Carne fraudada, responsabilidade ética e corrupções

No cenário brasileiro, escândalos de corrupção, fraudes e incoerências são cada vez mais recorrentes. Falar sobre a política que atualmente rege nosso país tornou-se mais que um assunto da roda de bar, tornou-se rotina. As atuais vertentes econômicas brasileiras não são as melhores, estados estão passando por dificuldades, falta de repasse de verbas e com quase 13% da população desempregada, estar empregado é quase um luxo. Como o ditado já dizia: “a ocasião faz o ladrão”… E quantas ocasiões, hein? O mais frequente escândalo de corrupção que se tem notícias no Brasil é a “Operação Carne Fraca”, a maior já realizada pela polícia federal.

Tudo começou quando o médico veterinário Daniel Gouveia Teixeira, lotado na Superintendência Federal da Agricultura no estado do Paraná como chefe substituto do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SIPOA), denunciou o gigantesco esquema de corrupção no qual constatou que funcionários do Órgão eram transferidos para outras unidades de atuação para atender ao interesse de fiscalizados. Segundo a Polícia Federal, médicos veterinários fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebiam propina para liberar licenças sem realizar a fiscalização adequada nos frigoríficos. A investigação indica que eram usados produtos químicos para maquiar carne vencida, e água era injetada nos produtos para aumentar o peso.

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Opinião: o que torna o veterinário um líder?

Leonidas liderou a vitória de seu exército contra forças grandiosas, mas todos seus 300 homens morreram na Batalha das Termópilas.

Teria Leonidas sido um bom líder? O que faz um bom líder?

Na medicina veterinária, liderança engloba mais que ser um bom clínico. Por exemplo, educação, treinamento e experiência preparam melhor veterinários para lidar com condições médicas complexas e responder adequadamente, como: ‘Sra. Rosa, Fifi foi diagnosticada com diabetes. Para ter qualidade de vida, a Sra. terá que aplicar insulina diariamente e dar a ela uma dieta especial’.  

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A humanização dos animais e suas consequências

Todos os dias pais e mães enterram seus filhos, que morrem pelas mais diversas causas. Falamos aqui de 132 milhões de filhos, das mais diversas raças, pelagens, tamanhos e idades. É assim, que cada vez mais, os animais de estimação são chamados: filhos. A humanização dos PETs é um assunto cada vez mais recorrente na sociedade. São reportagens, debates envolvendo economistas, psicólogos, juristas, médicos, religiosos ou antropólogos a respeito do tema. Para o psiquiatra Elko Perissinotti, vice-Diretor do Instituto de Psiquiatria do HC, o contato com animais de estimação tem a mesma função do contato interpessoal: suprir carências. Mas afinal, quem produz a humanidade dos animais e quando ou até onde os mesmos são humanos?

As enfermidades, exames, métodos diagnósticos e tratamentos assemelham-se cada vez mais aos realizados em humanos. É devido a essa transposição de afeto e emoções juntamente do convívio cada vez mais estreito que os PETs têm adquirido patologias psicológicas que antes eram somente diagnosticadas em humanos, como por exemplo, a síndrome de ansiedade e separação. Dessa forma, os médicos veterinários, que já lidam com questões emocionais cotidianas, passam a ser mais exigidos e cobrados em relação à aplicação de seus conhecimentos adquiridos em toda sua vida acadêmica e profissional, visando o bem estar daquele que agora é membro da família.

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Exposição fotográfica realizada pelo Vet Smart e Nestlé® Purina com tema Valorização do Veterinário marca evento de lançamento da nova linha Pro Plan® Veterinary Diets

No lançamento da nova linha Pro Plan® Veterinary Diets da Nestlé Purina® o Vet Smart expôs uma amostra fotográfica realizada pelo fotógrafo Edu Leporo com o mote ‘valorização do médico veterinário’.

Confira:

O papel do Médico veterinário na sociedade vai muito além de zelar e cuidar da saúde dos animais.

Ele permeia nossas vidas e das pessoas que amamos. Silenciosamente ele alicerça uma convivência harmônica e saudável entre humanos e animais.

Essa conexão é conquistada porque pessoas extraordinárias acreditam e despedem horas de suas vidas entre estudos, estágios, cursos e especializações para se tornarem profissionais de confiança e suma importância para nossa alegria e bem estar.

Nestlé Purina®, em parceria com o Vet Smart, visa transmitir através dessa amostra fotográfica um nuance da dedicação de médicos veterinários brasileiros que transformam diariamente a vida de muitos.

Nossa mais sincera admiração.

Agradecimento especiais:
Eduardo Leporo – Fotógrafo
Hospital Veterinário e Pet Shop Dr. Hato
Clínica Veterinária Sr. Gato

vetsmart purina valorização veterinárioCrédito: Nestlé Purina, Vet Smart e Edu Leporo

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Kátia Abreu diz que fica no Mapa: “O Brasil não pode parar”

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, defendeu a presidente Dilma Rousseff em sua conta no Twitter. “Continuarei escrevendo que acredito na honestidade da presidente Dilma. Até que me provem o contrário. Pedalada não é argumento”, afirmou Kátia, assinalando que não aceitará “patrulha” sobre sua posição.

“Enquanto for ministra, continuarei trabalhando pelo agronegócio. O Brasil não pode parar. As pessoas produzem, precisam vender os produtos, industrializar, exportar, precisam de crédito, estradas. Continuarei cumprindo meu dever.”  Na semana passada, surgiram rumores de que a ministra teria decidido sair do governo antes mesmo da decisão oficial do PMDB, prevista para o fim do mês.

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Nove de setembro, dia do Médico Veterinário. E o que há para ressaltar ou comemorar?

Muitos dirão que não há o que comemorar pois vivemos em tempos difíceis, com pessoas-clientes difíceis, em plena crise financeira e empregatícia (que também fomenta a emocional) e muitos outros ‘poréns’. Mas não é possível que esta profissão seja tão frustrante ou tão ‘desencantadora’ como muitos têm se queixado, ou que não exista o sentimento de dever cumprido e realização ao final de um longo dia (ou noite) de trabalho.

Não é possível que não surja uma imensa felicidade e satisfação pessoal quando o plantão é contemplado com uma cesárea bem sucedida, ou quando um proprietário agradece com todas as forças por ter salvado a vida de seu companheiro, ou quando aquele cavalo campeão finalmente se recupera da cólica.

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Qual é a diferença entre trabalho, emprego e serviço? Como quantificar nosso valor?

Se olharmos os dicionários, teremos muitas definições e sinônimos porém, apesar de trabalho, emprego e serviço estarem relacionados, no fundo têm significados diferentes.

O trabalho pode ser qualquer atividade, remunerada ou não, voluntária ou obrigatória, braçal ou mental. E como se diz, o “trabalho dignifica o homem” mas nem sempre paga as contas ou põe ração no pote. Nesta visão, o trabalho do médico veterinário é maravilhoso, complexo e apaixonante, mas sem o devido valor comercial.

O emprego tem a conotação de vínculo empregatício, ou seja, gera dividendos e denota o valor comercial da ação esperada do empregado, mas não necessariamente exige o vínculo emocional.

Já o serviço, que também pode ser voluntário ou não, muitas vezes é relacionado a duas coisas diferentes: a prestação de serviços, essa sim, com caráter bastante comercial ou ainda o servir, do serviçal, do que oferece serviço público e/ou gratuito.

Nestes pontos de vista, talvez sejamos profissionais mais passionais do que racionais em nossa relação com a medicina veterinária e essa mentalidade pode, mesmo que inconscientemente, colaborar com a desvalorização comercial do profissional médico veterinário. Talvez nossa formação seja muito mais médica e humanista e muito menos comercial e mercantilista, por isso muitas vezes não sabemos efetivamente cobrar pelos nossos serviços, pelo nosso trabalho ou mesmo pelo nosso emprego. Talvez a filosofia não seja o melhor campo para discutir com veterinários, mas se não pensarmos profundamente nossa relação com a medicina veterinária, que caminhos teremos para valorizar nossa profissão, nosso trabalho e nosso serviço?

Minha proposta inicial é sempre parecida. Temos que nos organizar, seja através das Sociedades, das Associações, dos Sindicatos ou quaisquer órgãos que possam reunir veterinários e, havendo a organização inicial, as propostas devem ser discutidas, documentadas e levadas a organizações superiores. Em alguns estados do Brasil a SOMVET (em Santa Catarina), Anclivepa (Paraná), CRMV (Mato Grosso) e outras siglas mais oferecem a tabela de honorários profissionais, sugerindo um piso para o serviço prestado (veja bem e pense bem: serviço prestado). Muitos estados ainda não têm essas sugestões e os preços são praticados conforme o entendimento do profissional e quando não há um “mínimo” estabelecido ou sugerido, a lei do comércio fala mais alto que a lei do coração e sim, serão praticados valores baixos porque o veterinário precisa pagar as contas – e infelizmente muitas vezes o baixo valor é diretamente proporcional à qualidade do serviço prestado. Neste ciclo vicioso vêm os processos, as onerações, as perdas de clientes e, como pior consequência, a perda de pacientes.

Não há uma receita mágica para a valorização do veterinário e de seu trabalho ou serviço. O que há, urgente, é a necessidade de nos organizarmos como profissionais, elaborarmos propostas concisas e cobrar das organizações superiores o nosso valor. Emocional, racional e, claro, financeiro.

Sobre a autora

Sou professora de várias disciplinas, mas a deontologia veterinária talvez seja uma das poucas em que é possível abrir a mente dos ‘quase profissionais’ sobre o futuro que os aguarda após o curso de graduação. Nesta disciplina apresento normas e mais normas (ética profissional, noções de direito, responsabilidade profissional, civil, criminal e administrativa, leis, portarias, resoluções, medicina veterinária legal e assuntos correlatos) e tento gerar conteúdo racional, estimulando o pensar. Uma das aulas mais polêmicas trata de honorários veterinários. Perguntas como “por que temos um piso determinado em Resolução e nos concursos públicos ninguém paga esse piso?” ou ainda “pra quê fazer residência, se o mercado de trabalho não me pagará a mais por isso?” são ao mesmo tempo as melhores e as piores para um professor responder…

Devo esclarecer algumas coisas: não trabalho na área do direito e não tenho formação alguma específica na área de deontologia veterinária – não sou da deontologia mas, como médica veterinária, a deontologia está em mim. Também não atuo como médica veterinária e sim como professora universitária, ou seja, o pré-requisito mínimo para meu concurso era ter diploma de Médica Veterinária (e as benditas pós-graduações). Desta forma, atuo na área acadêmica, em universidade pública e não tenho empregos adicionais, portanto não vivo a questão dos honorários veterinários e sim dos (des)honorários da educação, que não vêm ao caso agora. Então o leitor se pergunta: o que essa pessoa pode falar sobre tudo isso, se não é da área? Essa é mais fácil de responder que as questões da aula. Falo porque me preocupo muito com a profissão que escolhi e amo tanto. A preocupação é tanta que resolvi me dedicar ao ensino e trabalhar o máximo possível para que os egressos tenham uma profissão digna, que sejam aptos a enfrentar o mundo além dos muros da academia e que tenham a mente aberta para as mudanças que acontecem o tempo todo. E me preocupo porque os que se formam voltam para conversar comigo e fico sabendo das dificuldades, sobretudo financeiras. Não posso regular preços (e infelizmente a cri$e veterinária não é recente), mas posso provocar os formandos a se tornarem “novos veterinários” e galgarem seus valores como pessoas e como profissionais.

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Juliana Arena Galhardo CRMV4626-MS é professora de zoonoses e saúde pública na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Desde 2011 coordena o Projeto de Extensão Universitária ‘LeishNão: para prevenção e controle da leishmaniose visceral’ que atua em instituições de ensino públicas e privadas levando atividades paradidáticas sobre educação em saúde em leishmaniose e posse responsável. Conheça o projeto (leishnao.blogspot.com) e compartilhe a educação em saúde (facebook.com/leishnao)

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