GRANDES ANIMAIS – Miíases: desafios da produção

Vulgarmente conhecida como “bicheira”, a miíase ocorre em diversas espécies animais, domésticas ou silvestres, e, inclusive, no ser humano, ocasiona redução na produção, aumento de infecções bacterianas secundárias e em casos severos, mutilações e a morte dos animais massivamente parasitados. Miíases são definidas como infestações dos tecidos humanos ou de animais por larvas de dípteros. As miíases são classificadas, de acordo com o tipo de relacionamento das larvas com os hospedeiros, em miíases obrigatórias, facultativas e pseudomiíases.

Os agentes das miíases facultativas são larvas de vida livre, que geralmente crescem na matéria orgânica em decomposição e ocasionalmente podem desenvolver-se em tecidos necrosados (mortos) de animais vivos. As pseudomiíases ocorrem quando ovos ou larvas de moscas são ingeridas acidentalmente pelos hospedeiros. Nas miíases obrigatórias, as larvas desenvolvem-se exclusivamente em tecidos vivos e dependem de hospedeiros para que seu ciclo de vida se complete. Cochliomyia hominivorax é um parasita obrigatório dos vertebrados homeotérmicos e as fêmeas desta espécie ovipõem sobre feridas, abrasões cutâneas, tecidos traumatizados ou orifícios naturais, não sendo atraídas por tecido morto ou por cadáveres.

Algumas práticas de manejo predispõem ao aparecimento das bicheiras, embora as larvas possam se instalar em pele íntegra. Os bezerros recém-nascidos podem se infestar por larvas quando o cordão umbilical não for devidamente desinfetado e desidratado com solução alcoólica de iodo. Todos os procedimentos cirúrgicos rotineiramente praticados em rebanhos bovinos, como castração e descorna, tornam os animais expostos a essas infestações. Outras causas frequentes de miíases são ferimentos produzidos com arame farpado, lesões vulvares em fêmeas durante o parto e erupção de dentes.

A fêmea da Cochliomyia hominivorax põe cerca de 150 a 500 ovos nas bordas das feridas recentes. As larvas eclodem e invadem os tecidos circunvizinhos da ferida se alimentando do tecido necrótico e fazendo cavidades de 10 a 12 centímetros no animal.
Cinco a sete dias após, as larvas maduras caem no solo como pupas, onde podem ficar de 15 dias até 2 meses, dependendo das condições climáticas. Depois deste período elas emergem como moscas adultas e podem iniciar a ovoposição em, aproximadamente, uma semana. A presença de larvas na ferida estimula a ovoposição de outras moscas no ferimento o que impede a cicatrização da ferida e resolução da doença.

A miíase por C. hominivorax pode ser prevenida e combatida quando presente por meio da implementação de algumas medidas preventivas, tais como:

1 – Monitoramento dos animais após práticas de manejo como castração e brincagem, intervenções cirúrgicas como vasectomia e cesarianas;

2 – Cauterização do umbigo de bezerror neonatos com tintura de iodo a 10% logo após o nascimento, a fim de criar tão logo quanto possível um tecido de cicatrização;

4 – Dimensionar e realizar a manutenção das instalações evitando-se soluções de continuidade que possam lesionar os animais;

5 – Combater e controlar espécies vegetais espinhosas que possam traumatizar a pele dos animais em pastejo;

6 – Tratar tão logo quanto possível casos de dermatite interdigital por meio de soluções podais (formalina, sulfato de zinco) e antibioticoterapia, quando necessário.

Por sua vez, o tratamento das miíases já instaladas consiste das seguintes etapas:

1 – Lavagem da área com água corrente e sabão neutro;

2 – Neutralização das larvas com éter, solução de cresol ou repelente do tipo “mata-bicheira”;

3 – Remoção total das larvas utilizando uma pinça desinfectada;

4 – Lavagem da lesão com solução fisiológica para a remoção do exsudato e sujidades presentes;

5 – Aplicação de tintura de iodo a 10% no local da lesão;

6 – Aplicação de pomada ou unguento cicatrizante;

7 – Antibioticoterapia sistêmica a base de oxitetraciclina de longa ação na dose de 20 mg/kg de peso vivo via intramuscular a cada 48 horas durante 7 dias como prevenção e combate a infecções bacterianas secundárias.

Texto adaptado para leitura por Larissa Florêncio de Assis, colaboradora do Setor de Patologia Veterinária da Universidade Federal de Lavras, redatora e criadora de conteúdo para Vet Smart.

Fontes:

http://www2.cppse.embrapa.br/080servicos/070publicacaogratuita/comunicadotecnico/Comunicado%2056%20-%20Miiase.pdf – Por Márcia Cristina de Sena de Oliveira e Luciana Gatto de Brito

http://saudeanimal.bayer.com.br/pt/bovinos/doencas/visualizar.php?codDoenca=bicheira-miiase-por-cochliomyia-hominivorax

http://www.milkpoint.com.br/radar-tecnico/ovinos-e-caprinos/prevenindo-e-combatendo-casos-de-miiase-bicheira-em-ovinos-66049n.aspx – Daniel Araújo Souza

One thought on “GRANDES ANIMAIS – Miíases: desafios da produção”

  1. Muy bueno, el tema con la antibioticoterapia se aplica entonces 7 veces durante 7 Dias o las aplicaciones. Cada 48 horas en el transcurso de los 7 dias

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