Lenço Bucal - Entendendo a Doença Periodontal

Empresa

Ibasa

Data de Publicação

01/03/2019

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Doença Periodontal

Halitose é o termo utilizado para caracterizar odores desagradáveis emitidos pelo hálito do paciente, podendo ser de origem intra ou extra-bucal (VAN DEN BROEK et al., 2007). Na maioria dos casos, a halitose é o principal sinal clínico de doença periodontal que os proprietários detectam nos seus animais, sendo esta resultante da necrose dos tecidos e da fermentação bacteriana no sulco gengival ou na bolsa periodontal (GOUVEIA, 2009).

A Doença Periodontal afeta aproximadamente 80 % dos cães com idade superior a dois anos.

A doença periondontal (DP) é uma doença inflamatória geralmente causada pela formação de placa bacteriana que afeta o periodonto, estrutura que suporta os dentes e inclui a gengiva, o osso alveolar, o ligamento periodontal e o cemento (ALBUQUERQUE et al., 2012). Pode-se manifestar de duas formas: gengivite e periodontite.

A gengivite é reversível, sendo o resultado da resposta inflamatória da gengiva à placa bacteriana; já a periodontite é caracterizada pela inflamação dos tecidos periodontais: ligamento periodontal, cemento, osso alveolar e gengiva, e é de caráter irreversível (CARREIRA et al., 2015 apud SANTOS, 2018).

A etiologia da DP é multifatorial e tem como base vários fatores predisponentes como idade, estado geral de saúde, conformação da cabeça, eficiência do sistema imunológico, predisposição genética além de determinados hábitos alimentares (GAWOR et al., 2006), uma higiene oral deficiente (HARVEY, SERFILIPPI, BAMVOS, 2005), sendo a formação de placa bacteriana a principal razão do seu aparecimento (GORREL, 2008 apud MADEIRA, 2017).

A placa bacteriana é caracterizada pela aderência de bactérias orais à superfície dos dentes, e o seu desenvolvimento tem início na formação de uma película composta por glicoproteínas salivares que envolvem a superfície dentária chamada película adquirida, cuja formação ocorre 20 segundo após a erupção do dente ou limpeza dentária.

Posteriormente, ocorre a aderência e colonização primária de microorganismos à película adquirida. A produção bacteriana de polissacarídeos e outros metabólitos celulares vai permitir a agregação de novos e diferentes microorganismos cuja multiplicação leva à formação de biofilmes maduros em cerca de 72 horas.

Estes biofilmes são constituídos por várias camadas de diversas espécies bacterianas que desenvolvem interações complexas, contribuindo assim para a proteção dos micro-organismos que constituem a placa. Devido aos sais de cálcio fosfatados e carbonatos presentes na saliva do cão, a placa bacteriana pode ainda mineralizar formando cálculo dentário (NIEMIEC, 2008; CARREIRA et al., 2015; SANTOS, 2018).

O cálculo dentário se forma quando sais de carbonato de cálcio e fosfato de cálcio no fluido salivar cristalizam na superfície do dente, mineralizando a placa macia. Em dois a três dias, a placa se torna suficientemente mineralizada para formar cálculos que são resistentes à uma limpeza rápida (HARVEY, 2005; WINK, 2017).

Gioso (1993) descreveu que a placa bacteriana é um material pegajoso, amarelado, que se forma sobre o esmalte dentário. É um biofilme, normalmente constituído por bactérias que se alteram de uma flora de cocos patogênicos Gram-positivas e aeróbicas, no início da doença, para uma flora anaeróbica Gramnegativa com motilidade, nos estágios mais avançados da lesão.

A inflamação do periodonto que estimula ação do sistema imunitário contra bactérias invasoras, também permite que essas mesmas bactérias se disseminem no organismo do hospedeiro, promovendo o desenvolvimento de doenças sistêmicas tais como doenças renais, hepáticas, cardíacas, tromboembólicas e artereoesclerose. (NIEMIEC, 2008; PAVLICA et al., 2008; SANTOS, 2018).

A alta prevalência de doença periodontal em cães, assim como a probabilidade do desenvolvimento de doenças sistêmicas associadas, demonstram a importância deste tema (PAVLIVA et al., 2008 apud SANTOS, 2018). A bacteremia e a resposta inflamatória consequente são as principais responsáveis pelas implicações sistêmicas da doença periodontal (SEMEDO-LEMSADDEK et al., 2016).

Figura 1: Estágios da Doença Periodontal (DP) em cães

Fonte: Adaptado de Cunha et al. (2017) apud Santos (2018).

A doença periodontal afeta aproximadamente 80% dos cães com idade superior a dois anos (NIEMIEC, 2008 apud WINK, 2017). Conforme Logan e Boyce (1994) em geral, cães de raças maiores e mais jovens (aproximadamente um ano de idade) apresentam índices de placa inferiores quando comparados com cães menores ou mais velhos (entre quatro e cinco anos).

A escova dentária e a pasta dental são sem dúvida os meios auxiliares mais difundidos na prática da higiene oral, cuja remoção da placa bacteriana nas regiões acessíveis se dá pelo atrito mecânico das cerdas da escova com as superfícies dentárias (ANDRADE JUNIOR et al., 1998; REZENDE, 2004).

Entretanto, resultados obtidos por Madeira (2017), revelaram que 88,6 % dos tutores de cães e 100 % dos tutores de gatos não escovam os dentes dos seus animais, sendo que 51,4 % dos cães e 42,9 % dos gatos apresentaram doença periodontal.

Uma boa higiene oral, saúde sistêmica, dieta nutricional adequada, alimentos abrasivos que limpas mecanicamente os dentes e exercitam o ligamento periodontal e gengiva, propiciam os tecidos periodontais permanecerem saudáveis ao longo da vida do cão.

Porém, se um ou mais destes fatores não estão em equilíbrio haverá acumulação de placa, os tecidos serão prejudicados, resultando em doença periodontal (HARVEY, 1998; REZENDE et al., 2004).

Ao estabelecer o plano de tratamento ou prevenção, o Médico Veterinário deve estar atento à tríade proprietário-animal-ambiente, pois fatores como custo, disponibilidade de tempo para cuidados caseiros, relação/função que o animal exerce, dieta oferecida, entre outros irão definir que atitude o profissional deverá apresentar ao proprietário e as alternativas terapêuticas para cada caso (HALE, 2003 apud DUBOC, 2009).

Forma Farmacêutica e Apresentação

Lenços umedecidos com um líquido na forma de emulsão acondicionado em embalagens com 40 lenços.

Composição

Essência de menta, lauril sulfato de sódio, pirofosfato de sódio, bicarbonato de sódio, conservantes, edulcorantes e água purificada.

Informação Técnica

O Lenço Bucal Ibasa é um produto preventivo das doenças periodontais, como gengivite e periodontite, devido à sua capacidade de auxiliar no controle da presença dos micro-organismos na cavidade bucal. É um produto de fácil aceitação pelo animal por ser agradável ao paladar, devido à incorporação de substâncias edulcorantes na sua fórmula.

Seu pH é compatível à saliva dos animais, o que melhora a aceitação do produto, além de proporcionar um hálito fresco imediato.

  • Essência de menta:

Contém o óleo essencial de Menta, que refresca o hálito do animal.

  • Pirofosfato de sódio:

A utilização de dentrifícios a base de pirofosfato resultam na estabilização das fases precursoras de calcificação da placa bacteriana, pois o pirofostato se une aos cristais de cálcio, inibindo sua deposição nas superfícies dentais e formação do cálculo dentário. O cálculo formado será mais poroso, facilitando a sua remoção. 

  • Lauril sulfato de sódio: 

Ingrediente comum em pastas de dente e dentrifícios que auxilia na limpeza de dentes e gengiva, contribuindo para a higienização da cavidade bucal.

  • Bicarbonato de sódio: 

Por sua ação alcalinizante e tamponante, elevanda o pH bucal, ou seja, neutraliza os ácidos produzidos pelas bactérias durante a fermentação dos açúcares na cavidade bucal.

Indicações

Indicado na higienização bucal de cães e gatos, auxílio no controle e redução do mau hálito e na manutenção da saúde bucal de dentes e gengivas de cães e gatos.

Modo de Uso

Somente uso externo. Abrir a etiqueta autoadesiva no local indicado e puxar o lenço umedecido pelo centro. Fechar novamente a etiqueta audoadesiva para manter os lenços úmidos por mais tempo. Enrolar o lenço no dedo indicador, levantar os lábios e aplicar diretamente sobre dentes e gengivas. Evitar a ingestão de água e alimento pelo animal por 30 minutos após a aplicação. Pode ser usado diariamente, até três vezes ao dia. Não é necessário o enxague após a aplicação.

Conservação

Manter o produto em local seco, fresco, ao abrigo de luz, e fora do alcance de crianças. Armazenar entre 14 e 30oC.

Publicações Sobre o Produto

- “Avaliação da utilização de lenços bucais contra o mau hálito em cães”. Disponível em: <http://salaouniversitario.ucpel.edu.br/salao-universitario/arquivos/salao/resumos/5b96ed425d27b>

Referências Bibliográficas

ALBUQUERQUE, C. et al. 2012. Canine periodontitis: the dog as an importante model for periodontal studies.The Veterinary Journal, 191:149-152.

ANDRADE JUNIOR, A.C.C. et al.1998. Estudo in vitro da abrasividade de dentrifícios. R. Odontol. Univ. São Paulo, 12(3):231-236.

CARREIRA, L.M. et al. 2015. Serum ionized calcium quantification for staging canine periodontal disease: a preliminary study. Topics in Companion Animal Medicine, 30:48-50.

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DUBOC, M.V. Percepção de proprietários de cães e gatos sobre a higiene oral de seu animal. Dissertação (Mestrado) em Ciências Clínicas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 61f, Seropédica, 2009.

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GOUVEIA, A.I.E.A. Doença periodontal no cão. Dissertação (Mestrado) em Medicina Veterinária. Universidade Técnica de Lisboa, 93p., Lisboa, 2009.

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SEMEDO-LEMSADDEK et al., 2016. Enterococcal infective endocarditis following periodontal disease in dogs. PLoS ONE, 11(1):1-6.

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