Alimento Úmido: Manejo e Seus Benefícios

Empresa

Hill's

Data de Publicação

13/07/2018

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Carlos Gabriel Almeida Dias

Graduação Medicina Veterinária UFRRJ. Mestrado e Doutorado Ciências Veterinárias Universidade Estadual do Ceará. Sócio e Proprietários da Clinica Exclusiva para Gatos: The Cat From Ipanema. Professor Horista em Disciplinas de Clínica Médica na Universidade Castelo Branco.

A ancestralidade do paciente felino deve sempre ser levada em consideração no estabelecimento de estratégias para um manejo correto e confortável no domicílio restrito. Ao longo da sua trajetória nas sociedades humanas, não existiram importantes tentativas para a modificação de características estruturais e funcionais destes animais.

Desta forma, o impacto desta trajetória histórica é uma das principais justificativas para muitos dos comportamentos que observamos no cotidiano. Os gatos (Felis silvestris catus) devem ser mantidos em confinamento tendo suas necessidades específicas atendidas, bem como suas características comportamentais compreendidas. Sendo essas, as fundamentações do enriquecimento ambiental para os gatos domiciliados.

Assim, reconhecemos a importância de evitar manejos ambientais que não favorecem oportunidades para o enriquecimento através da criação de experiências sensoriais, cognitivas e motoras satisfatórias.

Uma parcela importante dos gatos norte americanos é alimentada com dietas exclusivamente úmidas, mas não observamos muitos gatos sendo manejados desta forma nas rotinas de atendimento do gato brasileiro. Sem sombra de dúvidas, esses pacientes poderiam se beneficiar da hidratação através do alimento e das possíveis implicações biológicas que merecem constantes investigações.

Diluição da concentração urinária, apoio na diluição de calorias ingeridas, além de estimulante e uma oportunidade de interação com o animal, o alimento úmido figura atualmente como uma importante ferramenta no manejo do gato domiciliado.

A ingestão hídrica tornou-se um desafio para os responsáveis por gatos domiciliados pela mudança de paradigma de manejo (pouco comportamento de caça e uma rotina nutricional com ingestão de água árdua de avaliar).

A utilização exclusiva de dieta seca aumenta a importância da ingestão hídrica complementar, mas o hábito pode ser influenciado pelo período de sociabilização, habituação, relações entre os gatos domiciliados, disponibilidade e previsibilidade para acessar a fonte hídrica e número de animais.

Assim, muitos gatos exibem uma sorte de individualidades na preferência pela pouca (alimento seco aproximadamente 10% de umidade) ou muita umidade presente no alimento comercial (alimento úmido aproximadamente 83% de umidade).

Muitos gatos domiciliados que não foram apresentados aos alimentos úmidos no período de sociabilização (segunda à oitava semana de vida) perdem a chance de sentirem-se motivados para aceitarem o alimento úmido nas suas rotinas quando adultos.

Faz-se necessária a inclusão da apresentação e motivação para a ingestão de alimento úmido ao filhote, bem como todas demais rotinas que farão parte do cotidiano do gato.

A vida moderna, repleta de limitações organizacionais, facilita o pouco incentivo para a ingestão hídrica adequada através de fontes, localização das fontes hídricas, petiscos, descentralização de recursos hídricos e a utilização de manejo adequado das vasilhas de água para que produtos de limpeza não confiram odores repulsivos para os gatos.

A disputa por acesso aos recursos entre gatos não afiliados e domiciliados pode, também, aumentar a chance de negligência do consumo hídrico. Vale a pena ressaltar que gatos que compartilham as fontes hídricas e que tenham alterações da cavidade oral poderão comprometer o interesse dos outros gatos por conta de odores residuais na lâmina de água.

Gatos são carnívoros estritos, caçadores efetivos e consomem presas que apresentam cerca de 70% de umidade, assim recebem um alimento naturalmente hidratado. Já é notório que o consumo de roedores não é uma opção para o manejo de gatos, mas a utilização de alimentos com umidade próxima ao do alimento biologicamente tradicional do gato, agora domiciliado.

Através do conceito de mimetizar as possibilidades de estímulos cognitivos e motores que experimentam em vida não domiciliada, figuram- se técnicas e acessórios para utilização de formas mais dinâmicas para fornecimento de alimento (referência de utilização de dispensadores de alimentos que estimulam os comportamentos de caça, captura e recompensa sem associação com os responsáveis).

O Médico Veterinário deve ser uma fonte constante de informações comportamentais para os responsáveis por gatos. A ancestralidade do gato é uma ferramenta de compreensão para justificar condutas e servem também como alicerce para combater informações equivocadas como as associadas aos prejuízos relacionados à utilização de alimento úmido pelos gatos.

Através do esclarecimento comportamental, também aumentamos a chance de melhorar o manejo, não somente evitando ameaças ao conforto emocional, como a efetividade de prevenções de situações clínicas frequentemente relacionadas ao desestímulo cognitivo e físico. Além de permitir que o gato esteja próximo dos estímulos cognitivos, atividades físicas e de uma dieta completa e biologicamente coerente.

Referências

Comportamento Felino: um guia para veterinários 1ª edição (1992). Bonnie Beaver. Rocca editora.

Cats’ behavior: what makes cats so special? Sarah Heath. ISFM Anais 2017: https://icatcare.org/sites/default/files/PDF/proceedings/ISFM-Vet-Proceedings-2017

Daniel AGT. Comunicado pessoal do Dr. Alexandre G. T. Daniel. MV MsC DipABVP (Feline Practice).