Grandes Animais – Principais manejos no tratamento de empiema de bolsa gutural

As bolsas guturais são divertículos da tuba auditiva, delimitadas dorsalmente pelo atlas e cranioventralmente pela faringe, com a qual se comunica através do orifício guturo-faríngeo, que possui 2,5 cm de diâmetro. As paredes das bolsas guturais são sobrepostas e formam o septo medial. Cada bolsa é dividida em compartimentos medial e lateral pelo osso estiloioide, que evolui através da face caudo-lateral de cada bolsa.

Os compartimentos mediais se opõem entre si, na linha média. As paredes laterais de cada bolsa contêm os nervos craniais VII (facial), IX (glossofaríngeo), X (vago), XI (acessório espinal), e XII (hipoglosso), o tronco simpático cranial, a artéria carótida interna, e ramos da artéria carótida externa. A íntima relação destes vasos e nervos com a membrana mucosa que reveste as bolsas guturais explica por que epistaxe e disfunções nervosas frequentemente acompanham as moléstias das bolsas guturais.
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Grandes Animais – Dermatofilose: caracterizando e manejando animais acometidos

A dermatofilose, também conhecida como “estreptotricose”, é uma enfermidade infectocontagiosa aguda ou crônica e se apresenta em forma de dermatite hiperplásica ou exsudativa, caracterizando-se por erupções cutâneas crostosas e escamosas, acometendo diversas espécies de mamíferos, com relatos em bovinos, ovinos, caprinos, suínos, equinos e também em humanos. Nos equinos é prevalente em animais jovens, de até 2 anos de idade e é considerada autolimitante em indivíduos imunocompetentes.

A ocorrência da dermatofilose está limitada a presença de animais portadores, entretanto por se tratar de um agente oportunista, a bactéria é encontrada na pele íntegra (flora residente) podendo penetrar e colonizar o folículo piloso mediante condições ambientais favoráveis. Fatores estressantes como desmama precoce, carência alimentar e traumatismos por manejo inadequado, associados a períodos chuvosos e quentes, levam ao desequilíbrio das barreiras superficiais de defesa imunológica e inespecíficas (pH, ácidos graxos e flora normal) quebrando a integridade da pele e permitindo que os zoósporos de D. congolensis invadam o tegumento produzindo a dermatite bacteriana.
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Grandes Animais – Anemia infecciosa equina: manejos empregados e procedimentos

A Anemia Infecciosa Equina (AIE) é uma doença viral crônica, causada por um vírus da família Retroviridae, gênero Lentivirus, limitada a equinos, asininos e muares, caracterizada por episódios periódicos de febre, anemia hemolítica, icterícia, depressão, edema e perda de peso. A transmissão pode ser vertical – intrauterina – ou horizontal, por meio de utensílios contaminados como agulhas, freios, esporas e outros, leite materno, sêmen ou insetos hematófagos. Entretanto, a transmissão do vírus da AIE (VAIE) é, geralmente, relacionada com a transferência de sangue de um cavalo infectado a um receptor sadio, o qual pode desenvolver sinais clínicos da doença em torno de 15 a 60 dias após a exposição, antes mesmo de o animal vir a ser diagnosticado como positivo.

Embora seja possível eliminar-se completamente a transmissão do VAIE pela intervenção do homem, o mesmo não ocorre com relação ao risco de transmissão, no campo, por insetos hematófagos. O risco de transmissão entre animais positivos para AIE e animais sadios aumenta com a prevalência da doença na propriedade, a diversidade e abundância dos vetores e a proximidade entre animais. Vários outros fatores podem influenciar a transmissão mecânica do vírus, particularmente o estado clínico e o título do vírus no sangue do cavalo infectado. Altos títulos aumentam o risco de sucesso na transmissão. A maioria dos cavalos infectados não parece demonstrar nenhuma das anormalidades clínicas, isso demonstra que animais assintomáticos são fontes de infecção e a transmissão mecânica é importante.

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Grandes Animais: Intoxicação por antibióticos ionóforos – mecanismos de ação farmacológicos

Os antibióticos ionóforos são utilizados desde 1970 como coccidiostáticos, antimicrobianos, promotores do crescimento para muitas espécies animais e como reguladores do pH ruminal. Essas drogas formam complexos lipídeo-solúveis com cátions mono e divalentes, que alteram a permeabilidade da membrana, facilitam o fluxo de íons para o seu interior e comprometem o equilíbrio osmótico e eletrolítico dos microorganismos, o que leva a turgidez e degeneração dos mesmos. Essas substâncias são metabólitos de fungos e são adicionadas à ração dos animais visando o melhoramento dos parâmetros produtivos. AI são utilizados principalmente em criações de aves, suínos e bovinos.

Apesar dos seus efeitos benéficos, os ionóforos são tóxicos quando doses altas são fornecidas, sendo encontradas na literatura descrições de intoxicações em cavalos, muares, bovinos, ovinos, cães, camelos, perus e frangos. A intoxicação pode ocorrer por ingestão excessiva de AI em função de erro na mistura da droga à ração, engano no cálculo das dosagens, utilização em espécies mais susceptíveis ou uso em associação com drogas que potencializam seus efeitos. Além disso, pode acometer com maior facilidade os equinos, pois os ionóforos são muito tóxicos para esta espécie, mas, mesmo nas doses recomendadas para bovinos, ela é letal quando ingerida pelos equídeos.

Os ionóforos possuem propriedades que facilitam a difusão catiônica através das membranas biológicas; portanto, os sinais de toxicidade resultam de sua habilidade em destruir os gradientes de concentração no mecanismo de transporte dos cátions entre as membranas. Os ionóforos medeiam trocas de cátions por prótons através das membranas celulares sem usar os canais iônicos, promovendo a passagem de um íon específico (K+, Na+ ou Ca++) para dentro da célula. A monensina liga-se preferencialmente com íons sódio enquanto que a salinomicina e a nasarina ligam-se preferencialmente com íons potássio. O lasalocid é um composto divalente que se liga com cátions divalentes, como o cálcio e magnésio.

Após entrar na célula levando um íon, o ionóforo sai carreando um próton e, depois de liberá-lo, forma um novo complexo iônico, repetindo um novo ciclo. O aumento no sódio intracelular estimula a bomba de Na+/K+, dependente de ATP, que procura regularizar o gradiente osmótico – coccídios não conseguem produzir ATP em quantidade suficiente, consequentemente, perdem a capacidade de osmoregulação, permitindo a entrada de água na célula e a morte. Essa ação da bomba de Na+/K+ indiretamente acarreta um aumento de cálcio intracelular (troca de sódio por cálcio). O lasalocid também tem capacidade de transportar diretamente o cálcio para dentro da célula. Essa elevação no cálcio intracelular pode provocar a liberação de catecolarninas, responsáveis por alguns sinais observados, sobretudo pela sua ação sobre o coração.

O aumento do cálcio intracelular, geralmente mantido em concentrações micromolares, ocorre para manter a homeostase osmótica. As mitocôndrias passam a ficar saturadas de cálcio e o processo de fosforilação oxidativa irá falhar, acarretando menor fornecimento de ATP, diminuindo a eficiência da bomba de Na+/K+. Seguem-se edema e morte da mitocondria, cujo rompimento provocará uma liberação do cálcio acumulado, que resulta em períodos de contração muscular, e promoverá a liberação de enzimas líticas, favorecendo necrose de musculatura esquelética e cardíaca, decorrente da deficiência energética devida à lise celular enzimática. A liberação do cálcio acumulado também potencializará os efeitos das catecolaminas, piorando o quadro clínico. Tecidos menos dependentes de ATP, não demonstram sinais de forma tão intensa.

Para saber mais sobre essa patologia, diagnóstico e tratamento acesso nosso Guia de Patologias em nosso App: (Intoxicação por antibióticos ionóforos)

Texto adaptado para conteúdo virtual por Larissa Florêncio de Assis, colaboradora do Setor de Patologia Veterinária da Universidade Federal de Lavras e Editora Chefe Vet Smart.

Fontes:

Nogueira V. A., França T. N., Peixoto P. V. Intoxicação por antibióticos ionóforos em animais. Artigo de Revisão. Pesquisa Veterinária Brasileira 29(3):191-197, março 2009. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B0b2QD3_5bd9MjdjNGU0MDQtMjA4Yy00MWRjLTljZmYtNmFmZTM5MzhkNzBh/view >. Acesso em 30 de Abril de 2017.

Borgel A. S., Silva D. P. G., Gonçalves R. C., Kuchembuck M. R. G., Chiacchio S. B., Mendes L. C. N., Bandarra Ê. P. Ionóforos e equinos: uma combinação fatal. Rev. educ. Cont. CRMV-SP / Continuous Education Journal CRMV-SP, São Paulo. volume 4. fascfcu/o 2. p. 33·40.200. Disponível em: < http://revistas.bvs-vet.org.br/recmvz/article/download/3316/2521 >. Acesso em 30 de Abril de 2017.

Discussão em foco: Experimentação no tratamento de pitiose equina

A zigomicose constitui um conjunto de afecções micóticas de estreita semelhança anatomopatológica, que acomete a pele e o tecido subcutâneo, o trato digestório e o respiratório, especialmente de equinos. Constitui um grupo complexo de doenças piogranulomatosas que inclui a pitiose, a conidiobolomicose e a basidiobolomicose causadas pelo Pythium insidiosum, Conidiobolus coronatus e Basidiobolus haptosporus (Basidiobolus ranarum), respectivamente. A pitiose é uma doença cutânea, gastrintestinal ou multissistêmica, granulomatosa, que atinge equinos, caninos, bovinos, ovinos, felinos e humanos, sendo que não há predisposição de raça e sexo. Além disso, ocorre em áreas tropicais, subtropicais ou temperadas.

O agente etiológico é pertencente ao reino Stramenopila, filo Oomycota, classe Oomycetes, ordem Peronosporales e família Pythiaceae. E esse organismo encontra-se em ambientes aquáticos, em especial em regiões alagadas, com temperatura superior a 25ºC como o Pantanal Mato Grossense. Em equinos, a enfermidade causa lesões cutâneas granulomatosas eosinofílicas e ulcerativas de caráter progressivo com a presença de massas necróticas denominadas “kunkers”, localizadas mais frequentemente na porção distal dos membros e em menor escala, na região tóraco-abdominal ventral, peitoral e cabeça.

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Diagnóstico de gestação: ultrassom ou palpação?

O diagnóstico de gestação em bovinos e equinos tem grande importância econômica quando o assunto é produção animal. Isso porque quanto mais precoce é o diagnóstico, maiores são as chances de minimizar os custos de produção devido à possibilidade de descarte de animais improdutivos ou ainda, a remissão de problemas gestacionais quando reconhecidos rapidamente. Além disso, com o diagnóstico precoce é possível manejar melhor os animais com o planejamento de alocação, nutrição balanceada e em quantidades suficientes fazendo com que se ganhe eficiência produtiva.

O que é levado em consideração no momento do diagnóstico é a eficiência, caracterizada pela precocidade, segurança e eficácia do mesmo. O método de palpação retal é o método mais antigo e invasivo, mas pode significar menores custos. Já a ultrassonografia é um método não invasivo, que garante maiores chances de acerto, mas requer treinamento e maior disponibilidade financeira para investir em bons equipamentos. Atualmente a questão mais fomentada nas fazendas e que ainda causa certas dúvidas em produtores é: qual o método mais eficiente para diagnosticar precocemente a prenhez do rebanho?

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GRANDES ANIMAIS: Laminite equina, desafio veterinário

A laminite ainda é uma das principais causas de claudicação em equinos, causando muitos prejuízos aos interessados nesse meio. Vem sendo há muito tempo estudada, mas existem diversos pontos que ainda não foram totalmente esclarecidos. As dúvidas quanto a sua fisiopagologia acabam se estendendo aos tratamentos. Assim como existem diversas teorias que tentam explicar os mecanismos do seu desenvolvimento, também aparecem tratamentos que às vezes são contraditórios e inconsistentes.

A laminite em equinos é uma doença grave e comum, sendo reconhecida como uma das mais importantes síndromes clínicas ao longo da história. A laminite não é uma doença primária, usualmente ocorrendo como sequela de quatro diferentes entidades clínicas: doenças associadas à sepse/endotoxemia; excesso de peso apoiado sobre um membro devido à lesão no membro contralateral; síndrome de Cushing em cavalos velhos e síndrome metabólica equina (SME).

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GRANDES ANIMAIS: Fisiologia do Exercício – Equinos

A fisiologia do exercício começou a ser estudada na década de 1920, com a espécie humana. Posteriormente, em 1960, por meio da utilização de testes de esforço realizados no campo para avaliação do desempenho, tornou-se ferramenta fundamental no estabelecimento da intensidade do treinamento e avaliação de atletas da espécie equina. O emprego sistemático de esteira ergométrica permite, sob condições laboratoriais controladas, evidenciar as respostas metabólicas e musculares esqueléticas que ocorrem frente à prática de esforço físico, de modo que tais observações podem ser utilizadas para diversos estudos relacionados ao desempenho esportivo dos cavalos. A fisiologia do exercício tem como objetivo principal avaliar o desempenho atlético por meio da determinação da dinâmica de variáveis fisiológicas, como frequência cardíaca, limiar de lactato, hematologia e as respostas endócrinas.

Dentre as subdivisões da fisiologia do exercício, destaca-se a parte que avalia o desempenho atlético por meio de testes físicos realizados tanto em esteiras como a campo, que determinam a dinâmica de variáveis fisiológicas, como o limiar de lactato e a frequência cardíaca (FC). O emprego de testes para a avaliação do desempenho atlético realizados a campo (pista), juntamente com as respostas fisiológicas obtidas pela ação do exercício e do treinamento, pode ser uma valiosa ferramenta para maximização dos resultados obtidos nas competições. O programa de treinamento deixa de ser realizado somente de maneira empírica tornando-se um processo técnico, com embasamento clínico e fisiológico. Além disso, os testes a campo possuem utilidade clínica no monitoramento de enfermidades respiratórias e musculoesqueléticas.

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GRANDES ANIMAIS: Anemia infecciosa equina – patologias sem cura

A anemia infecciosa equina (AIE) é uma doença infecciosa, provocada por vírus que acomete os equinos, é transmitido por meio do sangue de um animal infectado, através da picada de insetos hematófagos ou por agulhas, arreios, leite, placenta (transmissão congênita), sêmen (acasalamento) e pelo soro imune. A anemia não tem cura. Uma vez o animal infectado, torna-se portador permanente, podendo apresentar ou não os sinais da doença (forma aguda, crônica), constituindo-se numa fonte de infecção, para outros equinos.

A Anemia Infecciosa Equina (AIE) é uma doença infecto-contagiosa crônica de etiologia viral, limitada a equinos, asininos e muares, caracterizada por episódios periódicos de febre, anemia hemolítica, icterícia, depressão, edema e perda de peso crônica. A enfermidade foi inicialmente descrita na França, em 1843, e sua etiologia viral foi determinada em 1904, por Carré e colaboradores. Todas as raças e idades são suscetíveis, porém, animais subnutridos, parasitados e debilitados têm maior predisposição. A AIE é causada por um retrovírus que está relacionado ao vírus da imunodeficiência humana, bovina e felina.

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GRANDES ANIMAIS: Adenite equina ou Garrotilho

O Brasil possui o segundo maior rebanho equino do mundo, por isso falaremos sobre uma doença que por ser do trato respiratório ocupa o segundo lugar entra as doenças limitantes das atividades dos equinos, a adenite equina ou garrotilho.

É uma enfermidade bacteriana contagiosa, causada por Streptococcus equi que afeta o trato respiratório anterior de equinos. Sua transmissão pode ser por via aerógena ou por via linfo-hemática, podendo ocasionar morte no período agudo ou evoluir para o estado crônico.

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