Kaopek - Patogênese e Diagnóstico da diarreia em animais

Empresa

Ibasa

Data de Publicação

20/03/2019

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Diarreia

Doenças gastroentéricas compõem grande parte da casuística da clínica médica de pequenos animais, cujos sinais clínicos típicos são evidenciados através de vômitos e diarreias.

A diarreia resulta de um conteúdo aquoso fecal excessivo apresentando como características: consistência anormal, aumento na frequência, na fluidez e no volume das fezes. A diarreia é o sinal clínico mais importante de doença intestinal em cães e gatos, promovendo perdas importantes de íons e eletrólitos e consequentemente desequilíbrio hidroeletrolítico.

Pode resultar de doença intestinal primária como o parasitismo, os distúrbios inflamatórios, os problemas infecciosos e as neoplasias. Ainda, condições adversas à função intestinal como é o caso de imprudência dietética, de reações adversas a alimentos, uso de antibióticos e/ou glicosídeos cardíacos ou distúrbios sistêmicos.

De acordo com Norsworthy et al. (2009), existem quatro tipos fisiológicos de diarreia: a osmótica causada por um aumento de solutos não absorvidos, a secretória causada pela secreção excessiva de líquidos no interior da luz gastrintestinal, a exsudativa causada por doenças que lesionam a mucosa e a peristáltica causada pelo aumento no peristaltismo.

A patogênese da diarreia envolve o desarranjo do fluxo de água e solutos transmucosamente, provocado por digestão, absorção, secreção, permeabilidade e motilidade anormais ou por uma combinação destes.

A inflamação intestinal pode levar à ulceração da mucosa, exsudação de proteínas, disfunção de motilidade e perda de área de superfície de absorção, todos estes fatores resultam em perda de fluido intestinal e desidratação do paciente.

Para o tratamento inicial da diarreia, deve-se definir se esta é aguda ou crônica. Além disso, deve-se classificar a diarreia quanto à origem, como sendo de intestino grosso ou delgado.

De acordo com Sherding; Johnson (2008), para o tratamento inicial da diarreia, deve-se definir, com base em dados de anamnese, se esta é aguda ou crônica (com base no histórico). A diarreia aguda é caracterizada por início súbito e curta duração (três semanas ou menos) de uma diarreia aquosa ou aquosa-mucóide e deve ser tratada de maneira de suporte ou sintomática, com ênfase no suporte do equilíbrio e no estado hídrico do paciente.

A diarreia é considerada como crônica quando persistente (três a quatro semanas ou mais) ou apresenta um padrão de recorrências periódicas. A cronicidade geralmente exclui uma simples imprudência dietética, intoxicação ou enterite viral como causas. Em razão disto, vale ressaltar a importância de um exame físico completo e meticuloso para triar quanto a sinais clínicos associados com distúrbios extraintestinais, além da origem e tempo de evolução do processo.

Além do diagnóstico de aguda ou crônica para definição de tratamento, deve-se classificar a diarreia quanto à origem, como sendo de intestino grosso ou delgado, com base no histórico e exame físico. As características do conteúdo fecal, bem como estado geral do paciente, frequência de defecação, hematoquezia (presença de sangue vermelho pelo ânus), presença ou não de apetite, auxiliam a definir a região do intestino que está alterada, se é do intestino delgado ou grosso (Tabela 1).

Tabela 1: Diferenciação entre diarreias crônicas do intestino delgado ou grosso.

Fonte: NELSON; COUTO, 2010.

Segundo Sherding; Johnson (2008), o histórico é especialmente útil para a localização da doença de intestino delgado ou grosso. A diarreia de intestino delgado crônica pode estar associada à má digestão e má absorção, sendo caracterizada por um grande volume sem urgência, tenesmo ou aumento marcante na frequência. É possível notar perda de peso e diminuição da condição corporal (má nutrição).

Já a diarreia de intestino grosso é caracterizada pela vontade frequente de defecar (em geral mais do que três vezes a frequência normal); cada defecação é acompanhada de pequena quantidade de fezes, em geral com excesso de muco e, às vezes, sangue fresco.

Além do histórico, importantes fatores predisponentes também devem ser considerados, como a raça, a dieta, as condições ambientais, os medicamentos atuais e exposição a parasitas, microorganismos infecciosos e toxinas.

Alguns aspectos do histórico de diarreia podem ser úteis para o diagnóstico e devem ser investigados pelo clínico com as características do início da diarreia, a duração o curso clínico (intermitente, contínuo ou progressivo), características das fezes, relação com a dieta, com o uso de medicamentos, com efeitos estressantes, resposta a tratamentos anteriores e associação com outros sinais clínicos como a perda de peso, o vômito ou a poliúria/polidipsia.

Cães e gatos com diarreia, porém estáveis, pode-se tentar um diagnóstico terapêutico por duas a três semanas, utilizando dieta balanceada, antibióticos e/ou antiparasitários. Porém, caso não se obtenha sucesso neste período recomenda-se a investigação aprofundada, com o intuito de chegar ao diagnóstico definitivo rapidamente.

Kaopek

Forma Farmacêutica e Apresentação

Envelopes contendo 10g e 100g do medicamento em pó.

Fórmula

Cada 100 g contém:

  • Ftalilsulfatiazol..................20,00g
  • Sulfato de Neomicina.......2,86g (Equivalente a 2g de Neomicina base)
  • Pectina.............................2,00g
  • Caulim q.s.p. ...................100,00g

Informação Técnica

O produto Kaopek é um antidiarreico de uso oral para tratamento de diarreias e enterites dos animais jovens e adultos causadas por agentes sensíveis aos componentes da fórmula. Também pode ser usado no tratamento sintomático das diarreias tóxico-alimentares.

  • Ftalilsulfatiazol:

Antibiótico pertencente ao grupo das sulfonamidas, com ação contra bactérias grampositivas e algumas gram-negativas (Escherichia coli, Pasteurella, Salmonella, Enterobacter) e alguns protozoários como Coccidia e Toxoplasma spp.

O Ftalilsulfatiazol é um pró-fármaco que libera, in vivo o sulfatiazol. De ação local, reduz a flora de coliformes, o volume de fezes e os gases, possuindo ação entérica e é indicado para quadros de infecção gastrointestinal como disenteria e colites (Tabela 2).

Tabela 2. Propriedades das sulfonamidas (Ftalilsulfatiazol) comumente utilizadas na prática de pequenos animais.

Fonte: GREENE, 2012

As sulfonamidas são um análogo estrutural do ácido p-aminobenzóico (PABA), uma substância essencial para a síntese de ácido fólico, o qual, por sua vez, é fundamental para a síntese de DNA e RNA bacteriano. A viabilidade clínica das sulfonamidas deve-se à sua toxicidade seletiva, não causando efeito tóxico para o hospedeiro. Como se trata de antagonismo competitivo entre as sulfas e o PABA, a alta concentração de um deles desloca o outro.

  • Sulfato de Neomicina:

Antibiótico aminoglicosídeo, indicada no tratamento a curto prazo de infecções graves causadas por cepas sensíveis de bactérias gramnegativas. A neomicina difere dos outros aminoglicosídeos por poder ser administrada tanto por via oral como aplicada pela via tópica em infecções de pele, ouvido e olho. Pode ser indicada em infecções intestinais e no controle da encefalopatia hepática, além do tratamento de dermatoses e piodermites.

Estes antibióticos interferem na síntese proteica bacteriana, promovendo a formação de proteínas defeituosas. Os aminoglicosídeos ligam-se à subunidade 30S do ribossoma, provocando a leitura incorreta do código genético e, consequentemente, permitem a incorporação de aminoácidos incorretos na cadeia polipeptídica que está sendo formada no ribossoma, a proteína defeituosa é fundamental para o metabolismo da bactéria, levando à morte celular.

O Sulfato de Neomicina é pouco absorvido pelo trato gastrointestinal (cerca de 3%), sendo eliminado pelas fezes na sua constituição inalterada, por isso sua utilização no tratamento das diarreias infecciosa, pois são ativos na luz intestinal.

  • Pectina:

Polissacarídeo obtido da casca de frutos cítricos, que tem ação protetora de mucosa e sua decomposição no cólon realizada por bactérias, fornecendo um ambiente desfavorável para a flora bacteriana normal.

  • Caulim:

Silicato de alumínio que possui propriedade adsorvente e protetora da mucosa intestinal, facilitando a eliminação de substâncias tóxicas no conduto digestivo. Forma uma camada protetora sobre a camada do intestino, impedindo a ação de substâncias irritantes. É um antidiarreico inespecífico de grande valor no tratamento de diarreias causadas por intoxicação alimentar.

Indicações

No tratamento de diarreias e enterites dos animais jovens e adultos, causadas por agentes sensíveis ao Sulfato de Neomicina e ao Ftalilsulfatiazol.

Agentes sensíveis: Escherichia coli, Pasteurella, Haemophilus, Coccidia, Salmonella e Enterobacter.

Também pode ser usado no tratamento sintomático das diarreias tóxico-alimentares devido à ação protetora promovida pela associação pectinacaulim. Não causa alteração na flora intestinal do animal, quando utilizado conforme as recomendações.

Modo de Uso

O produto deve ser utilizado via oral, dissolvido em água, leite ou misturado à ração.

A melhor proporção de diluição é 1 envelope de 10g de Kaopek em 20 mL de água ou 1 envelope de 100g de Kaopek em 200 mL de água. A diluição deverá ser feita apenas no momento do uso. A dose recomendada é de aproximadamente 15 mg/Kg de peso vivo para o Sulfato de Neomicina e 150 mg/Kg de peso vivo para o Ftalilsulfatiazol. Continuar o tratamento até 48 horas após o desaparecimento dos sintomas ou a critério do Médico Veterinário.

Efeitos Adversos

Os efeitos indesejados mais importantes são náuseas, vômitos e má absorção intestinal de nutrientes, ocasionados pela baixa absorção do Sulfato de Neomicina e do Ftalilsulfatiazol pelo trato gastrointestinal. Nas doses indicadas obtém-se concentrações sanguíneas inferiores àquelas associadas à toxicidade sistêmica.

Período De Carência

Suspender a medicação 30 dias antes do abate dos animais destinados ao consumo humano. Não utilizar o leite de animais tratados antes de decorridas 72 horas da última aplicação. Pode ser utilizado durante a prenhez e a lactação, observando o período de carência.

Conservação

Conservar em local seco e fresco (entre 15 e 30oC) , ao abrigo da luz solar, fora do alcance de crianças e animais.

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