Otite Externa em Cães

Empresa

Labyes

Data de Publicação

10/09/2015

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Informações Gerais

Dentre as patologias auditivas que acometem os cães, a otite externa representa a afecção de maior prevalência. O ouvido pode ser dividido em ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno, contudo interligados entre si. O ouvido externo compreende ao pavilhão auricular (orelha), meato acústico externo - também chamado de canal auditivo externo - e ao tímpano, uma membrana delgada que separa o ouvido externo do médio. A gravidade da otite é determinada através do local do ouvido onde ocorre a inflamação, e essa enfermidade pode ser conceituada como inflamação, aguda ou crônica, do meato acústico externo com o envolvimento de diferentes agentes etiológicos e fatores predisponentes e perpetuantes. A ampla diversidade de agentes etiológicos envolvidos, tais como fungos, leveduras, bactérias e ectoparasitas e a diferente susceptibilidade destes agentes aos fármacos disponíveis na indústria veterinária dificultam a escolha da terapia a ser realizada, tornando necessário o correto exame otológico e a coleta de material do canal auditivo externo para exames laboratoriais, o que é pouco feito na rotina do clínico veterinário, levando ao uso de soluções otológicas e antimicrobianos impróprios possibilitando a piora da inflamação, seleção de cepas resistentes e cronicidade das otites.

Raças de cães com orelhas pendulares ou com excesso de pelos no pavilhão auricular tem maior predisposição às otites. De acordo com alguns estudos sabe-se que algumas raças de cães são predispostas a otites como: Cocker Spaniel, Retriever do Labrador, Golden Retriever, Dachshund, Pastor Alemão, Bulldog Inglês, Bulldog Francês, Cavalier King Charles Spaniel, Setter Irlandês e Basset Hound. Não há estudos que comprovem predileção por sexo e idade.

O diagnóstico é feito primeiramente através da alteração comportamental do animal, o qual apresenta intenso prurido e meneios cefálicos. E sinais clínicos como eritema, inchaço das orelhas, secreção, mau cheiro, dor, ferimentos causados pelo prurido e em casos mais graves, otohematoma e estenose do conduto auditivo.

Citologia de cerúmen, cultura e antibiograma.

Corpo estranho, traumatismo.

A eficiência do tratamento das otites depende primeiramente da cooperação do proprietário do animal, pois a correta limpeza do ouvido e aplicação do medicamento escolhido são determinantes para o sucesso do tratamento uma vez que ouvidos cheios de secreção impedem que os medicamentos atinjam a superfície da pele, prejudicando sua eficácia. A utilização de agentes terapêuticos se faz necessária, seja por via tópica, ou por via sistêmica. Nos casos mais graves, a lavagem ótica que tem por finalidade a diminuição dos agentes no conduto auditivo, pode ser utilizada. Sugere-se o uso de soluções otológicas que permitam a homeostase do conduto auditivo, e de fácil aplicação garantindo uma limpeza completa, como o Otiflex Limpiador®, e o uso de medicações tópicas a base de antibióticos (ex: nistatina, neomicina, gentamicina, ciprofloxacina), antifúngicos (ex: miconazol, cetoconazol), antiinflamatórios (ex: triancinolona, betametasona, fluocinolona, hidrocortisona) e anestésicos (ex: lidocaína). Em casos crônicos, sugere-se o uso de fármacos de ação sistêmica tais como antibióticos e antifúngicos após realização de cultura e antibiograma, e cultura de fungos respectivamente, além do uso de antiinflamatórios esteroidais (ex: prednisona, prednisolona), e analgésicos (ex: dipirona e tramadol).

Em casos de otites crônicas irreversíveis, infelizmente a única opção de tratamento é a realização de uma ablação do conduto auditivo.

Em cães é muito comum observar casos de otites que não são diagnosticadas ou tratadas corretamente, podendo leva-los à surdez e, ainda, a alterações de postura e comportamento, como andar em círculos. Outros sinais de complicações clínicas incluem o odor fétido constante, dor intensa e a presença de estenose dos condutos auditivos.

Protocolo Criado por

Caroline Bettini

CRMV 26569-SP

GOTTHELF, L.N. Factors that predispose the ear to otitis externa. In: GOTTHELF SMALLANIMAL EAR DISEASES AN ILLUSTRATED GUIDE. 1.ed., p.16; 122, Philadelpnia: Editora W.B.Saunders Company, 2000.

LEITE, C.A.L As otites de cães e gatos. In: EPIDEMIOLOGIA. CÃES GATOS, v.15, p.22-26, 2000.

LEITE, C.A.L. Terapêuticas tópica e sistêmica: pele, ouvido e olho. In: MANUAL DETERAPÊUTICA VETERINÁRIA. 3.ed., p.168-179, São Paulo: Editora Roca, 2008.

SCOTT, D.W.; MILLER, W.H.; GRIFFIN, C.E. Diseases of eyelids, claws, anal sacs, and ears.In: MULLER & KIRK’S SMALL ANIMAL DERMATOLOGY. 6.ed., p.1204-1231, Philadelpnia: Editora W.B.Saunders Company, 2001.