A significante sobreposição entre as enfermidades de humanos e animais

“Como se chama um veterinário que consegue cuidar apenas de uma espécie?” “Médico”. Em uma palestra fascinante, a cardiologista Barbara Natterson-Horowitz explica como uma abordagem abrangente da saúde das espécies pode melhorar o atendimento médico do ser humano, especialmente quando se trata de saúde mental. Em um vídeo para o TED MED a médica propõe o seguinte ponto: por que estabelecer laços mais profundos entre a medicina humana e a veterinária é tão importante e se faz essencial na prática?

Sabemos que há doenças que acometem os seres humanos, mas não aos animais e vice-versa, mas há doenças que atingem a ambos e essas tem uma intensa correlação. Não falamos aqui de zoonoses, mas de enfermidades compartilhadas entre as espécies. Os sintomas são iguais, as abordagens semelhantes e são reais problemas que afetam de um modo latente e igual e que poderiam ser mais bem estudadas se houvesse um compartilhamento de experiências e estudos maior e mais expressivo das comunidades de medicina humana e veterinária.

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CALCULOS URINÁRIOS EM CÃES PEQUENOS: EPIDEMIOLOGIA E MANEJO NUTRICIONAL

As urolitíases ou cálculos urinários são um tipo específico de doença do trato urinário inferior, caracterizada pela presença de cristais (cristalúria) ou de concreções macroscópicas (pedras) associadas a manifestações clínicas do trato urinário inferior, como disúria, polaciúria e hematúria (Case et al., 2011). Na América do Norte e na Europa ocidental, as urolitíases são responsáveis por 15-20% das consultas relacionadas ao trato urinário inferior em gatos e cães (Osborne et al., 1999). O desenvolvimento de cálculos urinários está relacionado a diversos fatores de risco e pode ser causado por tipos diferentes de agregados minerais (Case et al., 2011).

As substâncias mais frequentemente encontradas são: estruvita (fosfato de amônio magnesiano), oxalato de cálcio (mono e dihidratado), fosfato de cálcio (hidroxilapatita, carbonato apatita e brushita), uratos (sais de sódio ou amônio), sílica e cistina (Vrabelova et al., 2011; Lulich et al., 2013).

Os urólitos podem ser classificados quanto a sua natureza química em:

  • Simples: mais de 70% da estrutura dos urólitos é formada por apenas um tipo de mineral;
  • Compostos: urólitos com camadas justapostas de diferentes minerais;
  • Mistos: urólitos com apenas uma camada identificável, com mais de um componente, sendo que nenhum ultrapassa 70% da constituição do urólito (Ulrich, et al., 2008).

Cães de raças pequenas tendem a desenvolver urolitíase com maior frequência do que cães de raças grandes (Houston et al., 2004; Houston et al., 2009). Essa maior predisposição pode ser explicada pelo menor volume de urina produzida por estes cães e menor frequência na micção, levando a um maior tempo de retenção urinária na bexiga (Ling et al., 1998; Stevenson et al., 2001). A observação de que determinadas raças de cães estão em risco para a formação de cálculos suporta a hipótese de que alguns fatores ligados à urolitíase são herdados. Cálculos de estruvita são frequentemente diagnosticados em fêmeas de raças pequenas (até 10 kg quando adultas) e dentre as raças mais afetadas estão Bichon Frisé, Schnauzer miniatura, Shih Tzu e Pequinês (Low et al., 2010). Cálculos de oxalato de cálcio são muito comuns nas raças Bichon Frisé, Shih Tzu, Lhasa Apso, Yorkshire Terrier e Schnauzer miniatura (Houston et al., 2004; Low et al., 2010; Lekcharoensuk et al., 2000). Em um estudo conduzido no Canadá, 60% dos cálculos analisados eram de cães de raças puras pequenas, sendo que as cinco raças mais acometidas foram Shih Tzu, Schnauzer miniatura, Bichon Frisé, Lhasa Apso e Yorkshire Terrier (Houston et al., 2009). Outro estudo verificou diferenças significativas na composição urinária de cães Schnauzer miniatura e Labradores, apesar de todos os animais serem alimentados com a mesma dieta. Os Schnauzer miniatura produziram menor volume urinário, apresentaram maior concentração de cálcio urinário, um pH mais alto e uma maior supersaturação urinária, o que pode contribuir com a alta prevalência de cálculos de oxalato de cálcio nesta raça (Stevenson et al., 2001).

            A urolitíase é, tipicamente, uma doença de animais adultos, e a idade média de diagnóstico em cães é entre 6 e 7 anos. Cães apresentam predisposição racial para a formação de alguns urólitos e são mais susceptíveis à formação de cálculos de estruvita secundária à infecção bacteriana do que gatos. Cadelas parecem ter maior risco no desenvolvimento de cálculos de estruvita, urato e fosfato de cálcio, enquanto pedras de oxalato, cistina e sílica são mais observadas em machos (Case et al., 2011). Contudo, mais de 90% dos cálculos de gatos e cães são compostos por estruvita (fosfato de amônio magnesiano hexa-hidratado) ou oxalato de cálcio mono ou di-hidratado (Fascetti et al., 2012).

            Manejo Nutricional das urolitíases

            O uso de um alimento específico – que contenha matérias-primas com baixos teores de minerais e compostos precursores de cristais -, o controle do pH urinário (usado especialmente para a dissolução de cálculos de estruvita) e o uso de estratégias que aumentem o volume urinário podem, de forma conjunta, atuar na diminuição da recidiva de urólitos, contribuindo com a manutenção da qualidade de vida do paciente.

         Para que o tratamento seja eficaz, é necessário promover a subsaturação da urina pelos precursores que formam cálculo.

      A supersaturação relativa da urina (RSS) é uma metodologia que considera o pH urinário, o volume urinário e a concentração de 10 solutos, responsáveis pela formação dos principais cálculos em gatos e cães (cálcio, magnésio, oxalato, citrato, fosfato, sódio, potássio, amônio, sulfato e urato) da amostra. Tais dados são analisados por um programa de computador que calcula a concentração de um grande número de complexos formados pela interação dos diferentes íons presentes na amostra de urina em um dado pH. Assim, quanto mais baixo for o valor de RSS para um dado cristal, mais subsaturada estará a urina e menor a probabilidade de um cálculo ser formado (Queau et al., 2014; Markwell et al., 1999).

            O cálculo do RSS urinário de cães alimentados com uma dieta específica pode ser utilizado para avaliar o efeito deste alimento na cristalização potencial da urina. Com base nesse resultado, mudanças na alimentação podem ser feitas para mitigar a probabilidade de formação de um cálculo. A forma mais simples de promover subsaturação urinária é pelo aumento da ingestão hídrica e da produção urinária (Lulich et al., 1999; Lekcharoensuk et al., 2002; Stevenson et al., 2003). Isso pode ser feito de forma indireta, tanto pela utilização de alimentos úmidos, quanto pelo discreto aumento no teor de sódio no alimento seco (sempre dentro dos limites considerados seguros e dentro do recomendado por órgãos de renome, como o NRC), para que assim ocorra o reflexo de sede no animal. Até o momento não há correlação entre um aumento moderado do consumo de sódio e o aumento da pressão arterial em animais saudáveis ou com doença renal crônica (Luckschander et al., 2004; Reynolds et al., 2013).

É sabido que cães de pequeno porte são predispostos à formação de cálculos urinários, cálculos dentais e que apresentam apetite caprichoso. Um alimento especificamente formulado para este porte pode atuar nestas três características de uma só vez.

REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS

CASE, L. P. et al. Canine and feline nutrition – A resource for companion animal professionals. 3 ed. Missouri: Mosby Elsevier, 2011. p. 359-380.

HOUSTON, D. et al. Canine and feline urolithiasis: examination over 50,000 urolith submissions to the Canadian Veterinary Urolith Centre from 1998 to 2008. Can Vet J, v. 50, p. 1263 -1268, 2009.

HOUSTON, D. et al. Canine urolithiasis: a look at over 16,000 urolith submissions to the Canadian veterinary urolith centre from February 1998 to April 2003. Can Vet J, v. 45, p. 225 – 230, 2004.

LEKCHAROENSUK, C.; LULICH, J. P.; OSBORNE, C. A. et al. Patient and environmental factors associated with calcium oxalate urolithiasis in dogs. J Am Vet Med Assoc, v. 217, p. 515-519, 2000.

LEKCHAROENSUK, C.; OSBORNE, C. A.; LULICH, J. P. et al. Associations between dry dietary factors and canine calcium oxalate uroliths. Am J Vet Res, v. 63, n. 3, p. 330-7, 2002.

LING, G. V. et al. Urolithiasis in dogs II: Breed prevalence and interrelations of breed sex age and mineral composition, Am J Vet Res, v. 59, n. 5, p. 630 – 642, 1998.

LOW, W. W. et al. Evaluation of trends in urolith composition and characteristics of dogs with urolithiasis: 25,499 cases (1985-2006). J Am Vet Med Assoc, v. 236, n. 2, p. 193-200, 2010.

LUCKSCHANDER et al. Dietary NaCl does not affect blood pressure in healthy cats. J Vet Intern Med, v. 18, n. 4, p. 463-7, 2004.

LULICH, J. P.; OSBORNE, C. A.; ALBASAN, H.; KOEHLER, L. A.; ULRICH, L. M.; LEKCHAROENSUK, C. Recent shifts in the global proportions of canine uroliths. Veterinary Record, v. 172, p. 363, 2013.

LULICH, J. P.; OSBORNE, C. A.; THUNCHAI, R. et al. Epidemiology of canine calcium oxalate uroliths – identifying risks factors. Vet Clin of North Am Small Anim Pract, v. 29, p. 113–122, 1999.

MARKWELL, P. J.; SMITH, B. H. E.; MCCARTHY, K. P. A non–invasive method for assessing the effect of diet on urinary calcium oxalate and struvite relative supersaturation in the cat. An Technology, v. 50, p. 61–67, 1999.

OSBORNE; C. A.; LULICH, J. P.; POLZIN, D. J. et al. Analysis of 77,000 canine uroliths. Perspectives from the Minnesota Urolith Center. Vet Clin of North Am Small Anim Pract, v. 29, n. 1, p. 17-38, 1999.

QUÉAU, Y.; BIOURGE. V. Urinary relative supersaturation and urolithiasis risk. Vet Focus, v. 24, n. 1, p. 24-29, 2014.

REYNOLDS et al. Effects of dietary salt intake on renal function: a 2-year study in healthy aged cats. J Vet Intern Med, v. 27, p. 507-515, 2013.

STEVENSON, A. E.; HYNDS, W. K.; MARKWELL, P. J. Effect of dietary moisture and sodium content on urine composition and calcium oxalate relative supersaturation in healthy miniature schnauzers and labrador retrievers. Research in Vet Science, v. 74, p. 145–151, 2003.

STEVENSON, A. E.; MARKWELL, P. J. Comparison of urine composition of healthy Labrador Retrievers and Miniature Schnauzers. Am J Vet Res, v. 62, n. 1, p. 1782 – 1786, 2001.

VRABELOVA, D.; SILVESTRINI, P.; CIUDAD, J.; GIMENEZ, J. C.; BALLESTEROS, M.; PUIG, P.; COPEGUI, R. R. Analysis of 2735 canine uroliths in Spain and Portugal. A retrospective study: 2004-2006. Research Veterinary Science, v. 91, n. 2, p. 208-211, 2011.

Publicado por Royal Canin

Vet Smart TV apresenta online e ao vivo palestra sobre Síndrome Metabólica Felina

Vet Smart traz em sua segunda transmissão ao vivo de palestra veterinária  o tema Síndrome Metabólica Felina.
A transmissão que ocorre online e ao vivo tem o patrocínio de Equilíbrio Veterinary – Total Alimentos.

Nesta palestra abordaremos todas as consequências hormonais que ocorrem na síndrome metabólica e seu impacto na saúde e metabolismo dos gatos.

Por trás da Síndrome Metabólica temos uma série de fatores de risco que podem predispor à diversas doenças secundárias. Vamos aprender a identificá-la e quais são as principais estratégias de combate.

A Dra. Estela Pazos trará sua experiência com alguns suplementos da nutrologia que auxiliam no emagrecimento e atuam na síndrome metabólica felina.
  • Inscrições online gratuitas: atravès do link www.vetsmart.com.br/streaming
  • Quando será a palestra online? 29.11.2017, às 20h
  • Onde será transmitida? Ao vivo e online pelo Vet Smart no mesmo link de inscrição.
  • Sobre a apresentadora Estela Pazos: Graduada em medicina veterinária pela Universidade de Espírito Santo do Pinhal (UniPinhal), 2004.Pós-graduada (lato sensu) em Clínica Médica de Felinos pelo Instituto Qualittas, 2009.Formação em Acupuntura Veterinária pela SAVE – Sociedade de Acupuntura Veterinária, 2010.Atendimento exclusivo a felinos domésticos – clínica médica, comportamento, bem estar animal medicina funcional e nutrologia.Ministra cursos e palestras sobre medicina funcional e nutracêutica do paciente felino.

ROYAL CANIN® traz para o mercado alimento que auxilia o tratamento de cálculos urinários em cães de pequeno porte

Urinary Small Dog atua de forma precisa no manejo das urolitíases, além de atender as demais particularidades dos cães com até 10kg quando adultos

As doenças do trato urinário inferior em cães, em especial a ocorrência de urolitíases (cálculos urinários), estão dentre as mais importantes causas de busca de auxílio veterinário. Pensando na população de cães de pequeno porte, a ROYAL CANIN®, marca da Mars que é referência em Nutrição Saúde para gatos e cães, traz ao mercado brasileiro mais uma inovação: Urinary Small Dog.

O produto, que atende as necessidades específicas para manejo de cálculos urinários em cães de pequeno porte (até 10 kg quando adultos), contém matérias-primas com baixos teores de minerais e tecnologia RSS (Supersaturação Relativa da Urina), que garante alta eficácia na dissolução de cálculos de estruvita e, ao mesmo tempo, evita a formação de cálculos de oxalato de cálcio. Além disso, o alimento possui um teor adequado de sódio (dentro dos limites recomendados), que estimula a ingestão de água, promovendo o aumento do volume urinário com consequente diluição da urina.

“Para a ROYAL CANIN®, gatos e cães estão em primeiro lugar e representam o eixo central de todo o nosso processo de inovação. Nossa busca por novas soluções nutricionais é constante e conta com a expertise de profissionais parceiros, assim como de renomados centros de pesquisas como WALTHAM®, na Inglaterra, e o Centro de Pesquisa & Desenvolvimento da ROYAL CANIN®, na França”, afirma Carolina Padovani, Gerente de Comunicação Científica da ROYAL CANIN® Brasil.

Cães pequenos também apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de doença periodontal, pois o acúmulo de cálculo dental é bastante rápido e intenso. A ação mecânica proporcionada pelo croquete de Urinary Small Dog, com formato e textura ideal, associada à ação química do tripolifosfato de sódio, que sequestra o cálcio da saliva, limitam a formação do cálculo dental. Outro diferencial do alimento é sua palatabilidade reforçada. Cães pequenos apresentam menos células olfatórias quando comparados a cães de médio e grande porte, por isso, o apetite destes animais tende a ser mais caprichoso.

Sendo a alimentação coadjuvante ao tratamento convencional, a recomendação nutricional deve ser realizada por um Médico-Veterinário, que poderá orientar o tutor e acompanhar o paciente.

Urinary Small Dog está disponível na versão seca, em embalagens de 2 kg e 7,5 kg.

Além do lançamento Urinary Small Dog, a Linha Veterinary Diet ROYAL CANIN® conta ainda com os alimentos Urinary Canine (para cães adultos de portes médio, grande e gigante) e Urinary Feline (gatos adultos), nas versões seca e úmida, que colaboram para:

  • Dissolução de cálculo de estruvita;
  • Prevenção da recidiva de cálculos de estruvita ou oxalato de cálcio;
  • Manejo de cistite bacteriana (cães);
  • Manejo da cistite intersticial (gatos).

Sobre ROYAL CANIN®

A multinacional Royal Canin é uma das maiores fabricantes mundiais de alimentos de alta qualidade nutricional para Gatos e Cães, com 13 fábricas no mundo e presente em 92 países. Desde sua fundação em 1968, considera sempre o Gato e o Cão em primeiro lugar e tem sua história focada no conhecimento e respeito por estes animais.

Em 2002, passou a fazer parte da Mars, Inc., líder mundial em alimentos para animais de estimação. A unidade brasileira da Royal Canin está instalada em Descalvado, interior de São Paulo, desde 1990, e conta com o apoio logístico de 37 distribuidores exclusivos. Disponibilizam ao mercado mais de 150 alimentos, incluindo produtos específicos para raças, portes, idades, estilos de vida, necessidades específicas, cuidados especiais e auxiliares no tratamento de algumas doenças. Seus produtos estão disponíveis em canais especializados, entre os quais, clínicas veterinárias e pet shops, em mais de 15 mil pontos de vendas no Brasil.

A significante sobreposição entre as enfermidades de humanos e animais

“Como se chama um veterinário que consegue cuidar apenas de uma espécie?” “Médico”. Em uma palestra fascinante, a cardiologista Barbara Natterson-Horowitz explica como uma abordagem abrangente da saúde das espécies pode melhorar o atendimento médico do ser humano, especialmente quando se trata de saúde mental. Em um vídeo para o TED MED a médica propõe o seguinte ponto: por que estabelecer laços mais profundos entre a medicina humana e a veterinária é tão importante e se faz essencial na prática?

Sabemos que há doenças que acometem os seres humanos, mas não aos animais e vice-versa, mas há doenças que atingem a ambos e essas tem uma intensa correlação. Não falamos aqui de zoonoses, mas de enfermidades compartilhadas entre as espécies. Os sintomas são iguais, as abordagens semelhantes e são reais problemas que afetam de um modo latente e igual e que poderiam ser mais bem estudadas se houvesse um compartilhamento de experiências e estudos maior e mais expressivo das comunidades de medicina humana e veterinária.

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A significante sobreposição entre as enfermidades de humanos e animais

“Como se chama um veterinário que consegue cuidar apenas de uma espécie?” “Médico”. Em uma palestra fascinante, a cardiologista Barbara Natterson-Horowitz explica como uma abordagem abrangente da saúde das espécies pode melhorar o atendimento médico do ser humano, especialmente quando se trata de saúde mental. Em um vídeo para o TED MED a médica propõe o seguinte ponto: por que estabelecer laços mais profundos entre a medicina humana e a veterinária é tão importante e se faz essencial na prática?

Sabemos que há doenças que acometem os seres humanos, mas não aos animais e vice-versa, mas há doenças que atingem a ambos e essas tem uma intensa correlação. Não falamos aqui de zoonoses, mas de enfermidades compartilhadas entre as espécies. Os sintomas são iguais, as abordagens semelhantes e são reais problemas que afetam de um modo latente e igual e que poderiam ser mais bem estudadas se houvesse um compartilhamento de experiências e estudos maior e mais expressivo das comunidades de medicina humana e veterinária.

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Boas práticas e importância da vacinação de rebanhos

A vacinação do rebanho de bovinos, seja de gado de corte ou gado leiteiro, é fundamental para prevenir doenças e obter carne de qualidade. “A prevenção de doenças via vacinação se faz necessária, tanto para a qualidade do produto quanto para a saúde do rebanho”, diz Tayrone Prado, técnico de campo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) preconiza a vacinação obrigatória para algumas doenças como febre aftosa, raiva e brucelose. A prática de vacinação contra clostridioses, rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), diarreia viral bovina (BVD), leptospiroses, entre outras, previne vários prejuízos causados por elas.

Há três tipos de aplicação de medicamentos: intravenosa, intramuscular e a subcutânea. Para a forma de vacinação subcutânea, que é a mais conhecida e popular nas fazendas, a recomendação é para que sejam usadas agulhas menores. O calibre pode variar de acordo com a consistência do medicamento. A má aplicação pode causar redução de apetite, febre e abscessos. Segundo informações do Senar, cada abscesso no animal causa uma perda de até dois quilos de carne.

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Boas práticas e importância da vacinação de rebanhos

A vacinação do rebanho de bovinos, seja de gado de corte ou gado leiteiro, é fundamental para prevenir doenças e obter carne de qualidade. “A prevenção de doenças via vacinação se faz necessária, tanto para a qualidade do produto quanto para a saúde do rebanho”, diz Tayrone Prado, técnico de campo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) preconiza a vacinação obrigatória para algumas doenças como febre aftosa, raiva e brucelose. A prática de vacinação contra clostridioses, rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), diarreia viral bovina (BVD), leptospiroses, entre outras, previne vários prejuízos causados por elas.

Há três tipos de aplicação de medicamentos: intravenosa, intramuscular e a subcutânea. Para a forma de vacinação subcutânea, que é a mais conhecida e popular nas fazendas, a recomendação é para que sejam usadas agulhas menores. O calibre pode variar de acordo com a consistência do medicamento. A má aplicação pode causar redução de apetite, febre e abscessos. Segundo informações do Senar, cada abscesso no animal causa uma perda de até dois quilos de carne.

O veterinário sabe da importância da vacinação e dos prejuízos que a falta da mesma pode ocasionar. Entretanto, o que se observa a campo, é que não há uma preocupação com o adequado desenvolvimento das estruturas imunológicas e da capacidade de resposta dos animais frente a estes desafios. Muitas vezes o produtor mal informado pode ser induzido a não vacinação correta de seu rebanho, fato esse que colabora para o reaparecimento de doenças. Em 1974, o governo japonês parou de vacinar contra coqueluche devido a preocupação pública sobre a segurança da vacina e devido ao declínio nas mortes causadas por tosse convulsa. Cinco anos depois, uma epidemia de coqueluche no Japão 13.000 pessoas afetadas e matou 41.

Quando falamos em produção animal, ao invés de indivíduo, a imunidade deve ser considerada em relação à população. Assim, o conceito de imunidade de rebanho pode ser definido como a resistência de uma população, ou um grupo, à introdução e disseminação de um agente infeccioso. Essa resistência é baseada na elevada proporção de indivíduos imunes entre os membros dessa população e na uniforme distribuição desses. Julga-se que a imunidade do rebanho age reduzindo a probabilidade de um animal suscetível encontrar um infectado, de modo que a disseminação da doença seja diminuída. Este fenômeno é tão importante que algumas doenças, como a varíola humana e a peste bovina, já foram erradicadas em todo mundo. Para outras doenças, tais como a febre aftosa, mesmo não havendo erradicação mundial a condição de área livre da doença pode ser atingida com o uso sistemático da vacinação.

Vale ressaltar que as condições ambientais e sanitárias nas quais os rebanhos se encontram são capazes de alterar consideravelmente sua resposta imunológica. Estresse por calor ou pelo frio são os principais causadores da inativação do sistema imune, além de estresse social, como alteração de manejo de uniformização e superlotação são fatores que tem impacto sobre a função imune do neonato, resultando em menor resistência às infecções.

Fatores relativos à produção e conservação das vacinas também podem influenciar na qualidade destas e na geração de resposta imunológica adequada após a vacinação. Embora o produtor não tenha o controle sobre o processo de fabricação, ele deve ficar atento para só adquirir vacinas licenciadas pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). Quanto à conservação das vacinas, cabe ao produtor garantir a manutenção da qualidade das mesmas. Vacinas devem ser mantidas refrigeradas (temperatura de geladeira) o tempo todo, inclusive durante o transporte e manejo, pois quando esquentam ou congelam perdem ou comprometem a eficiência. Assim, adquirir vacinas de varejistas idôneos, que garantam a manutenção das vacinas sob refrigeração, até o momento da venda, e manter sempre as vacinas na geladeira ou em caixa térmica com gelo após sua aquisição, são medidas simples que devem ser observadas. Além disso, se não agitadas adequadamente antes de serem aplicadas, alguns animais podem receber mais do “princípio ativo” da vacina (imunógeno) que o necessário e outros podem receber menos, não imunizando o rebanho de forma correta. Produtos de frascos abertos (sobras) ou vencidos não devem ser usados.

A aplicação correta da vacina influencia no resultado e garante a saúde do rebanho. Uma boa resposta vacinal depende da qualidade da vacina, da resposta imune do animal e do processo de vacinação, que deve ser feito corretamente. Os produtores devem sempre consultar um médico veterinário. Não é recomendado vacinar animais doentes, debilitados e estressados (ex.: estresse de transporte e desmame). O processo de vacinação deve ser conduzido de uma maneira tranquila, de preferência nos horários mais frescos do dia. Utilizar seringas e agulhas limpas e esterilizadas. Durante a vacinação, é recomendado sempre trocar de agulha. As agulhas com ponta romba, com sujidades, contaminantes ou que tenham caído no chão devem ser substituídas.   A dose a ser aplicada em cada animal deve ser aquela indicada no rótulo do frasco de vacina (uma dosagem menor do que a indicada pelo fabricante não proporcionará proteção desejada). Em animais primovacinados (vacinados pela primeira vez), a dose reforço é muito importante para a obtenção de níveis ótimos de proteção. Para que o animal produza os anticorpos necessários à sua proteção, é imprescindível que seja vacinado em condições de saúde e que não esteja sob administração de medicamentos imunossupressores, por exemplo, com corticoides.

Embora apenas as vacinas contra febre aftosa e brucelose sejam obrigatórias para bovinos no Brasil, vale a pena definir um calendário sanitário anual que inclua outras vacinas. Embora a vacinação possa representar trabalho extra e tenha um custo, este é normalmente muito menor que as perdas ocasionadas pelas doenças, tanto com a perda de animais, quanto com a queda de produtividade e desempenho.

Articulado por Larissa Florêncio de Assis, colaboradora do Setor de Patologia Clínica Veterinária da Universidade Federal de Lavras, redatora e editora para a Vet Smart.

Fontes:

http://www.news-medical.net/health/Vaccine-Immunity-(Portuguese).aspx

http://ppgca.evz.ufg.br/up/67/o/Semin%C3%A1rio_1_Patricia_Soares_corrigido.pdf?1349461552

http://sfagro.uol.com.br/12-dicas-fundamentais-para-nao-errar-na-vacinacao-do-rebanho-bovino/

http://www.agricultura.gov.br/animal/sanidade-animal/calendario-de-vacinacao

http://www.diadecampo.com.br/zpublisher/materias/Materia.asp?id=24113&secao=Sanidade%20Animal

https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/14333015/artigo-a-vacinacao-de-bovinos-e-o-potencial-de-protecao-dos-animais

Falando com clientes sobre doenças zoonóticas

Orientar nossos clientes não é algo difícil, mas ensiná-los a respeito das zoonoses é sempre um desafio. A clínica veterinária caminha sobre a fina linha da conscientização de seus clientes, dessa forma, as recomendações veterinárias orientam os mesmos sobre os potenciais riscos à saúde da família. O clínico veterinário é a chave para a comunicação com os clientes. São eles que despendem de tempo para explicar os princípios das transmissões de doenças, orientar os mesmos sobre a profilaxia e ajudá-los a idealizar as recomendações em casa.

Estabelecer, educar e preparar

  1. Estabelecer uma prática e por sua vez, clínicos informados em doenças zoonóticas e vetores potenciais
    Como técnicos devemos reforçar o relacionamento veterinário-cliente-paciente. Para isso é necessário um domínio sobre a intenção de orientar os clientes, e então informar-se sobre as incidências, prevenções, testes, terapias e produtos relacionados às doenças zoonóticas e seus vetores, visando beneficiar tanto da saúde animal quanto humana. Os clientes devem desenvolver consideração pelas zoonoses sem desenvolver um injustificado medo de doenças em seus Pets ou em si mesmos.
  1. Orientar sobre as práticas preventivas universais e zoonoses e vetores de doenças prevalentes em suas respectivas regiões

Primeiramente, os clientes devem estar cientes que visitas regulares ao veterinário, higiene do animal e uma simples lavagem das mãos são ótimas práticas de prevenção das potenciais transmissões de doenças. Assim que ficarem familiarizados com as zoonoses e sua fácil prevenção, eles ficarão menos alarmados quando ouvirem sobre surtos relatados por amigos ou pela mídia.

Posteriormente, ajudar toda a equipe veterinária a ficar a par das zoonoses e vetores prevalentes em suas respectivas regiões ou estados por meio de atualização sobre os monitoramentos da Secretaria de Estado de Saúde de seus estados. A maioria das Secretarias possui um site com informações sobre as doenças de ocorrência nos mesmos, ações realizadas e notícias; sua clínica pode periodicamente acessar essas fontes em busca de informações sobre as doenças que aparecem em sua localidade.

  1. Munir clientes com a capacidade de identificar fontes confiáveis adicionais sobre as zoonoses e vetores

Todo bom clínico veterinário sabe que para ter metade dessa batalha ganha é necessário ter respostas e uma efetiva comunicação com seus clientes. A outra metade consiste em saber quando dizer: “Eu não tenho certeza, mas eu procurarei a resposta para você”. O próximo passo é ensinar o seu cliente a ter um olhar crítico quando utiliza a internet (olhar fontes confiáveis). Isso porque eles nunca vão parar de procurar coisas na internet, nós devemos ajudá-los a encontrar essas fontes. Afinal nós somos conscientes sobre o quão prejudicial a internet pode ser e como isso afeta a clínica (quem nunca atendeu um paciente intoxicado pelo próprio tutor?).

Educando clientes sobre as zoonoses: 

  • A chegada de um novo filhote de cão ou de gato é o momento ideal para informar os clientes sobre as zoonoses. Juntamente a revisão sobre o controle de parasitas internos e externos, benefícios da castração e do protocolo prático de visitas anuais e semianuais.
  • Visitas anuais ou semianuais promovem a oportunidade do clínico reavaliar surtos de doenças, atender as necessidades de nossos clientes, ou ainda, indicar novos medicamentos e métodos de prevenção de doenças.
  • Quadros de avisos atualizados nas salas de espera ou telas/televisores nas salas de exames podem oferecer informações oportunas sobre os riscos de diferentes doenças. Se o cliente vê algo sobre uma doença desconhecida, tem a oportunidade de se informar.

Fontes confiáveis que podem ser repassadas aos clientes para pesquisa e esclarecimento:

  • Sites das Secretarias de Saúde de seus respectivos estados;
  • http://portalsaude.saude.gov.br/
  • http://portal.cfmv.gov.br/portal/

O nível de confiança do clínico veterinário pode diretamente impactar na aceitação da mensagem pelo cliente. Estar familiarizado com a prevalência, transmissão, prevenção e tratamento das doenças zoonóticas pode assegurar uma melhor anuência.

Quando falamos com os clientes sobre as doenças, os clínicos tem uma oportunidade única de reforçar o relacionamento veterinário-cliente-paciente por meio da comunicação com o cliente.

Escrito por Carrie Jo Anderson – Hillsborough Community College, Florida. Traduzido por Larissa Florêncio de Assis, colaboradora do Setor de Patologia Clínica Veterinária da Universidade Federal de Lavras, redatora e editora para a Vet Smart. Texto original em: http://www.veterinaryteambrief.com/article/talking-clients-about-zoonotic-diseases.

Falando com clientes sobre doenças zoonóticas

Orientar nossos clientes não é algo difícil, mas ensiná-los a respeito das zoonoses é sempre um desafio. A clínica veterinária caminha sobre a fina linha da conscientização de seus clientes, dessa forma, as recomendações veterinárias orientam os mesmos sobre os potenciais riscos à saúde da família. O clínico veterinário é a chave para a comunicação com os clientes. São eles que despendem de tempo para explicar os princípios das transmissões de doenças, orientar os mesmos sobre a profilaxia e ajudá-los a idealizar as recomendações em casa.

Estabelecer, educar e preparar

  1. Estabelecer uma prática e por sua vez, clínicos informados em doenças zoonóticas e vetores potenciais

    Como técnicos devemos reforçar o relacionamento veterinário-cliente-paciente. Para isso é necessário um domínio sobre a intenção de orientar os clientes, e então informar-se sobre as incidências, prevenções, testes, terapias e produtos relacionados às doenças zoonóticas e seus vetores, visando beneficiar tanto da saúde animal quanto humana. Os clientes devem desenvolver consideração pelas zoonoses sem desenvolver um injustificado medo de doenças em seus Pets ou em si mesmos.

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