Identificando a dor do paciente por meio de um bom histórico

Os efeitos prejudiciais de dores não tratadas em pacientes veterinários e sua recuperação de doenças, injúrias e cirurgias já são bem conhecidos. Gerenciar a dor pode ser considerado o básico quando se trata de cuidados, mas reconhecer os sinais pode ser um desafio e a dor é ainda subtratada em cães e gatos. Mudanças de comportamento são um dos sinais mais comuns de dor, mas ainda podem ser negligenciados. Por isso, durante o conhecimento do histórico do paciente, a equipe veterinária deve questionar cuidadosamente seus clientes sobre mudanças de comportamento de seus Pets.

Tutores podem ser desconhecedores dos sinais clínicos associados à dor de seus Pets porque os animais, às vezes, podem esconder os sinais apresentando somente pistas sutis, tornando-se reclusos ou desenvolvendo comportamentos anormais. A dor pode estar associada às doenças subjacentes, ocorrer na ausência de danos teciduais óbvios e persistir após a resolução de causas incitantes.

Variedade de Sinais

A dor severa pode se estender de aguda e severa a subliminar e amena. Alguns sinais, como por exemplo, letargia e redução de apetite são extremamente não específicos, mas outros como pronunciada mudança de movimento e postura, especialmente com vocalização são mais óbvias.  Um cão com abdômen dolorido pode sentar-se encurvado na posição de oração; um gato com dores no pescoço pode parecer rígido e relutante em movê-lo; um cão com dor ortopédica ou musculoesquelética pode parecer fraco, se levantar vagarosamente e ficar de “pé” ou andar com dificuldade.

Outros sinais sutis, como diminuição de apetite, pouca disposição, agressividade, inquietude, adquirir o hábito de se esconder, tremores e pitialismo podem não ser reconhecidos como indicadores de dor. Tutores também podem não reconhecer sinais de dor crônica, pois podem pensar que são mudanças compatíveis com atitudes normais.

Gatos com dores podem ser um desafio em potencial. Eles interagem menos com seus tutores e se tornam mais reclusos, se escondem e se tornam menos móveis, até mesmo os veterinários podem encontrar dificuldades em acessá-los. Um estudo descobriu que 90% dos gatos tinham evidências radiográficas de doença articular degenerativa (DAD), sendo que apenas 4% desses mesmos gatos apresentavam sinais clínicos detectáveis. Um subsequente estudo com 23 gatos com DAD radiografados mostrou que os gatos se tornaram mais significativamente ativos, dispostos e aptos a saltar e melhoraram seu asseio após o início da terapia analgésica. Desta forma, tutores reconheceram retrospectivamente os sinais de dor somente após o tratamento adequado.

 Diferentes Manifestações

A dor se manifesta de diferentes formas em cães e gatos. Por isso, a equipe veterinária deve desenvolver um compreensivo entendimento das diferenças para melhor guiar seus questionamentos direcionados ao tutor.

Por exemplo, o dono de um gato de apartamento com progressiva osteoartrite pode citar mudanças sobre os hábitos na caixinha de areia, como defecar ou urinar fora da mesma para evitar pisar nas bordas. Se reconhecido precocemente, a solução mais simples será promover analgesia e usar uma caixinha de areia mais baixa ou desenhada para diminuir o impacto na qual o animal possa entrar facilmente e que tenha uma localização acessível que não requeira esforços, como subir escadas.

Os tutores podem ser questionados sobre a diminuição do asseio do animal, outro possível sinal de dor em gatos, considerando que a diminuição de asseio de uma área particularmente dolorosa é percebida tanto em cães quanto em gatos. Cães, entretanto, tendem a exibir sinais clínicos de dor mais claros, incluindo a marcha/andamento, inquietude, lamber a boca/focinho, latidos ou lamúria com sonidos e uivos. Questionando e orientando tutores sobre o comportamento relacionado à dor, principalmente em Pets senis é essencial para facilitar uma intervenção precoce.

Exame Físico

Para completar o histórico, é importante observar o paciente na clínica e realizar o exame físico que pode ajudar na identificação da dor. Usando uma escala de dor para as diferentes espécies pode ajudar a reduzir interpretações subjetivas e melhorar o manejo da dor.

Por Shelly J. Olin, DVM, DACVIM (SAIM), University of Tennessee, Knoxville e M. Katherine Tolbert, DVM, PhD, DACVIM (SAIM), University of Tennessee, Knoxville.

Traduzido e adaptado por Larissa Florêncio de Assis, colaboradora do Setor de Patologia Clínica Veterinária da Universidade Federal de Lavras, Redatora e Editora para Vet Smart.

Texto original em: http://www.veterinaryteambrief.com/article/starting-right-good-history-help-identify-pain

Comente e expresse sua opinião!