efeitos positivos da inclusão de leveduras vivas secas sobre o desempenho dos animais são mais evidentes com o aumento da participação da fração concentrada na dieta alimentar dos animais e durante o período inicial de confinamento, quando o desafio da adaptação à nova dieta é maior. Outro benefício da inclusão das leveduras vivas nas dietas de bovinos está relacionado ao sistema de defesa do ruminante. Experimentos realizados no México por Canto et al. (2004), demonstraram que os animais tratados com o concentrado de leveduras vivas tiveram títulos de anticorpossignificativamente mais altos para IgG total, IgG2 e para IgG1. Isso significa que, durante desafio sanitário, os animais alimentados com concentrados de leveduras vivas têm menor possibilidade de adoecerem e, por possuírem melhores condições de saúde, podem se recuperar de maneira mais rápida no caso de ficarem doentes. Em experimento realizado no Brasil por Pereira (2006) fornecendo levedura viva a dois grupos de vacas leiteiras onde a um lote adicionou levedura e outro não com a mesma dieta. O lote que recebeu 10 g por cabeça por dia teve uma diminuição de 190 contra 302 para o lote testemunha (37,09%) de contagem de células somáticas (CCS), além de produzirem o mesmo volume de leite com menor ingestão de alimentos. Com a utilização de levedura seca na dieta animal a fermentação no rúmen absorve o oxigênio presente, aumenta a contagem de bactérias ruminais (proteínas by-pass), a conversão alimentar, a ingestão de alimentos e a produtividade, proporcionando melhor digestão das fibras, estabilização do pH (evita acidose); menor produção de metano e aumento na produção de leite.

Além disso, as leveduras vivas fixam em sua parede celular os microorganismos patogênicos, formando complexos que impedem a união desses patógenos às vilosidades ruminais e intestinais, diminuindo o dano que estes podem provocar a adesão de E. coli enterotóxica à parede celular da levedura viva (Brad Johnson et al., 2003). O protocolo experimental teve por objetivos avaliar o produto Organew Forte da Empresa Vetnil na produção de leite e melhoria da qualidade do leite (contagem de células somáticas – CCS).

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na propriedade do Dr. Acir Pelielo, denominada Sítio Vovó Cida, município de Buritama, SP. Vinte vacas da raça Holandesa, de segunda à quinta lactação, foram selecionadas de acordo com a data de parição, variando de 21/02/2007 a 28/03/2007. O período de adaptação foi de 15 dias, iniciando em 18/05/2007, sendo que os animais neste período receberam 10 gramas de Organew Forte por animal por dia. O período experimental foi de 56 dias, iniciando em 02/06/2007 e terminando em 28/07/2007. Os animais foram separados de acordo com a data de parição (média de 61 a 67 dias de lactação) e produção de leite ( média de 22,9 e 23,2 litros por vaca por dia) de tal forma que os dois lotes ficassem homogêneos, para os animais tratados e não tratados, respectivamente. Os tratamentos consistiram de animais que receberam Organew Forte e o lote testemunha. Os animais receberam 5 gramas de Organew Forte por vaca por dia misturados ao concentrado. As vacas receberam silagem de milho (25 kg na matéria natural por vaca por dia) e concentrado formulado e misturado na própria fazenda (em média 8 kg de concentrado mais 1,5 kg de caroço de algodão por vaca por dia). Foram realizadas cinco pesagens de leite no dia zero (02/06/2007), 14 dias (16/06/07), 28 dias (30/06/07), 42 dias (14/07/07) e 56 dias (28/07/07). As pesagens corresponderam aos dias de lactação de 76, 90, 104, 118 e 132, respectivamente.

Foram realizadas quatro coletas de leite para a realização da contagem de células somáticas (CCS), no dia zero, 14, 28 e 56 dias de experimento. As análises foram realizadas na Clínica do Leite – ESALQ/USP, em Piracicaba, SP. O delineamento utilizado foi em blocos inteiramente casualizado, com dez repetições. Os dados estão sendo analisados usando o pacote estatístico SAS.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As vacas que foram suplementadas com organew forte produziram 2,7 litros de leite por dia a mais que o lote testemunha durante os 56 dias de condução do experimento. Os dados se encontram nas Tabela 1 e Tabela 2. Podemos observar na Figura 1 que a produção de leite foi mais uniforme para os animais suplementados com organew forte e a queda de produção que normalmente ocorre com o avanço do estágio da lactação (em torno de 10% ao mês) não foi tão pronunciada. A margem de contribuição econômica com a suplementação é considerada muito boa e com relação custo: benefício positiva. Nesta época do ano o produtor recebeu em média R$ 0,75 centavos por litro de leite. Na revisão de literatura foi apresentado os benefícios com a utilização de levedura viva e na prática se confirma o que foi citado.

A contagem de células somáticas (CCS) está muito relacionada com a saúde da glândula mamária já que são células do defesa do organismo animal. No presente experimento observamos que nesta época do ano contribuiu para manter os níveis de CCS baixo. Os animais permaneciam fechados num barracão no horário entre as duas ordenhas (eram fechados por volta das 8:00 até as 16:00 horas) e a noite iam para os piquetes. Nesta época do ano a incidência de chuvas é baixa o que contribui por diminuir a mastite ambiental. A CCS média no período foi de 174 contra 217 (x mil/mL) para os animais suplementados com organew forte e o lote testemunha. Podemos verificar nas Tabelas 3 e 4 que o organew forte teve uma diminuição de 25% de CCS.

Conclusões

A suplementação com organew forte para vacas leiteiras em lactação aumentou a produção de leite em 2,7 litros de leite a mais e apresentou uma diminuiu de 25% na CCS. Os resultados desta pesquisa evidenciam a necessidade de realização de outros estudos no período verão para melhor avaliar os efeitos da suplementação de leveduras vivas na produção de leite, prevenção e controle da mastite.

Referências

LANGONI, H. Tendências de modernização do setor lácteo: monitoramento da qualidade do leite pela contagem de células somáticas. Revista educação continuada CRMV-SP, v.3, p.57-64, 2000. COSTA, E.O; MELVILLE, P.A.; RIBEIRO, A.R.; WATANABE, E.T.; WHITE, C.R.; PARDO, R.B. Índices de mastite bovina clínica e subclínica nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v.17, p.215-217, 1995. COSTA, E.O; RIBEIRO, A.R.; WATANABE, E.T.; SILVA, J.A.B.; GARINO, J.R.F.; BENITES, N.R.; HORIUTI, A.M. Mastite subclínica: prejuízos causados e os custos de prevenção em propriedades leiteiras. Revista Napgama, v.2, p.16-20, 1999. PEREIRA, M.N. Efeito da suplementação de levedura em vacas leiteiras. Revista Leite DPA. Ano 7, n. 76. junho de 2007. STATISTICAL ANALISYS SYSTEM. SAS user´s guide: statistics,Version 10. 2003. Araçatuba, 16 de agosto de 2007

Prof. Ass. Dr. Cecilio Viega Soares Filho