Grandes Animais – Febre do leite: desafios da reprodução

A hipocalcemia é um distúrbio metabólico no qual o mecanismo de regulação dos níveis de cálcio no sangue é perturbado pelo aumento súbito e acelerado da mobilização desse elemento no início do período de produção de colostro e leite. É uma doença comum em vacas leiteiras de alta produção, aparecendo em geral, a partir da segunda lactação e entre 24 e 48 horas após o parto. O quadro clínico do problema é bastante evidente: há um excitamento nervoso, com tremores de cabeça e tetania ou contração muscular, notadamente das grandes massas musculares, além de protusão ou exposição da língua. As vacas ficam tristes, com sintomas de apatia e abertura dos membros posteriores e ataxia ou falta de coordenação dos movimentos, dando ao animal um aspecto de cavalete, seguido de prostração ao cair ao chão.

A hipocalcemia é resultante da queda da concentração de cálcio no sangue. Na maioria das vezes, esta queda ocorre na ocasião do parto devido à alta demanda de cálcio para a produção do colostro. Animais que apresentam a forma clínica da hipocalcemia possuem níveis abaixo de 6,0 mg de cálcio/100 ml de sangue. Quando a concentração de cálcio no sangue encontra-se entre 6,5 a 8,0 mg/100 ml ocorre a hipocalcemia subclínica. Este distúrbio é facilmente tratado com aplicações intravenosas de borogluconato de cálcio a 23% . Como o cálcio é cardiotóxico, a sua aplicação deve ser lenta e acompanhada de auscultação cardíaca.  Na maioria dos animais a recuperação acontece imediatamente após o tratamento ou até 2 horas após. Os sinais indicativos de melhora clínica durante o tratamento são: tremores  musculares finos, aumento da intensidade dos batimentos cardíacos, o pulso se torna evidente, retorno da defecação e eructação e tentativa do animal em se manter em pé. Quando o diagnóstico é feito corretamente e as vacas são tratadas em tempo hábil, a maioria se recupera.

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Grandes Animais: Agenda de Eventos Veterinários – Mês de Abril 2017

Curso de Inseminação Artificial e Estratégias de IATF em Bovinos

Data: De 01 a 04/04/2017
Local: Viçosa – MG
Informações: O objetivo do curso é capacitar os profissionais para aplicar a técnica de Inseminação Artificial, IATF e estação de monta e contribuir para o melhoramento genético de bovinos.

Site: http://www.cptcursospresenciais.com.br/curso/curso-de-inseminacao-artificial-e-estrategias-de-iatf-em-bovinos/#tab1

27º Treinamento sobre Suplementação para Bovinos de Corte

Data: De 04 a 06/04/2017
Local: Piracicaba – SP
Conteúdo Programático:
-Conceitos básicos e aplicados sobre nutrição e suplementação de ruminantes;
-Análise Bromatológica;
-Manejo das pastagens e o desempenho animal;
-Qualidade de forragem;
-Suplementação com alimentos volumosos;
-Uso de suplementação com alimentos concentrados no período das “águas” e das “secas” para diferentes categorias de animais;
-Intensificação do sistema de produção de bovinos de corte e os sistemas de suplementação;
-Outras técnicas relacionadas ao tema.

Site: http://fealq.org.br/informacoes-do-evento/?id=499

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Bolha veterinária, faculdade à distância e desemprego

O ano de 2016 foi um ano extremamente turbulento e o mesmo terminou cheio de incertezas. O último trimestre do ano foi marcado por uma taxa de desemprego de 11,3%, segundo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Os mais recentes números do Conselho Federal de Medicina Veterinária – CFMV atestam que atualmente no Brasil existam 84.151 médicos veterinários ativos em mais de 50 áreas de atuação. Para complementar esses números, formam-se a cada ano cerca de cinco mil novos profissionais e a pergunta que ecoa cada vez mais e preocupa diariamente estudantes e profissionais da área é: há emprego garantido a todos nós?

Os números não mentem, somos o país com mais médicos veterinários no mundo. Possuímos uma das maiores extensões territoriais e também a quarta maior população de animais de companhia do planeta, superando até mesmo a população infantil do país. Mesmo assim a preocupação não é ilegítima. Muitos clínicos têm reclamado da competição desleal e da frequente desvalorização da profissão devido o expressivo número de clínicas que tratam animais de companhia e, além disso, do atendimento barateado por colegas de trabalho.

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Acidentes Ofídicos em Grandes Animais: Como Proceder?

Existem no mundo cerca de 3.000 espécies de serpentes, sendo que 410 são consideradas peçonhentas e/ou venenosas. Os gêneros Bothrops, Crotalus e Lachesis pertencentes à Família Viperidae correspondem às serpentes causadoras de acidentes ofídicos de maior relevância no Brasil sendo que, em 1999, haviam sido cadastradas 256 espécies, sendo 69 consideradas venenosas, destas 32 pertence ao gênero Bothrops, seis ao gênero Crotalus, duas ao gênero Lachesis e 29 ao gênero Micrurus. Acidentes com animais peçonhentos são frequentemente relatados nas áreas rurais do Brasil por fazendeiros, vaqueiros e também veterinários de campo, que acreditam que picadas de cobra são responsáveis por mortes de animais, gerando assim perdas econômicas aos pecuaristas.

A suscetibilidade dos animais domésticos ao veneno de Bothrops obedece à seguinte ordem decrescente: equinos, ovinos, bovinos, caprinos, suínos e felinos. Grandes animais são mais resistentes ao veneno que animais pequenos, porque a quantidade de veneno necessária para induzir a morte é maior. As espécies botrópicas, como Jararaca, Jararacussu e Urutu, habitam lugares úmidos, plantações, pastagens, e lugares não habitados pelo homem, alimentam-se de roedores e tem hábito noturno. Atacam subitamente, erguendo o terço anterior do corpo sem serem percebidos. O veneno botrópico possui uma mistura complexa de enzimas, peptídeos e proteínas, como metaloproteases, citolisinas, hialuronidase, fosfolipase e esterases, que provocam quadro de inflamação local, necrose e dano ao epitélio vascular. As principais ações do veneno botrópico podem ser classificadas em proteolítica ou necrosante, vasculotóxica e nefrotóxica. Outras ações causadas pelo veneno botrópico incluem choque, coagulação intravascular disseminada (CID) e insuficiência renal secundária a CID e ao choque.
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GRANDES ANIMAIS: Vamos falar sobre colostro?

A alimentação e o manejo adotado na criação de bezerras leiteiras refletem diretamente, não apenas na sua sobrevivência, mas, sobretudo, na sua produção de leite futura. Recentes estudos têm mostrado uma relação positiva entre consumo inicial de nutrientes e ganho de peso durante os primeiros meses de vida e até mesmo na produção de leite durante a primeira lactação. A oferta do colostro para as bezerras logo após o nascimento é um manejo de extrema importância no sistema de criação da pecuária leiteira porque está diretamente relacionada à saúde e ao desenvolvimento das futuras matrizes do rebanho.

A qualidade da transmissão da imunidade passiva colostral depende de vários fatores que podem ser agrupados em três categorias: – Fatores ligados à vaca (qualidade do colostro); – Fatores ligados à bezerra (atitude de mamar, capacidade de absorção intestinal das imunoglobulinas) e; – Fatores ligados ao criador (modalidade de administração do colostro). O colostro bovino consiste em uma mistura de secreções lácteas e constituintes do soro sanguíneo, principalmente imunoglobulinas e outras proteínas séricas, que se acumulam na glândula mamária durante o período final de gestação. A oferta de colostro para as bezerras recém-nascidas é fundamental porque os bovinos e outros ruminantes possuem uma placenta diferenciada de outros mamíferos. A placenta da vaca não permite a passagem de anticorpos da mãe para o feto. Desta forma os bezerros são totalmente dependentes do consumo de colostro para adquirir imunidade, chamada de imunidade passiva, até que seu organismo comece a produzir seus próprios anticorpos, chamado de imunidade ativa. A primeira ordenha após o parto é verdadeiramente denominada de colostro, do ponto de vista da qualidade de anticorpos. O produto obtido nas demais ordenhas subsequentes é denominado de leite de transição.

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GRANDES ANIMAIS – Salmonelose em bovinos, desafios produtivos

As doenças de origem alimentar (DTA) estão diretamente ligadas à questão da segurança alimentar e são importante causa de uma série de transtornos relacionados à saúde pública, como aqueles de ordem econômica e social, em função principalmente dos custos gerados com hospitalizações e até mesmo óbito. Estas doenças ocorrem devido a uma variedade de microorganismos, disseminados por diversas rotas e fontes de transmissão que culminam na contaminação do alimento e posterior contágio do consumidor final, levando as enfermidades. Dentre os micro-organismos o principal destaque é reservado à Salmonella spp. No Brasil, por exemplo, de acordo com dados do Ministério da Saúde para o ano de 2010, a Salmonella spp. foi o principal micro-organismo detectado nos casos de DTA.

Atualmente, Salmonella spp. é um dos micro-organismos mais frequentemente envolvidos em casos e surtos de doenças de origem alimentar em diversos países, inclusive no Brasil. Na Inglaterra e países vizinhos, 90% dos casos são causados por Salmonella spp. Dados publicados nos Estados Unidos, Canadá e Japão indicam que os relatos de ocorrência de salmoneloses de origem alimentar aumentam a cada ano. De acordo com dados publicados no foodnet esta tendência permanece e se demonstra de acordo com os dados publicados até 2009.

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GRANDES ANIMAIS: Febre aftosa – preocupação produtiva

Causada por Aphtovirus, família Picornaviridae (RNA), é uma doença aguda, febril, altamente transmissível, que ocorre exclusivamente em animais biungulados, domésticos e selvagens. São conhecidos sete sorotipos do vírus o O, A e C (que ocorrem na América do Sul). Sendo que um sorotipo não confere resistência ao outro. Caracteriza-se pela formação de vesículas e erosões na mucosa da boca e da porção externa das narinas, na pele interdigital e rodete coronário, tetos e glândula mamária, na língua, há o desprendimento de grandes áreas da mucosa. A mortalidade é baixa, exceto em bezerros, porém a morbidade é elevada e a produtividade drasticamente reduzida na população afetada.

Sob refrigeração o vírus pode sobreviver nas vísceras, linfonodos e medula óssea por um período indefinido. Também sobrevive nestes locais em pH neutro, mas é destruído nos músculos quando o pH atinge valores inferiores a 6, pelo rigor mortis e pelo processo de maturação de carne.

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GRANDES ANIMAIS: Hemiplegia laringeana, cavalo roncador

Um dos problemas mais comuns e que causam prejuízos econômicos ao cavalo atleta é a hemiplegia laríngea ou paralisia unilateral/bilateral da laringe, que acomete as vias respiratórias superiores. A doença é de causa idiopática e pode ser observada após grandes esforços do animal, quando o mesmo passa a fazer uma espécie de ronco, por isso é conhecida como “cavalo roncador”. A doença acomete geralmente cavalos jovens, com cerca de 10 meses de idade ou ainda, cavalos de corrida frequentemente antes do início do treinamento.

A hemiplegia laríngea é causada por uma neuropatia que leva a degeneração do nervo laríngeo recorrente esquerdo, resultando na atrofia dos músculos intrínsecos da laringe que são inervados pelo mesmo. O músculo mais comumente afetado é o cricoaritenoide (os músculos cricoaritnoide dorsal e lateral – abdutor e aductor da cartilagem aritenóide). A atrofia nos outros músculos é menos severa e é indicada por palidez e redução no tamanho.

Com a paralisia da laringe, a abertura e fechamento das cartilagens aritenoides ficam comprometidas, provocam uma redução no lúmen da via aérea e do fluxo do ar, aumentando a resistência durante a inspiração e queda nas trocas gasosas em nível pulmonar. Isso resulta na queda do desempenho durante o exercício. Além disso, a passagem do ar provocar vibração na cartilagem paralisada fazendo o cavalo roncar.

As causas são adversas, dentre elas estão: compressão ou estiramento mecânico do nervo laríngeo recorrente esquerdo ao passar pelo arco-aórtico (da artéria aorta), neuropatias induzidas por vírus ou bactérias, deficiências vitamínicas, secundariamente a infecções perivasculares ou perineurais (injeções fora da veia), intoxicação por organofosforados, envenenamento por chumbo, micose nas bolsas guturais, neoplasias, acidentes traumáticos na região do pescoço com ou sem formação de abscessos na região próxima a laringe, passagens de sonda nasogástrica, entre outras.

Como método diagnóstico, utiliza-se a palpação externa da laringe, para verificar graus de atrofia dos músculos intrínsecos, com ressalva que este exame oferece uma eficiência limitada em animais tensos, obesos ou com inflamação da área faringo-laringeana. Todavia é um exame que deverá ser realizado sempre, seguido pelo uso da endoscopia. Através desta, pode-se identificar e graduar a hemiplegia, que varia de grau 1 a 4, a depender da abertura e fechamento, sincronia e assimetria das cartilagens aritenóides. Microscopicamente é difícil serem encontradas lesões, mas quando são encontradas observa-se perda acentuada das fibras mielinizadas da porção média e distal do nervo laringeal recorrente esquerdo.

Os tratamentos cirúrgicos disponíveis para a HL incluem laringoplastia, ventriculectomia, ventriculocordectomia, reinervação do músculo cricoaritenóide dorsal e ocasionalmente aritenóidectomia. A escolha da cirurgia geralmente é feita com base na queixa apresentada, idade, tipo de trabalho em que o animal é submetido e do grau de alteração de movimento da cartilagem aritenóide presente.

Fontes:

Mary S. Varaschin – Apostila de Patologia Especial da Universidade Federal de Lavras – Unidade 2, pag. 7, 2015.

http://www.conhecer.org.br/enciclop/2013b/CIENCIAS%20AGRARIAS/Hemiplegia.pdf

http://nogalope.com.br/hemiplegia-laringea-cavalo-roncador/

http://www.portaldoequino.com.br:3000/dicas/6

Larissa Florêncio de Assis – Colaboradora no Setor de Patologia Veterinária da Universidade Federal de Lavras e criadora de conteúdo do Vet Smart.

O Vet Smart Bovinos e Equinos é o principal e mais atualizado aplicativo para veterinários de grandes animais do Brasil. Disponível gratuitamente para iOS e Android. Bulário, Produtos, Notícias, Valores de referência, Protocolos e muito mais.

GRANDES ANIMAIS – Prolapso uterino: desafios de produção

O produtor sabe a dificuldade de se conseguir bovinos com crias anuais regulares, sem a necessidade de intervenções, como por exemplo, inseminação artificial. Além dos desafios reprodutivos ainda existem condições variadas que podem facilitar ou não o manejo do rebanho. Nessa perspectiva, o veterinário tem de estar preparado para os mais diversos tipos de emergência. Na matéria de hoje, o tema abordado é uma condição que não pode ser evitada devido suas diversas causas: o prolapso uterino.

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#evento #parceiro – Foz do Iguaçu (PR) sediará evento latino-americano da Pecuária de Corte

A cidade paranaense, que será sede da BeefExpo em outubro de 2015, tem atrativos que vão além das Cataratas e da Usina de Itaipu e é uma das Mercocidades Brasileiras.

 

BeefExpo 2015

A BeefExpo, único evento a unir todos os elos da cadeia produtiva, chega ao mercado em 2015 para criar uma visão 360° do setor, com a participação de pecuaristas, técnicos, analistas, gestores e processadores de carne bovina.

O evento irá promover 40 palestras de economia, técnicas e de gestão, com os melhores especialistas nacionais e internacionais do segmento, dentro de dois eventos paralelos, o Beef Management e o Beef 360°, com tradução simultânea para espanhol, inglês e português.

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