Protocolo para o tratamento de feridas com cicatrização por segunda intenção

Empresa

Ourofino

Data de Publicação

04/06/2017

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Introdução

A pele é o maior e um dos mais complexos órgãos do corpo, representando a principal barreira protetora do organismo e sendo essencial para a sua sobrevivência. A perda da integridade da pele, como em casos de feridas, poderá levar a um desequilíbrio fisiológico e até mesmo resultar na morte do indivíduo.

As lesões de pele, particularmente as feridas, possuem grande importância clínica em função da alta frequência com que ocorrem nos animais, além da possibilidade de resultar em infecções e de se constituírem como uma fonte de dor e incômodo.

O processo de cicatrização, que tem por finalidade a cura das feridas, começa imediatamente após uma lesão ou incisão e é dividido em 3 fases: inflamatória, proliferativa e de remodelação. Estas fases consistem em uma perfeita e coordenada cascata de eventos celulares e moleculares que irão resultar na estruturação e no crescimento de um novo tecido na região lesionada.

Etiologia e Características

Dentre os agentes responsáveis por ocasionar feridas, são citados os fatores extrínsecos; como as incisões cirúrgicas e lesões acidentais (ex. mordeduras por brigas, feridas por atropelamentos, queimaduras); e os fatores intrínsecos, que corresponderiam às feridas produzidas por infecções e os casos das úlceras crônicas causadas por alterações vasculares, problemas metabólicos (ex. diabetes mellitus, hiperadrenocorticismo, hipotireoidismo) e neoplasias (ex. tumores de mama e mastocitoma).

Em relação à classificação das feridas, esta irá variar de acordo com o agente causal, o grau de contaminação e o comprometimento tecidual em três formas: cicatrização por primeira, segunda ou terceira intenção.

Diagnóstico

Sabe-se que em alguns casos como, por exemplo, feridas traumáticas decorrentes de mordidas de outros animais ou atropelamentos, existe a presença de contaminação e a tendência à infecção. Em tais situações, o processo de cicatrização ocorrerá por segunda intenção, cabendo ao médico veterinário instituir o protocolo de manejo da ferida e de tratamento de suporte adequado.

Sugestão de Tratamento

Para feridas contaminadas, que exigem a instituição de antibióticos sistêmicos com o objetivo de controlar a colonização microbiana e prevenir a septicemia, a seleção do ativo deverá ser feita com base nos sinais clínicos, tipo de lesão e resultados de exames complementares de cultura e antibiograma. Dentre as opções de antibióticos, a Cefalexina, pertencente à primeira geração das Cefalosporinas, é o antibiótico de primeira escolha por apresentar elevada eficácia, principalmente devido ao excelente efeito antiestafilocócico, além de ser seguro resultando em baixos efeitos colaterais. A dose sugerida é de 15-30 mg/kg, por via oral, a cada 12 horas de acordo com o protocolo adotado pelo médico-veterinário.

O ativo Enrofloxacina, também é considerado uma opção para controle, prevenção e tratamento de infecções secundárias em feridas, sendo classificado como antibiótico de segunda escolha pelos mais recentes guidelines. Devido à possibilidade de resistência bacteriana sua administração deverá ser realizada sempre após conclusão do antibiograma. A alta distribuição e capacidade de penetração do ativo na maioria dos tecidos aumentam a ação no alvo da infecção e auxiliam no sucesso do tratamento, que deverá ser realizado na dose de 5 mg/kg a cada 24 horas por via oral.

As sulfonamidas potencializadas, como a associação de sulfadimetoxina-ormetoprim, continuam a ser uma das escolhas para o tratamento de infecções em pequenos animais, principalmente aquelas causadas por bactérias do gênero Staphylococcus, onde espécies de Staphylococcus meticilina resistentes, normalmente permanecem sensíveis a esta classe de antibióticos, cuja dose recomendada é de 55 mg/kg (no 1º dia) seguido de 27,5 mg/kg nos demais dias de tratamento, administrado por via oral a cada 24 horas.

Sabe-se que na maioria dos casos as feridas manejadas na forma aberta com limpeza diária e bandagens apresentam uma boa evolução e cicatrização. O uso tópico de ativos com ação cicatrizante como o tartarato de ketanserina, que atua estimulando a microvascularização e aumentando a atuação de macrófagos no tecido lesionado, associado ao asiaticosídeo, que tem ação na produção e remodelagem das fibras de colágeno, são de grande importância para o estímulo do processo cicatricial. Quando utilizados nos diversos tipos de ferida, agudas ou crônicas, estes ativos potencializam a reparação tecidual, promovendo um tecido cicatricial de melhor qualidade e otimizando o processo de cicatrização. Em formulação líquida disponível em apresentação em spray não aerossol, a aplicação destes ativos pela via tópica torna-se prática e higiênica para o aplicador e muito cômoda para o animal. A frequência de aplicação recomendada é de três vezes ao dia, ou a critério do médico veterinário, devendo o produto ser aplicado em toda a área a ser cicatrizada.

Visando complementar o protocolo de tratamento das feridas, o uso de analgésicos poderá se fazer necessário em alguns casos. O ativo tramadol é uma alternativa viável por sua eficiência no controle da dor de grau moderado a intenso. Em cães e gatos, o tramadol é indicado na dose de 2 a 4 mg/kg, estando disponível no mercado veterinário em uma formulação líquida oral, com tecnologia que atenua o sabor amargo característico deste ativo, concentração que permite doses terapêuticas de baixo volume e embalagem que propicia uma administração precisa, agregando comodidade, facilidade e segurança na utilização pelos proprietários e maior adesão dos animais ao tratamento.