Reação alimentar indesejável em cão: relato e conduta

O caso:

Um Golden Retriever de 9 anos de idade em perfeito estado apresentava ao veterinário um longo histórico de prurido não sazonal e piodermite recorrente. O exame físico evidenciou eritema, abrasões e alopecia na pele, mas não eram lesões consistentes. Exames de sangue (hemograma completo, perfil químico sérico, tiroxina total) estavam todos dentro dos limites normais.

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PEQUENOS ANIMAIS – Reação alimentar indesejável em cão: relato e conduta

O caso:

Um Golden Retriever de 9 anos de idade em perfeito estado apresentava ao veterinário um longo histórico de prurido não sazonal e piodermite recorrente. O exame físico evidenciou eritema, abrasões e alopecia na pele, mas não eram lesões consistentes. Exames de sangue (hemograma completo, perfil químico sérico, tiroxina total) estavam todos dentro dos limites normais.

Histórico Alimentar:

Uma detalhada análise nutricional foi estabelecida. O paciente de 32,5kg tinha um escore corporal de 5/9. O histórico alimentar dizia que o paciente se alimentava de uma dieta de manutenção para cães adultos. Após descartar a alergia a pulgas, o veterinário suspeitou de alergia alimentar e enviou uma amostra de soro do animal para realização do teste de ELISA. Arroz, soja e milho foram identificados como possíveis alérgenos.

Tratamento:

O histórico alimentar do animal revelou potenciais fontes de alimentos alérgenos induzindo o veterinário a mudar a dieta atual para uma baseada em ingredientes os quais o paciente teve conhecidamente exposição prévia, como por exemplo, peixe e batata. A recomendação resultou em um bom controle do prurido e o paciente foi diagnosticado com suspeita de alergia alimentar. O paciente se alimentou da dieta por 6 anos sem apresentar outros sintomas.

DIAGNÓSTICO:

ALERGIA ALIMENTAR

Acompanhando o caso

Após 6 anos, o animal voltou ao veterinário com vômito agudo e diarreia. O mesmo foi hospitalizado e recebeu terapia suporte. Ele foi presumidamente diagnosticado com pancreatite baseada nos sinais clínicos e na alteração da lípase pancreática específica canina (CPL) de 450µ/L (limite de 0-200µ/L). Sua dieta atual de peixe e batata fornecia 35% de calorias; para prevenir a recorrência da pancreatite o veterinário alterou a dieta para uma fórmula de emagrecimento fornecendo 20% de calorias com ingredientes principais como trigo, frango e peru. O paciente se recuperou do presumível episódio de pancreatite, mas as marcas na pele e o prurido voltaram 2 meses depois.

Após consultar um dermatologista, a dieta foi mudada para a proteína hidrolisada (baseada em fígado de galinha; 30% de calorias) para tratar o prurido. O prurido do paciente, no entanto, não diminuiu e houve recorrência do episódio de pancreatite. Dietas hidrolisadas são formuladas para reduzir a alerginicidade da fonte proteína, mas ela não a elimina completamente. Portanto, uma pequena porcentagem dos pacientes intolerantes a proteína total podem também ser reagentes a proteína hidrolisada, que pode ter ocorrido nesse caso. O paciente foi introduzido a uma dieta caseira baseada somente em carne equina e batata (sem outros ingredientes ou suplementos), a qual fornecia 17% de calorias. Os sinais tanto da pele quanto do Trato Gastrointestinal cessaram. 

CONSULTA NUTRICIONAL

A consulta nutricional conduziu o veterinário a encontrar um planejamento dietético de longo prazo. Os tutores se mostraram dispostos a cozinhar em casa, se necessário, mas preferiram dietas comerciais. Entretanto, após um cuidadoso estudo do histórico nutricional o objetivo era fazer uma eliminação veterinária da dieta que não era baseada em carne de frango, pois o paciente foi exposto a carne de frango e a proteína hidrolisada de frango que não conseguiram controlar o prurido e tinham menos de 30% de calorias. Após mais de um ano de acompanhamento, o paciente não apresentou recorrência de doença intestinal ou de pele e seus níveis de CPL estavam dentro dos limites.

CONCLUSÃO 

Esse caso pode mostrar a importância de uma boa avaliação nutricional, especialmente um cuidadoso e preciso histórico alimentar no diagnóstico e controle bem sucedido quando se há suspeita de alergia alimentar.

Texto Original por: Jenifer Molina, DVM, ECVCN Resident, Universitat Autònoma de Barcelona, Marta Hervera, PhD, DECVCN, Expert Pet Nutrition, Cecilia Villaverde, DVM, MSc, PhD, DACVN, DECVCN, Universitat Autònoma de Barcelona e Gregg K. Takashima, DVM, WSAVA Global Nutrition Committee Series Editor. Publicado em Fevereiro de 2017. Disponível em: http://www.cliniciansbrief.com/article/adverse-food-reaction-dog

Tradução e Adaptação por Larissa Florêncio de Assis, colaboradora do Setor de Patologia Clínica Veterinária da Universidade Federal de Lavras e Editora Chefe Vet Smart.

 

PEQUENOS ANIMAIS: Pets vegetarianos e veganos: um novo cenário ao veterinário brasileiro

Atualmente no Brasil estima-se que 8% da população seja vegetariana e esse número vem crescendo. Além dessa crescente realidade, o fato dos Pets estarem cada vez mais próximos dos humanos, adquirindo hábitos e patologias similares, contribui para que o mesmo aconteça com os hábitos alimentares. O veganismo e o vegetarianismo são duas distintas ideologias, mas que tem por base princípios similares que visam respeitar a ética animal tanto de grandes quanto de pequenos animais. Em linhas gerais, o vegetariano é aquele que não come nenhum tipo de carne e o vegano é aquele que não faz uso de nenhum produto de origem animal, seja mel, leite, carne, ovos ou qualquer outra parte do animal como, por exemplo, cartilagens e ossos.

Partindo desses princípios, alguns tutores engajados na causa vegana e vegetariana passaram a buscar formas alternativas de nutrição animal que não utilizasse carne, ossos e outros produtos de origem animal para alimentarem seus Pets. Essa procura por novidades no setor pet food, combinada com uma tendência permanente de humanização na indústria pet, acarretou aumento da procura por alimentos diferenciados para animais de estimação. Dentre os tipos de dietas alternativas encontram-se as dietas naturais, as orgânicas, entre outras. A alimentação dos animais de estimação dos veganos é por vezes uma questão controversa, principalmente do ponto de vista ético. Cães e gatos não seguem naturalmente uma dieta vegana, nem vegetariana.

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Referência mundial em obesidade de animais de estimação chega ao Brasil

Ciclo de palestras presenciais acontecerá em São Paulo e Rio de Janeiro, além de uma transmissão on-line para todo o Brasil

O objetivo é compartilhar informações sobre a doença e como potencializar os resultados do tratamento

A obesidade é uma das doenças mais graves e comuns em gatos e cães no mundo. O Médico-Veterinário Alex German, especialista em obesidade em animais de estimação e Professor da Universidade de Liverpool (UK), dividirá com profissionais veterinários, durante sua estada no Brasil, os resultados das recentes pesquisas realizadas sobre este tema e trará valiosas informações que auxiliarão no combate a obesidade de gatos e cães. Para isso, nos próximos dias 21, 22 e 23 de Junho, a ROYAL CANIN®, marca referência em Nutrição Saúde para gatos e cães, promoverá um ciclo de palestras nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, além de uma palestra on-line.

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