Uso de Marbopet® no tratamento da piodermite e otite bacterianas em cães, confira!

Empresa

Ceva

Data de Publicação

28/02/2016

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Marbopet® é um antibiótico oral palatável para cães à base de marbofloxacina, uma fluorquinolona de terceira geração. O mecanismo de ação das fluorquinolonas se baseia na inibição da DNA-girase ou da topoisomerase IV bacteriana, impedindo o espiralamento e a replicação do DNA. Desta forma, a respiração, a divisão celular e outros processos fisiológicos são interrompidos, havendo perda da integridade da membrana celular, o que resulta em morte rápida do micro-organismo. Por possuir amplo espectro de ação, Marbopet® atua em bactérias Gram positivas e negativas, sendo indicado no tratamento de infecções do sistema gastrintestinal, respiratório, tegumentar e urinário.

O uso de Marbopet no tratamento da piodermite canina

Um estudo realizado por Frazier et al. (2000), comparando-se a farmacocinética das principais fluorquinolonas do mercado veterinário, demonstrou que o pico de concentração plasmática da marbofloxacina é significativamente maior. Isso significa uma maior biodisponibilidade do ativo com uma menor dose (2,75 mg/kg), e consequentemente, mais segurança para o animal. Para se avaliar a eficácia do Marbopet® em infecções do sistema tegumentar, foi realizado um estudo com cães diagnosticados com piodermite.

Piodermite é a condição infecciosa, de origem bacteriana, que acomete o tegumento em qualquer nível de profundidade, podendo ser classificada como superficial ou profunda. A piodermite superficial é a infecção bacteriana que envolve a epiderme e o epitélio folicular. A intensidade do prurido que acompanha a infecção é variável, mas frequentemente, é um achado comum. Dentre as principais alterações da pele estão a presença de pápulas eritematosas, colaretes epidérmicos, áreas de rarefação pilosa ou até mesmo alopécicas. Em casos mais graves podem ser observadas crostas purulentas ou hemá- ticas e pústulas.

A piodermite profunda é a infecção bacteriana que envolve a derme e o tecido subcutâneo. Esse tipo de infecção geralmente decorre do agravamento de piodermite superficial, ou ainda, devido a mordidas contaminadas ou penetração da pele por corpos estranhos. Para tratamento da piodermite superficial recomenda-se administração de antibióticos sistêmicos por pelo menos três semanas, mantendo o tratamento por mais uma semana após a cura clínica, e nos casos de piodermite profunda, a administração de antibióticos sistêmicos deve durar no mínimo seis semanas, mantendo-se o tratamento por mais duas semanas após a completa remissão dos sintomas. Para ambos os casos recomenda-se associar terapia tópica com produtos antissépticos, como a clorexidina, iodo povidina ou o peróxido de benzoí- la, com o intuito de acelerar a melhora clínica por aumentar a retirada de bactérias da pele.

Para avaliação da eficácia da marbofloxacina (Marbopet®) no tratamento de infec- ções cutâneas (piodermite) em cães, foram selecionados 18 animais, machos e fêmeas, de raça e idade variadas. Destes, 13 animais foram diagnosticados com piodermite super- ficial e cinco com piodermite profunda. As alterações clínicas e dermatológicas evidenciadas na primeira consulta, tais como, alopecia, prurido, presença de crostas, epilação fácil, hipotricose, tonsura pilosa, eritema ou placas cutâneas e pontos de exsudação, foram avaliadas e mensuradas para serem comparadas ao término do tratamento. Para avaliação da segurança do produto os animais foram submetidos a exames clínicos e laboratoriais (hemograma e avalia- ção bioquímica completa) antes e após o tratamento. Quaisquer alterações clínicas, tais como vômito, anorexia ou diarreia, entre outras, foram anotadas propriamente em fichas de acompanhamento.

Todos os animais foram submetidos ao tratamento sistêmico por meio de comprimidos de Marbopet®, na dose de 2,75mg por kg de peso corporal, a cada 24 horas, por via oral, por um período mínimo de 21 dias nos casos de piodermite superficial e por um período mínimo de 30 dias nos casos de piodermite profunda. Dos 13 animais avaliados com piodermite superficial, 11 (85%) apresentaram melhora clínica total (Gráfico 1) e dos 5 animais com piodermite profunda, 4 (80%) apresentaram melhora clínica total (Gráfico 2). A maioria dos animais apresentou melhora clínica 21 dias após o início do tratamento. Em relação à segurança, Marbopet® foi muito bem tolerado pelos animais não tendo havido alterações clínicas relacionadas ao seu uso em nenhum dos animais tratados, mesmo aqueles medicados por 30 dias consecutivos.

SEGURANÇA

A segurança da marbofluoxacina já havia sido evidenciada por Scott et al. (2007) no tratamento de cães com Marbopet® durante um período de 42 dias consecutivos sem a observação de quaisquer alterações clínicas ou hematológicas. De modo semelhante, Carlotti et al. (1999) demonstraram num estudo realizado com 39 cães acometidos por piodermite grave que o tratamento com marbofloxacina na dose média de 2,12 mg/kg, uma vez por dia, durante 10 a 213 dias não resultou em efeitos colaterais adversos, comprovando a segurança do medicamento, o que é desejado para pacientes que requerem tratamento prolongado

CONCLUSÃO

Como conclusão, o uso da marbofloxacina (Marbopet®) foi eficaz no tratamento de cães com piodermite superficial e profunda, resultando em remissão clínica completa na grande maioria dos animais. Acredita-se que remissão parcial dos sintomas em dois cães com piodermite superficial e um com piodermite profunda se deva ao fato de que os animais não foram submetidos a tratamento tópico concomitante, o que pode ter resultado em melhora clínica mais lenta, e portanto, parcial até a conclusão do estudo. Verificou-se ainda que a marbofloxacina apresentou um bom perfil de sensibilidade frente ao agente Staphylococcus intermedius, principal agente etiológico da piodermite em cães, além da segurança no tratamento e controle da piodermite canina, já que não houve efeitos colaterais significativos nem alterações bioquímicas séricas indicativas de dano hepático ou renal.

Conheça a eficácia de Marbopet® no combate à otite bacteriana

Otite é o processo inflamatório do conduto auditivo. De etiologia multifatorial, inúmeras causas podem levar ao seu desenvolvimento, tais como disfunções anatômicas, predisposição genética, distúrbios de queratiniza- ção (seborreia), doenças sistêmicas (endocrinopatias), entre outras. A otite pode ser classificada de acordo com a localização do processo inflamatório no conduto auditivo (otite externa, média ou interna). Quanto mais profunda sua localização, maior a gravidade do processo inflamatório, e consequentemente, os sintomas e alterações clínicas.

OTITE EXTERNA

A otite externa é a inflamação do conduto auditivo externo e os fatores predisponentes incluem diferentes conformações dos condutos e das orelhas, presença de umidade excessiva, doenças obstrutivas auriculares como neoplasias, pólipos e granulomas, produção excessiva de cerúmen e presença de parasitas e microrganismos como ácaros, leveduras e bactérias. Os animais acometidos podem apresentar prurido e dor local, eritema e edema do conduto auditivo externo e meneios cefálicos. O diagnóstico baseia-se no exame físico, otoscopia e exames laboratoriais como citologia da secreção auricular, cultura e antibiograma do cerúmen e biópsia (indicados principalmente em casos crônicos da doença). Vale ressaltar que a causa primá- ria que desencadeou o processo deve ser pesquisada (presença de ácaros ou pólipos, por exemplo) e tratada corretamente com o objetivo de se obter sucesso terapêutico e dirimir a possibilidade de recidivas.

OTITE MÉDIA

A otite média é a inflamação do ouvido médio e em geral, decorre de uma otite externa crônica que evoluiu com ruptura do tímpano. Os animais apresentam, na maioria das vezes, os mesmo sintomas da otite externa, porém, com maior intensidade – anorexia, hipertermia, etc -. A presença de estenose do conduto e até alterações tempuro-- mandibulares (dificuldade para abrir a boca) podem ser observadas em quadros crônicos e/ou de maior gravidade. O diagnóstico deve ser estabelecido por meio do exame físico completo, e ainda, otoscopia com pesquisa microscópica do cerúmen, além da realiza- ção de exames laboratoriais gerais (hemograma, urinálise e perfil bioquímico completo) para animais com alterações sistêmicas importantes. Recomenda-se ainda a realização de exames de imagem (radiografia, tomografia ou ressonância magnética) para pesquisa de complicações como mineralização, osteólise ou osteomielite, que podem requerer tratamento específico.

OTITE INTERNA

A otite interna compreende a inflamação da cóclea, vestíbulo e canais semicirculares, determinando transtornos de equilíbrio. Na maioria das vezes advém de uma complica- ção da otite média. Os animais podem apresentar, além dos sintomas descritos anteriormente, perda da integridade da membrana timpânica, estenose do conduto auditivo, síndrome vestibular periférica e cabeça pendente para o lado afetado, além de nistagmo lateral. A confirmação do diagnóstico é feita após a realização de exames físicos e laboratoriais completos, incluindo exames de imagem e avaliação do líquor. As alterações neurológicas citadas corroboram com o diagnóstico definitivo.

TRATAMENTO

O tratamento da otite deverá variar de acordo com sua etiologia, fatores predisponentes e gravidade do quadro clínico. De forma geral, baseia-se primeiramente no uso de produtos tópicos para limpeza do conduto externo com objetivo de remoção do cerúmen excessivo, permitindo uma melhor penetração e ação de produtos à base de antibióticos, antifúngicos e anti-inflamatórios (para a redução do processo inflamatório), que serão empregados em seguida. A cirurgia de ablação do conduto auditivo é indicada nos casos de grave estenose do canal, ou quando se faz necessária a remoção de tumores e pólipos.

Em casos onde apenas a terapia tópica não é eficaz, recomenda-se o tratamento sistêmico com antibióticos da classe dos aminoglicosídeos e/ou fluorquinolonas, associado a corticosteroides. As fluorquinolonas possuem baixa ototoxicidade e devem ser reservadas aos casos de otite que tenham respondido pobremente a terapias anteriores e após testes de sensibilidade. Estudos recentes comprovaram que a fluoroquinolona está entre as classes de medicamentos antimicrobianos que tem demonstrado eficácia superior a 70% para tratamento das otites bacterianas quando comparada a outros ativos. Para avaliar a eficácia do Marbopet® em casos de otite canina, realizou-se um estudo com 5 animais machos e fêmeas, com idade variando entre sete e quatorze anos e raças variadas, diagnosticados com otites externa, média e interna, por meio de exame clínico, citologia, exames radiológicos e cultura e antibiograma do cerúmen. Os animais diagnosticados com otite externa grave ou com otite média foram submetidos ao tratamento sistêmico com comprimido de Marbopet®, na dose de 2,75 mg por kg de peso corporal, a cada 24 horas, por um período de 21 a 30 dias. Animais diagnosticados com otite interna foram submetidos ao mesmo tratamento sistêmico (Marbopet®, na dose de 2,75mg por kg de peso corporal) só que duas vezes ao dia, por um período de 21 a 30 dias.

Os sintomas observados na primeira consulta dos animais foram minuciosamente anotados em fichas específicas para comparação ao término do tratamento. Para determinação da segurança do tratamento os animais foram monitorados quanto à presença de alterações clínicas diversas, tais como anorexia, vômito, diarreia, náuseas, letargia, reações farmacodérmicas, icterícia e sialorréia. Dos cinco animais avaliados, três responderam ao tratamento com marbofloxacina, um teve o antibiótico suspenso devido à resistência da bactéria isolada e o quinto animal não apresentou melhora significativa no quadro otológico e o tratamento foi suspenso (Figura 1).

CONCLUSÃO

Pôde-se verificar que a marbofloxacina (Marbopet®) apresentou um bom perfil de sensibilidade em relação às bactérias isoladas dos pacientes com otite, mesmo em casos crônicos da doença. E, principalmente, a marbofloxacina (Marbopet®) foi eficaz para o agente Staphylococcus intermedius, podendo ter seu perfil de sensibilidade aumentado, quando recomendado em doses maiores ou quando utilizado topicamente, como é descrito para outras quinolonas. Com relação a avaliação de segurança, os animais tratados com marbofloxacina (Marbopet®) na dose de 2,75 mg/kg/SID ou BID por 21 a 30 dias não apresentaram nenhum sintoma colateral, tendo o tratamento sido considerado seguro, mesmo em longo prazo.

Dosagem

2,75 mg/kg a cada 24 horas

Apresentação

Cartucho com 10 comprimidos palatáveis de 27,5 ou 82,5 mg

REFERÊNCIAS

1. SPRENG, M.; DELEFORGE, J.; THOMAS, V.; BOISRAMÉ, B.; DRUGEON, H. Antibacterial Activiy of marbofloxacin. A new fluorquinoloe for veterinary use against canine and feline isolates. Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics, v.18, n. (4), p. 284-289, 1995.

2. AIELLO, S.E., Manual Merck de Medicina Veterinária. São Paulo. Roca. 8. ed., 2001.

3. EMEA- The European Agency for the Evaluation of Medicinal Products. Committee for Veterinary Medicinal Products, Marbofloxacin, Summary Report(1), march, 1996.

4. FRAZIER, D. L.; THOMPSON, L.; TRETTIEN, A.; EVANS, E. I . Comparison of fluoroquinolone pharmacokinetic parameters after treatment with marbofloxacin, enrofloxacin, and difloxacin in dogs. Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics. 23, 293–302, 2000.

5. SCOTT, F.B.; CORREA, T.R. Avaliação da segurança em cães do produto Marbopet comprimidos, 2007 – dados internos.

6.CARLOTTI, D.N.; GUAGUERE, E.; PIN, D.; JASMIN, P.; THOMAS, E.; GUIRAL, V. Therapy of difficult cases of canine pyoderma with marbofloxacin: a report of 39 dogs. Journal of Small Animal Practice. v. 40, p. 265-270, 1999.