Efeitos da suplementação butafosfana e cianocobalamina em níveis cetônicos no pós-parto de vacas leiteiras da raça holandesa no oeste paranaense

Empresa

Bayer

Data de Publicação

23/02/2016

Produtos Relacionados

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Informações Gerais

Tipo de Conteúdo: Estudo científico
Categoria: Clínica médica de grandes animais
Espécies: Bovinos

Resumo

Efeitos da suplementação butafosfana e cianocobalamina em níveis cetônicos no pós-parto de vacas leiteiras da raça holandesa no oeste paranaense

O presente trabalho teve como objetivo mostrar os efeitos do produto comercial CATOSAL B12® (butafosfana e cianocobalamina), em vacas leiteiras da raça holandesa no pós-parto imediato na redução de corpos cetônicos, usando três aplicações do produto (20 mL de CATOSAL B12®), no intervalo de cinco em cinco dias (dia-0, 5, 10 pós-parto), com mensuração a cada sete dias, sendo feita três vezes (dia-0, 7, 14, pós-parto). O experimento obteve um resultado satisfatório, controlando os níveis sanguíneos de corpos cetônicos. Foi usado o pacote estatístico ASSISTAT, análise de variância e teste de tukey.

Palavras-chave: β- hidroxbutirato, balanço energético negativo, período de transição.

Abstract

Effects of supplemental butafosfan and cyanocobalamin in ketone levels in postpartum dairy cows of the Dutch race in the West of Paraná

The present work aimed to show the effects of the commercial product CATOSAL B12 ® (butafosfan and cyanocobalamin), in dairy cows of the Dutch race in the immediate postpartum in the reduction of ketone bodies, using four applications of the product (20 mL of B12 CATOSAL ®), in the range of 5 days (day 0, 5, 10 postpartum), with measurement every seven days, being made three times (day-0 , 7, 14, postpartum), the experiment has obtained a satisfactory result controlling blood levels of ketone bodies. Statistical package was used ASSISTAT, analysis of variance and tukey test.

Key words: β-hidroxbutirato, negative energy balance, transitional period.

Introdução

Um dos pilares responsáveis pelo sucesso de todo rebanho leiteiro é a saúde das vacas que o compõe. Segundo Filho, Carvalho, Casagrande e Moreirra (2015), O período de transição de vacas leiteiras é caracterizado por profundas e ligeiras mudanças fisiológicas, adaptativas e de manejo, que visam adaptá-las fisiologicamente à passagem entre vaca gestante não lactante e vacas lactantes. Infelizmente, em muitas fazendas, a incidência de doenças é alta, afetando até cinquenta por cento das vacas nos primeiros dois meses pós-parto.

Vacas doentes apresentam inapetência e, consequentemente, perda de peso excessiva, em decorrência da mobilização de reservas corpóreas. Esse estado de balanço nutricional negativo prolongado afeta o retorno da atividade ovariana cíclica, o que prejudica a taxa de inseminação (SANTOS, et al. 2015). “A época de transição é os dias mais importantes da vida de uma vaca leiteira” (FONTES, 2015).

Geralmente definido como o espaço de tempo compreendido entre as três semanas pré-parto e as três semanas pós-parto, o período de transição é uma fase crítica e determinante para a saúde da vaca e seu retorno econômico durante toda a lactação (CAU, 2015), Conforme cita Keyserligk e Weary (2015), durante essa fase, as vacas enfrentam uma série de fatores estressantes, incluindo mudanças na dieta, reagrupamento sociais, alterações físicas, hormonais e fisiológicas, associadas ao parto e começo da lactação. Um dos principais desafios é o aumento repentino nas exigências nutricionais para dar suporte ao início da lactação, em um momento no qual o consumo de matéria seca não acompanha o aumento da produção de leite. Concentrações elevadas indesejáveis de ácidos graxos não esterificados (NEFA) e cetose subclínica são condições prevalentes e importantes associadas com maiores riscos de doenças metabólicas e uterinas, menor produção de leite e menor desempenho reprodutivo (LEBLANC, 2015).

O período pós-parto é o de maior risco de doenças e de descarte, e vacas com balanço energético negativo mais grave e prolongado estão sob maior risco para ambos, doenças e descarte (RAJALA-SCHULTZ e GROHN, 1999). Cetose tem emergido como a doença metabólica mais comum entre o gado leiteiro. Cerca de 30 % das vacas possuem concentrações elevadas de β- hidroxbutirato (BHBA), no sangue durante períodos iniciais de lactação (OETZEL, 2004).

Leblanc (2015), afirma que “medir a prevalência de cetose subclínica nas primeiras duas semanas de lactação é um procedimento muito útil para investigar problemas de saúde e de desempenho das vacas em período de transição, bem como para monitorar a rotina”. O fósforo é um componente mineral que formam complexos orgânicos e se ajusta com outros elementos na forma de ácidos e sais. É importante no crescimento, na mineralização da matriz óssea, na diferenciação celular, e é um dos componentes dos ácidos nucleicos (DNA e RNA) e hormônios (como o cAMP, cGMP), e associa-se ainda a lipídios para formação das membranas plasmáticas. Além disso, tem importância significativa na atividade dos microrganismos do rúmen (GONZALÉZ, SILVA, 2006). “O fósforo é um dos minerais presentes em maior proporção no organismo. Juntamente com o cálcio são responsáveis pela mineralização da matriz óssea” (MCDOWELL, 1992).

De acordo com o estudo de Cuter (2007), esta oferta de fosforo, garantida pelo Butafosfana, melhora a regeneração de sistemas intracelulares geradores de energia e estimula o metabolismo gliconêogenico, mantendo a integridade hepática, revelada por níveis séricos baixos das enzimas Gama Glutaril Tansferase (GGT) e Aspartato Transferase (AST).

O fósforo (P) é um elemento mineral que está localizado na família Vb da tabela periódica. Possui número atômico 15 e peso atômico 30,97. Na superfície terrestre é responsável por cerca de 0,12% dos minerais. O elemento estável é o isótopo P³¹. Há vários artefatos radioativos, mas o mais utilizado é o P³² com meia vida de 14,5 dias. Formam complexos orgânicos e se combina com outros elementos na forma de ortofosfato. Outras formas de aparecimento são as apatitas, fosforitas marinha e rocha fosfática.

“O organismo animal contém 0,9 a 1,1% de fósforo” (ANDRIGUETTO, 1990). “Nas representa 16 a 17%. Deste total cerca de 80 a 85% está localizada nos ossos na forma de hidroxiapatita, 3% está no trato gastrointestinal (TGI), enquanto o restante faz parte dos demais dos tecidos do organismo” (BARCELLOS, 1998).

Conforme mostra o estudo de Kennedy, Jones e Wigthman (1990), o CATOSAL B12® ( Bayer.SA) é uma solução contendo 10% de butafosfana e cianocobalamina (vitamina B12), e é identificada na forma de tônico veterinário e estimulante metabólico para prevenção ou tratamento de defist de vitamina B12 e fósforo (P) em bovinos, equino, suínos e aves. Cada mililitro de CATOSAL B12® contém 0,05 mg de cianocobalamina e 100 g de butafosfana, que proporciona 17,3 mg de P sob a formulação de [1(butilamino)-1-metil-etil]-ácido fosfônico, um composto orgânico de ácido fosfórico. Metilmalonil-CoA-mutase é uma enzima dependente da vitamina B12 que afeta a gluconeogénese como consequência seu papel na conversão de propionato de succinil-CoA que é necessária para a entrada no ciclo de Krebs.

A produção de animais leiteiro de alta performance, traz com sigo um grande desafio que é conseguir suprir suas necessidades fisiológicas para que esta possa expressar todo seu potencial genético. Neste trabalho objetivou a avaliação do produto CATOSAL B12® sob os níveis sanguineos fisiológicos de corpos cetônicos de vacas holandesas de alta produção, devido o estado de Balanço energético negativo, no intuito de se ter uma resposta positiva com baixos níveis de NEFA. Onde segundo diversos autores de 0,0 a 0,6 mmol L-¹ são considerados normais, de 0,7 a 1,1 mmol L-¹ considera-se cetose subclínica e maior que 1,2 mmol L-¹ a cetose é clinica, aonde se observa fezes escurecidas e um cheiro característico da cetose espirado pelo animal.

Material e Métodos

O estudo foi realizado em uma propriedade leiteira do sul do Brasil, no município de Vera Cruz D’ Oeste - PR, latitude -25.054823 e longitude -53.897392, sendo este nomeada Granja Cavalli. No período de 20 de janeiro de 2015 a 2 de abril de 2015. Foram utilizadas 21 vacas leiteiras da raça holandesa com mesmo padrão genético, onde são submetidas às mesmas condições de dieta, manejos e instalações durante todo o período experimental sendo previamente separadas randomicamente e divididas em dois grupos (G1 e G2).

G1: 10 vacas que receberam três aplicações intramusculares de 20 mL de CATOSAL B12® no intervalo de cinco dias entre as aplicações, cada mililitro do produto contem 0.05 mg de cianocobalamina e 100 mg de butafosfana, onde o fosforo (P) esta sob a forma de [ 1- (butilamino)-1-metiletil]-ácido fosfônico.

G2: 11 vacas onde se fez somente a coleta de sangue para analise.

Foram realizadas coletas semanais totalizando três coletas por animal, (dia 0, 7, 14 pós-parto), de todos os animais através da punção da veia coccígea por um tubo estéril de evacuação de sangue sem anticoagulante (Vacutainer), em seguida é colocado o material coletado na tira teste de cetonas sanguíneas, onde em conjunto com o aparelho de mão glicômetro (FreeStylePrecison®), tem a função de mensurar os níveis de corpos cetônicos circulantes (corrente sanguínea) do animal.

Resultados e Discussões

Durante o experimento, foram obtidas as concentrações de β-hidroxido de butirato (BHBA) sanguíneo individual de cada animal dos dois grupos, conforme esboço abaixo na tabela 1 e 2, onde na tabela 1 são do G1 e respectivamente tabela 2 do G2.

Tabela 1 - Animais do G1 e suas respectivas concentrações sanguíneas de BHBA

O grupo teste (G1) recebeu a dose do CATOSAL B12®, teve sua concentração media de BHBA igual a 0,28 mmol L-1 no dia 0, 0,071 mmol L-1 no 7º dia e 0,53 mmol L-1 no 14º dia pós parto, já o grupo controle (G2) obteve as médias de 0,29 mmol L-1 no dia 0, no 7º dia 1,20 mmol L-1 e no 14º dia 1,14 mmol L-1, como pode ser observado nas tabelas 1 e 2.

Tabela 2 - Animais do G2 e suas respectivas concentrações sanguíneas de BHBA

Como os grupos receberam a mesma alimentação, estando sobre as mesmas condições climáticas e estruturais, e possuírem padrões genéticos idênticos, pode de dizer que obteve menores níveis de BHBA o G1 que recebeu a dose de CATOSAL B12®, devido o maior aproveitamento da dieta, conforme Fensterseifer et al (2013), cita em seu estudo onde teve como objetivo avaliar os níveis sanguíneos de glicose, onde o grupo administrado o CATOSAL B12®, obteve maiores níveis de glicose sanguínea quando comparado com o lote controle.

Na figura 1 logo abaixo, podemos observar as médias entre os dois grupos onde os grupos foram monitorados no dia 0, 7, 14 pós-parto, podendo observar que o G1 tem uma diferença significativa na concentração de BHBA com relação ao G2, que tem seus níveis de BHBA mais elevados, constatado através do modelo estatístico que houve significância entre o 7º e 14º dia.

Figura 1 - Níveis de BHBA, comparado entre os lotes teste (G1) e lote controle (G2) nos três dias de coleta = significativo a 5%

Diz no estudo de Cunningham (2002), que o fornecimento de vitamina B12 pode elevar a eficácia da produção de energia através do propionato, e ter como resultado em um ciclo de TCA mais ativo, tendo um grande aumento na glicineogénese. O P funciona como sistema tampão de H importante no sangue e é um componente crítico de ácidos nucléicos, trifosfato de adenosina e monofosfato de adenosina.

Conclusão

Baseado nos parâmetros avaliados, sendo eles os níveis sanguíneos de BHBA com relação ao uso do produto comercial CATOSAL B12®, pode se considerar eficaz no tratamento preventivo de cetose clinica e subclínica.

Referências

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Roberto Guimarães Gomes Castilho¹ e Livia Maria Tulio²

¹ Formando em medicina veterinária Faculdade Assis Gurgacz. Discente em nutrição de ruminantes PUC. robertoc_vet@hotmail.com
² Médica Veterinária PUC. Mestre em ciências veterinárias UFPR. liviatulio@hotmail.com