Grandes Animais – Febre do leite: desafios da reprodução

A hipocalcemia é um distúrbio metabólico no qual o mecanismo de regulação dos níveis de cálcio no sangue é perturbado pelo aumento súbito e acelerado da mobilização desse elemento no início do período de produção de colostro e leite. É uma doença comum em vacas leiteiras de alta produção, aparecendo em geral, a partir da segunda lactação e entre 24 e 48 horas após o parto. O quadro clínico do problema é bastante evidente: há um excitamento nervoso, com tremores de cabeça e tetania ou contração muscular, notadamente das grandes massas musculares, além de protusão ou exposição da língua. As vacas ficam tristes, com sintomas de apatia e abertura dos membros posteriores e ataxia ou falta de coordenação dos movimentos, dando ao animal um aspecto de cavalete, seguido de prostração ao cair ao chão.

A hipocalcemia é resultante da queda da concentração de cálcio no sangue. Na maioria das vezes, esta queda ocorre na ocasião do parto devido à alta demanda de cálcio para a produção do colostro. Animais que apresentam a forma clínica da hipocalcemia possuem níveis abaixo de 6,0 mg de cálcio/100 ml de sangue. Quando a concentração de cálcio no sangue encontra-se entre 6,5 a 8,0 mg/100 ml ocorre a hipocalcemia subclínica. Este distúrbio é facilmente tratado com aplicações intravenosas de borogluconato de cálcio a 23% . Como o cálcio é cardiotóxico, a sua aplicação deve ser lenta e acompanhada de auscultação cardíaca.  Na maioria dos animais a recuperação acontece imediatamente após o tratamento ou até 2 horas após. Os sinais indicativos de melhora clínica durante o tratamento são: tremores  musculares finos, aumento da intensidade dos batimentos cardíacos, o pulso se torna evidente, retorno da defecação e eructação e tentativa do animal em se manter em pé. Quando o diagnóstico é feito corretamente e as vacas são tratadas em tempo hábil, a maioria se recupera.

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