Colite responsiva à fibra e Constipação: qual o papel das fibras?

Empresa

Royal Canin

Data de Publicação

19/10/2015

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M.V. MSc. Sandra Prudente Nogueira
Gerente de Comunicação Científica
Royal Canin do Brasil

Os distúrbios gastrintestinais são uma das razões mais comuns que fazem com que o proprietário leve seus cães ao Médico-Veterinário em busca de cuidados.

Para uma anamnese de distúrbio gastrintestinal bem sucedido, é essencial que o Médico-Veterinário adote uma abordagem sistêmica para a obtenção do histórico. Sempre é importante garantir que todos os detalhes médicos e ambientais sejam conhecidos. Tendo coletado todas as informações possíveis a respeito do histórico do paciente, o Médico-Veterinário deve passar para o exame clínico e considerar a realização de exames complementares. Essa abordagem lógica e racional maximizará as chances de alcançar o diagnóstico correto.

Nos casos de constipação e colite crônica, sabe-se que um alimento com alta digestibilidade e teor adequado de fibras solúveis e insolúveis pode ser efetiva para a maioria dos cães.

A constipação é, por definição, um distúrbio de defecação infrequente, com fezes excessivamente ressecadas ou endurecidas, comumente acompanhada por tenesmos. O termo obstipação é usado para casos de constipação persistente, decorrente de alterações graves do colón. O megacólon é definido como uma distensão generalizada do cólon combinada com perda de motilidade (dilatação anormal do intestino grosso).

A colite crônica são causas comuns de diarreias de intestino grosso. Cães com colite podem apresentam hematoquesia e fezes com muco. Normalmente esses pacientes apresentam tenesmo, disquezia e urgência para defecar. A etiologia das colites dos pequenos animais é desconhecida sendo classificadas de acordo com a célula inflamatória predominante.

A terapia dietética é efetiva para a maioria dos cães e deve ser formulada com o uso de ingredientes com alto valor biológico, para garantir a máxima digestibilidade (aproveitamento dos nutrientes pelo organismo do animal). Essa alta digestibilidade favorece uma digestão saudável contribuindo para o trânsito intestinal ideal.

Outro ponto importante é o enriquecimento da dieta com fibras ajuda a regular o trânsito intestinal nesses animais.

Existem duas formas principais de fibras:
Fibras solúveis: em geral, são viscosas, fermentáveis e formam um gel em solução. Estas características afetam o esvaziamento gástrico, o trânsito intestinal e a produção de ácidos graxos de cadeia curta no intestino. As principais fontes de fibras solúveis são polpa de beterraba, pectinas de frutas, psyllium, MOS, FOS e goma guar, todas apresentam a capacidade de reter água, podendo ser fermentadas pelas bactérias intestinais. Porém, cada fibra apresenta uma capacidade diferente de fermentação pelas bactérias do cólon.
A fermentação depende da quantidade de tempo que a fibra está presente no trato gastrintestinal, a composição da dieta, e o tipo de fibra. A pectina e goma de goma guar são rapidamente fermentado pelas bactérias colônicas, enquanto a polpa de beterraba, MOS e FOS são uma fontes de fibra moderadamente fermentável. Apesar da sua elevada solubilidade, o psyllium apresenta baixa fermentabilidade no intestino grosso, devido a esta propriedade possibilita seu emprego em situações de alteração do trânsito gastrintestinal.
A atividade e a fermentação bacterianas exercem um efeito positivo altamente benéfico sobre a mucosa colônica por meio da liberação de ácidos graxos de cadeia curta. Os ácidos graxos de cadeia curta como o acético, propiônico e principalmente o butírico apresentam um importante papel na motilidade do cólon e na manutenção as saúde intestinal.
O psyllium em pó (sob a forma de grânulos ou incorporado em um alimento seco) é extramente útil para o tratamento de animais constipados. Sua ação é baseada na capacidade de atrair e reter água, formando um gel que aumenta a viscosidade do conteúdo intestinal e regulando o trânsito digestivo, o que facilita a defecação. Vale ressaltar que, se as fibras solúveis forem administradas em quantidades excessivas, elas poderão amolecer as fezes.
Fibras insolúveis: ao contrário das fibras solúveis, as insolúveis não formam gel, são pouco fermentáveis e não são viscosas, sendo eliminadas nas fezes praticamente intactas. Devido à sua indigestibilidade, aumentam o bolo fecal e, consequentemente, o peso das fezes, além de estimular o peristaltismo. A fibra insolúvel contribui com a manutenção do tempo de trânsito do alimento no trato gastrintestinal, ajuda a prevenir constipação, melhora a motilidade intestinal e regulariza o esvaziamento gástrico. São fontes de fibras farelo de trigo, casca de soja, celulose, casca de ervilha, fibra de cana, fibra de milho, entre outros. Esse tipo de fibras diminui a digestibilidade do alimento e, portanto, não deve ser utilizado de forma indiscriminada.
O equilíbrio adequado de fibras na dieta também é fundamental para uma digestão ótima. Nesse sentido, não só a quantidade de fibras como também o tipo (solúveis e insolúveis ou fermentáveis, moderadamente fermentáveis e não fermentáveis) e a proporção destas fibras. O alimento Fibre Response é um alimento coadjuvante com alto teor de fibras, indicado com o objetivo de auxiliar em casos de distúrbios gastrintestinais agudos ou crônicos em cães adultos. Uma combinação de proteínas de alta digestibilidade, psyllium, mix de fibras, EPA/DHA visa favorecer a saúde digestiva. Este alimento pode ser indicado para casos de colite responsiva à fibra e constipação.

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