PEQUENOS ANIMAIS: Lipidose hepática felina: patologias de rotina

A lipidose hepática felina é a hepatopatia mais comum em gatos, que na maioria das vezes afeta gatos privados de alimento ou que passaram por períodos de anorexia. A patologia ocorre quando o número de lipídios que se movimentam em direção ao fígado se torna superior ao número de lipídios que deixam o fígado, por meio da formação de lipoproteínas de muito baixa densidade, ou pela oxidação. Esta alteração ocorre em gatos adultos, e por se tratar de uma patologia relativamente comum em felinos é o tema da discussão de pequenos animais no Blog da Vet Smart.

A lipidose hepática felina (LHF) é uma doença caracterizada pelo acumulo excessivo de triglicerídeos dentro de mais de 50% dos hepatócitos, ela afeta principalmente gatos obesos e anoréticos sem a necessária presença de qualquer outra doença que a desencadeie, podendo ser também uma sequela de perturbações no metabolismo normal do organismo. Não possuem preferência por raça, sexo, e idade. Esta doença pode ser caracterizada por um desequilíbrio na relação de deposição, acúmulo em excesso de triglicerídeos no fígado pela alta ingesta, e alta mobilização de gorduras do tecido adiposo, pela baixa ingesta, também podendo ser por uma baixa síntese de apoproteínas provenientes da dieta, ou ainda função anormal do hepatócito reduzindo a oxidação dos triglicerídeos.

Em alguns casos uma doença de base está associada à lipidose hepática felina, embora a maioria dos casos acabam sendo idiopáticos. As doenças de base mais comumente identificadas são pancreatite, doença inflamatória intestinal e colangio-hepatite. A etiologia da lipidose hepática felina idiopática é desconhecida e as teorias propostas são baseadas no papel do fígado no metabolismo de triglicerídeos.

Existem diversos fatores que promovem a mobilização de lipídios para o fígado, entre eles se sobressaem o estresse tendo como consequência a anorexia. Durante o quadro de anorexia crônica, os níveis de glicose decrescem causando consequentemente a diminuição da secreção de insulina e aumento de glucagon. Estes processos levam à aceleração da lipólise periférica e à liberação maciça de ácidos graxos livres na circulação sanguínea. Esses ácidos graxos livres são capturados pelo fígado e convertidos em triglicerídeos, que terminam por se acumular em vacúolos nos hepatócitos. Normalmente, o aumento de ácidos graxos no sangue induz à hiperglicemia e à secreção de insulina, que inibe a liberação de ácidos graxos por sua ação sobre a lipase hormônio sensível. Porém, devido a mecanismos desconhecidos esse processo pode tornar-se falho em gatos obesos.

Macroscopicamente o fígado está aumentado de volume com coloração amarelada, textura gordurosa, e bordas arredondadas em casos mais graves, em casos menos grave, o acumulo de lipídeos pode ocorrer em regiões especificas do lóbulo hepático, principalmente na região centrolobular. Microscopicamente observa-se vacuolização, e gotículas de gordura no citoplasma dos hepatócitos.

O diagnóstico da lipidose hepática é baseado na identificação das alterações clínicas e patológicas, associadas com os graves danos nas funções do fígado. Deve-se avaliar completamente o gato suspeito de lipidose, assim se nenhuma doença primária for descoberta, é diagnosticado lipidose hepática idiopática (BARBERO, 2006). O histórico do animal poderá ajudar a revelar causas da doença, como a anorexia com consequente perca de peso, que é um sinal clinico relatado assim como letargia, vômito, constipação ou diarréia. No exame físico pode-se encontrar hepatomegalia, icterícia, palidez e seborréia, além de uma grave depleção muscular com preservação das reservas adiposas do organismo.

No laboratório exames hematológicos podem ter achados inespecíficos, como anemia normocrômica e normocítica arregenerativa, relacionado ao estresse. Exames para diagnóstico definitivos incluem o citológico, que pode ser realizado através da punção aspirativa por agulha fina (PAAF) em que se avaliam microscopicamente os hepatócitos, e a biópsia que revela uma vocuolização grave dos hepatócitos. Em caso de morte dos animais este exame deve ser feito associado à necropsia do animal.

O tratamento consiste em estabilizar o quadro clínico do animal, realizando um tratamento suporte nutricional e corrigindo a desidratação e o desequilíbrio de eletrólitos. Uma dieta bem balanceada, ricas em proteínas, gordura e pobre em carboidrato, além de nutrientes especiais, devem ser ofertados várias vezes ao dia, com período de adaptação de uma semana, para o animal manter um balanço energético positivo. A necessidade de calorias de um animal com lipidose é igual a um gato saudável (BARBERO, 2006). A administração de fluidoterapia é benéfica para as demais complicações da lipidose, mas deve se evitar administrar Ringer lactato, pois o metabolismo hepático do lactato é afetado durante lipidose. Utilização de demais medicações para controlar outros sintomas associados à lipidose como o vômito, anemia, falta de apetite, hipofosfatemia, hemorragias e infecções secundárias a bactérias. Uso de glicocorticóides deve ser evitado no caso de lipidose. Com este tratamento em geral os animais respondem em 3 a 6 semanas após o início. Recidivas são raras, e quanto mais cedo o início do tratamento melhor é o prognóstico.

Fontes:

http://www.unicruz.edu.br/seminario/artigos/saude/S%C3%8DNDROME%20DO%20F%C3%8DGADO%20GORDO%20EM%20FELINOS%20%E2%80%93%20REVIS%C3%83O%20BIBLIOGR%C3%81FICA%20.pdf

http://www.gatosnet.jopeu.net/pdfs/lipidose.pdf

http://qualittas.com.br/uploads/documentos/Lipidiose%20Hepatica%20Felina%20-%20Camila%20Cauvilla%20Barbero.PDF

Texto adaptado por Larissa Florêncio de Assis

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