Avaliação de dois diferentes rBST na produção de leite e nos parâmetros reprodutivos de vaca de leite no Brasil

Empresa

MSD

Data de Publicação

11/06/2018

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Produtos Relacionados

Henderson Ayres, Marcilio Nichi, Sandro Luis Viechnieski, Pietro Sampaio Baruselli, 2016.

Objetivo do Experimento

Analisar a produção de leite durante uma lactação de 305 dias de vacas submetidas a aplicação de duas formulações de rBST.

Critério de Inclusão de animais

  • Possuir pesagem de leite em todas os 16 ciclos de aplicação de rBST;
  • Não perder 7 ou mais produções de leite durante o mesmo ciclo de aplicação.

Análise estatística

Ao avaliar-se o aumento médio diário da produção de leite durante todos os ciclos de aplicação, no grupo do Boostin® houve um aumento da produção de leite de 1,7 kg de leite a mais do que o grupo concorrente. Em um total de 380,8 L a mais por vaca em todo o período.

Produção nos 16 ciclos

Dos 224 dias avaliados:

  • 177 dias com maior produção do Lote Boostin®
  • 46 dias com maior produção do Lote Concorrente
  • 1 dia com mesma produção
  • 73 dias com diferença estatística

Todos os Dias Foram do Boostin®

Ao realizar a curva média de produção de leite dos dois produtos, verifica-se que o Boostin® apresentou maior produção de leite em relação ao concorrente, tornando-se mais vantajoso.

Produção a mais por ciclo de aplicação

Diferença entre produção do D0 até o pico

Relatório Final do Experimento MSD Saúde Animal/StarMilk/UFPR

Prof. Dr. Rodrigo de Almeida (DZ-UFPR) - Coordenador

Méd. Vet. Sandro L. Viechnieski (StarMilk), Méd. Vet. Cristiane Azevedo (MSD Saúde Animal) - Colaboradores

OBS: O resumo deste relatório foi apresentado pelos autores (R. Almeida & S.L. Viechnieski) no American Dairy Science Association & American Society of Animal Science Joint Annual Meeting em New Orleans, Louisiana, Estados Unidos, em julho de 2011, e publicado no J. Dairy Sci., v.94, E-Suppl.1, p.355.

Efeito da suplementação de duas formas comerciais de somatotropina bovina (rBST) na produção de leite de vacas de alta produção

Localização

StarMilk – Fazenda Iguaçu, Município de Céu Azul – PR

Datas Relevantes

  • Blocagem dos animais – 20/08/2010
  • Medição da produção de leite para covariável – 18/08 à 24/08/2010
  • 1ª Aplicação de rBST (início do experimento) – 26/08/2010
  • 2ª Aplicação de rBST – 09/09/2010
  • 3ª Aplicação de rBST– 23/09/2010
  • 4ª Aplicação de rBST – 07/10/2010
  • Término do experimento – 21/10/2010

Descrição do Experimento

A Fazenda Iguaçu contava no dia 20 de agosto com 518 vacas em lactação, produzindo em média 36,3 L/dia.

As vacas em lactação são distribuídas em 7 lotes distintos, sendo que no presente experimento os animais dos lotes 4 e 5 foram usados como unidades experimentais.

Após a avaliação dos dados de produção, 160 vacas foram blocadas aos pares em 2 lotes distintos, com base na produção média de leite em um período de 7 dias (de 18 à 24 de agosto).

Também houve a preocupação de formar 2 grupos com médias similares de idade em meses, número de lactações, estádio de lactação (dias em leite) e proporção de vacas prenhas.

Na tabela abaixo estão descritas as médias de cada lote de vacas, mensuradas na véspera do início do experimento, dia 25 de agosto de 2010:

Durante o período experimental, estes dois lotes foram alojados, manejados, alimentados e ordenhados da mesma forma, mas com a diferença de um dos lotes ser suplementado com rBST na forma comercial de Boostin® e o outro lote com rBST concorrente, ambos num intervalo entre aplicações de 14 dias.

A resposta em produção de leite aos tratamentos foi avaliada em 4 ciclos de aplicação de 14 dias, ou seja, 56 dias de período experimental.

As vacas foram ordenhadas três vezes ao dia, sendo a primeira ordenha às 5:00h, a segunda às 12:45h e a terceira às 19:45h, com a utilização de ordenhadeira mecânica.

Uma amostra de dieta total (TMR) de cada lote, recém-colocada no cocho, foi quase que semanalmente coletada, totalizando 12 amostras (2 amostras/semana x 6 semanas).

Estas amostras foram congeladas e em conjunto enviadas e analisadas no Laboratório de Nutrição Animal da UFPR, em Curitiba, Paraná.

As amostras descongeladas foram pré-secas em estufa de ventilação forçada a 55oC por 72 horas e depois trituradas em moinho estacionário Wiley Miller, com peneira de malha de 1 mm, para posterior determinação dos teores de matéria seca a 100o C, proteína bruta, fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido, segundo metodologias da AOAC (1990) e Van Soest et al. (1991).

Duas vezes ao longo do experimento (no início e ao término) amostras da silagem de milho e da silagem pré-secada de azevém foram coletadas.

Estas amostras também foram enviadas e analisadas no Laboratório de Nutrição Animal da UFPR, em Curitiba-PR, segundo as mesmas metodologias citadas acima.

Na véspera do início do experimento (25 de agosto) e no dia seguinte ao término do experimento (22 de outubro) o peso vivo de cada vaca foi estimado por mensuração do perímetro torácico.

O escore de condição corporal foi avaliado em escala de 1 a 5 (magra a gorda) também pelo mesmo avaliador, segundo metodologia de Wildman et al. (1982).

A composição do leite não foi objeto de análise neste ensaio experimental, mas as médias gerais de cada lote para teores de gordura, proteína, lactose, sólidos totais, contagem de células somáticas e nitrogênio ureico no leite, oriundas do controle leiteiro regular na Clínica do Leite (ESALQ, Piracicaba-SP), foram monitoradas nos dias 23 de agosto, 21 de setembro e 17 de outubro.

Descrição e Análise das Dietas

O rebanho leiteiro da Fazenda Iguaçu adota a prática de dieta única para todos os lotes de vacas em lactação há alguns anos e este manejo teve continuidade ao longo do experimento.

A dieta foi fornecida na forma de TMR (dieta total misturada) em 5 tratos diários. Manejo de sobras continuou a ser adotado na propriedade, buscando-se um percentual de sobras diário ao redor de 3% do ofertado.

A dieta praticada para as vacas em lactação ao longo do período experimental teve a seguinte composição:

Com as análises dos alimentos volumosos (silagem de milho e pré-secado de azevém), estimamos os seguintes níveis nutricionais usando o programa CPMDairy (versão 3.0.10): 53,7%MS, 1,64 Mcal/kg ELlac, 71,0%NDT, 17,0%PB, 5,10%PNDR, 33,3%FDN, 19,5%FDA, 19,0%FDNfe, 29,6%Amido, 4,2%EE, 0,64%Ca e 0,46%P.

Segundo dados da própria Fazenda Iguaçu, na semana anterior ao início do experimento o consumo alimentar médio das vacas dos lotes experimentais estava em 26,53 kg MS/vaca/dia, o custo alimentar do kg de MS era de R$0,4175/kg, o custo alimentar diário foi estimado em R$11,09/vaca/dia, o custo alimentar por litro de leite produzido era de R$0,26/L e, finalmente, a renda sobre o custo alimentar (IOFC) foi estimada em R$23,51/ vaca/dia.

Análise Estatística

Antes de iniciar a análise estatística propriamente dita, a variável produção de leite diária foi testada para normalidade.

Das 8.960 potenciais observações (160 vacas x 56 dias), somente 177 observações não tinham dados de produção (“missing values”), por conta do tratamento de mastite ou outras enfermidades ou ainda secagem no meio do experimento (uma única vaca do lote Boostin®).

A média geral e seu respectivo desvio-padrão para as 8.783 observações restantes foi 38,08 ± 13,15 kg/dia.

Embora o teste de Kolmogorov-Smirnov (para análises com mais de 2000 informações) tenha indicado uma pequena não-normalidade por conta de uma assimetria de -0,26 e curtose de -0,08, e os valores estatísticos de tendência central tenham sido um pouco discrepantes (média 38,08, mediana 39,30 e moda 43,00), assumiu-se normalidade dos dados por conta de que nenhum dos modelos lineares generalizados testados (procedimento GENMOD do SAS) descreveu melhor a distribuição dos dados observada.

Os dados de produção de leite nos 7 dias anteriores ao início do experimento foram mensurados e incluídos no modelo como covariáveis. Todas as variáveis produtivas foram mensuradas diariamente do dia 1 ao dia 56 do período experimental e analisadas pelo procedimento MIXED do SAS, versão 9.0 (SAS Institute, 2002).

  • Yijk = m + CV + Bi + Tj + Sk + TSjk + Eijk
  • m = média geral
  • CV = covariável (medições da produção de leite obtidas antes da aplicação dos tratamentos)
  • Bi = efeito de bloco (i = 1 a 80)
  • Tj = efeito de tratamento (j = Boostin®; Concorrente)
  • Sk = efeito do tempo (k = 1 a 56 dias)
  • TSjk = interação entre tratamento e tempo
  • Eijk = erro residual

O quadrado médio do efeito de vaca dentro de tratamento foi utilizado como medida de erro para testar o efeito de tratamento. Na tabela abaixo está descrito o teste de significância dos diversos efeitos incluídos no modelo:

Resultados e Discussão

As médias ajustadas de produção diária de leite, e respectivos erro-padrão, para as vacas tratadas com Boostin® foi de 38,84 ± 0,48 e para as vacas tratadas com o concorrente foi de 37,23 ± 0,48, uma diferença de 1,61 kg/dia, que alcançou significância a 5% de probabilidade (P=0,0207).

Como o efeito de interação tratamento*tempo foi significativo (P<0,01), analisamos os dias do período experimental em que a produção de leite foi estatisticamente diferente entre os 2 lotes.

Dos 56 dias, 22 dias apresentaram diferença significativa (P<0,05), sempre a favor do lote de animais tratados com Boostin®. Em outras palavras, em nenhum dos 56 dias do período experimental, a produção de leite das vacas tratadas com o concorrente foi estatisticamente superior a produção de leite das vacas tratadas com Boostin®.

Esta conclusão é importante, já que há uma ideia comum entre os produtores que a menor produção de leite das vacas tratadas com o concorrente na primeira metade do ciclo de 14 dias é compensada por uma maior produção na segunda metade do ciclo.

Tal fato não foi demonstrado no presente experimento. Em outras palavras, vacas tratadas com rBST concorrente são de fato mais persistentes, mas esta maior persistência não é explicada pela maior produção na segunda metade do ciclo, mas sim pela menor produção na primeira metade do ciclo.

A produção de leite das vacas tratadas com Boostin® foi superior (P<0,05) nos dias 3,4 e 6 do primeiro ciclo de aplicação de rBST, nos dias 2, 3, 4, 6 e 8 do segundo ciclo, nos dias 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 do terceiro ciclo e, finalmente, nos dias 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 do quarto e último ciclo de aplicação de rBST.

Como já comentado acima, os pontos de máxima produção dentro de cada ciclo foram mais rapidamente alcançados nas vacas tratadas com Boostin® do que em vacas suplementadas com o rBST concorrente; 6º, 4º, 7º, e 5º dia de cada ciclo para vacas tratadas com Boostin® e 6º, 5º, 11º, e 9º dia de cada ciclo para vacas tratadas com rBST concorrente.

Não foi um objetivo do presente estudo comparar o desempenho reprodutivo de vacas tratadas com as duas formas comerciais de somatotropina bovina, mas aparentemente a reconcepção das vacas foi similar nos 2 lotes.

No lote de vacas tratadas com Boostin® (total de 80 animais), no início do experimento (26/agosto) 23 vacas tinham prenhez confirmada e este número aumentou para 34 vacas confirmadas ao final do experimento (20/outubro).

Já no grupo de vacas tratadas com o rBST concorrente (mesmo total de 80 animais), 22 vacas tinham prenhez confirmada no início do experimento e este número aumentou para 37 vacas confirmadas ao final do experimento.

A produção de leite média das 160 vacas foi de 43,8 L/vaca/dia no primeiro dia do período experimental e de 30,3 L/vaca/dia no último dia do período de coleta de dados, uma diferença expressiva de 13,5 litros.

Parte desta diferença é facilmente explicada pelo fato de que não houve ingresso de novas vacas recém-paridas ou no pico de produção de leite nestes lotes, assim o DEL (dias em leite) médio destes dois lotes foi aumentando na medida em que o experimento avançava.

Como boa parte das vacas avaliadas era multípara com três ou mais parições, o grau de persistência destas lactações era menor; 0,08 L/dia, segundo estudos conduzidos na década passada com lactações de vacas paranaenses inscritas em controle leiteiro oficial (Molento, 1995).

Se multiplicarmos 0,08L pelo número de dias do experimento (56) pode-se estimar em aproximadamente 4,5 L/vaca/dia a queda em produção esperada.

Como não houve mudanças dietéticas significativas ao longo do experimento, ainda cabe a pergunta das razões que as vacas declinaram suas produções muito além do esperado.

Provavelmente um conjunto de fatores: temperaturas ambientais ligeiramente crescentes (experimento começou no inverno e acabou na primavera), aumento na proporção de vacas gestantes em ambos os lotes (está bem estabelecido na literatura que a vaca decresce sua produção assim que emprenha), reacomodação na hierarquia entre vacas após formação dos lotes, ou ainda, produções anteriores ao experimento obtidas de vacas habituadas com ciclo de aplicação de rBST a cada 10 dias (e não 14 dias como a adotada no experimento).

Se esta última justificativa for pertinente, podemos especular que o grau de morte celular nos alvéolos mamários foi particularmente alto nos primeiros dias após início do experimento.

Esta afirmação parece ganhar respaldo quando observamos os marcantes declínios de produção nos dois primeiros ciclos de aplicação, em ambos os lotes de vacas tratadas (ver figura anterior).

Apesar das temperaturas desafiadoras da região e a possibilidade do estresse calórico diminuir as produções de leite em animais especializados, no período experimental as temperaturas ambientais não foram tão altas a ponto de comprometer o desempenho produtivo.

As temperaturas médias observadas ao longo do estudo foram: 18,9°C no período da manhã (8:00h), 24,3°C à tarde (16:00h) e 19,1°C à noite (22:00h).

Já as temperaturas máximas e mínimas ficaram em: 30,0°C e 9,4°C, 31,9°C e 10,9°C, e 30,6°C e 8,3°C, respectivamente nos períodos da manhã, tarde e noite.

Também não encontramos correlações significativas entre a temperatura ambiental e a produção de leite obtida no mesmo dia (ou no dia seguinte); mais um indicativo do pouco impacto das temperaturas ambientais nos resultados aqui relatados.

Análise das Amostras de Dieta Total

Os valores nutricionais da TMR de ambos os lotes, estimados com as análises dos volumosos coletados no início do experimento, foram: 49,5%MS, 17,0%PB, 19,4%FDA e 33,2%FDN. Em geral, os resultados são satisfatórios e não houve diferenças importantes entre as dietas ofertadas aos 2 lotes.

Conclusões

Vacas de alta produção suplementadas com somatotropina bovina na forma comercial Boostin® produziram mais leite (P<0,05) que vacas tratadas com somatotropina na forma concorrente; 38,8 ± 0,5 vs. 37,2 ± 0,5 L/dia, respectivamente.

Resultado Desafio Boostin®

Cruzeiro da Fortaleza/MG – Agosto/2017* (Teste de campo)

Objetivo

Realizar teste de campo para comprovar localmente a superioridade do Boostin® frente ao concorrente.

Material e Método

Critérios de alocação dos animais em cada tratamento

Ciclos de aplicação

Com seis ciclos de aplicação e animais de começo, meio e final de lactação, conseguimos comprovar mais rapidamente resultados, que podem ser considerados bem próximos ao de um trabalho de lactação completa.

Resultados

Conclusão

  • Boostin® produziu MAIS leite no período todo
  • O aumento foi de + 1,290 mL dia/animal
  • Totalizando + 16,77 L em 13 dias/animal 
  • Totalizando + 3.119,22 em 6 aplicações

Resultado Desafio Boostin®

Pilar do Sul/SP - Agosto/2017* (Teste de campo)

Objetivo

Realizar teste de campo para comprovar localmente a superioridade do Boostin® frente ao concorrente.

Material e Método

Critérios de alocação dos animais em cada tratamento

Ciclos de aplicação

Com seis ciclos de aplicação e animais de começo, meio e final de lactação, conseguimos comprovar mais rapidamente resultados, que podem ser considerados bem próximos ao de um trabalho de lactação completa.

Resultados

Conclusão

  • Boostin® produziu MAIS leite no período todo
  • O aumento foi de + 700 mL dia/animal
  • Totalizando + 8,4 L em 12 dias/animal
  • Totalizando + 1,512 L em 6 aplicações

Resultado Desafio Boostin®

Prata/MG - Maio/2016* (Teste de campo)

Objetivo

Realizar teste de campo para comprovar localmente a superioridade do Boostin® frente ao concorrente.

Material e Método

Critérios de alocação dos animais em cada tratamento

Ao se realizar um comparativo, é importantissímo haver uma homogeneidade entre os animais de cada grupo, para que nenhum seja beneficiado.

Sendo assim, os dois grupos tem número de lactações, DEL e produção de leite semelhantes para que a comparação seja feita de maneira correta.

Ciclos de aplicação

Com seis ciclos de aplicação e animais de começo, meio e final de lactação, conseguimos comprovar mais rapidamente resultados, que podem ser considerados bem próximos ao de um trabalho de lactação completa.

Resultados

As curvas entre os ciclos de aplicação são bastante semelhantes aos outros trabalhos já publicados, mostrando um maior pico de produção do Boostin em todas as aplicações.

Curva Padrão

Conclusão

  • Boostin® produziu MAIS leite no período todo
  • O aumento foi de + 800 mL dia/animal
  • Totalizando + 11,2 L em 14 dias/animal
  • Totalizando + 2.284,80 L em 6 aplicações