Nome da Raça

Bengal

Peso

5,5 – 7 kg

Altura

25 – 30 cm

Temperamento

Ativo, inteligente, curioso, afetuoso, brincalhão

Introdução

Origem

O Bengal foi desenvolvido em meados dos anos 1970, na Califórnia (EUA) pela criadora americana Jean Mill.

Com o objetivo de obter um pequeno leopardo de apartamento, ela montou um programa de cruzamento e seleção e, para isso, utilizou dois tipos genéticos: o europeu, ou gato doméstico (Domestic Shorthair), e o gato-lepardo, ou gato de Bengal (Prionailurus bengalensis), que é um gato selvagem do Sudeste Asiático que apresenta um manto mosqueado.

Todo o trabalho de seleção consistiu em eliminar as reminiscências do comportamento selvagem e fixar as pintas do Prionailurus bengalensis. Essa nova raça foi fixada na década de 1980. O encanto desta raça se dá devido à cor diferenciada de seu pelame e seu comportamento ativo e sociável.

Outra designação

Bengali; gato de Bengala

País de origem

Estados Unidos

Características gerais

Aspectos raciais

O Bengal é um gato grande e musculoso, que tende ao tipo mediolíneo. A cabeça é grande e redonda, bochechas proeminentes, com um focinho afilado. As orelhas também são grandes, triangulares e largas na base. Os olhos são ovais, de tamanho médio e a coloração pode variar entre verde, amarelada e azul, dependendo do padrão e coloração do manto. Os membros são altos e musculosos, com pés redondos.

A pelagem é curta e lisa, com um aspecto sedoso, macio e brilhante. As manchas redondas, repartidas sobre todo o corpo, são substituídas por rajadas horizontais nos ombros e pelos anéis na cauda, escura na ponta.

O manto característico do Bengal é o tabby mosqueado, que pode variar em cores que vão desde o dourado, ferrugem, marrom e laranja, até areia e marfim. As manchas também variam em cores, que abrangem o ferrugem, cacau, castanho chocolate e carvão ou preto.

Alguns mantos possuem rosetas impressionantes ou manchas compostas de mais de uma cor, geralmente uma cor secundária formando um esboço escuro ao local. Embora mais comumente visto no padrão tabby manchado marrom, eles também podem ser encontrados no padrão mármore (tabby clássico).

Pelagem

Curto

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

Bengals são gatos muito divertidos de se conviver, mas, definitivamente não são gatos para todo perfil de pessoa e nem para donos de gato de primeira viagem.

São gatos extremamente inteligentes, curiosos e muito ativos, que demandam muita interação e exercícios diários, e se você não fica muito tempo em casa durante o dia, pense na possibilidade de ter mais um Bengal ou apenas não pegue um gato desta raça.

Todo gato tem uma personalidade única, porém a maioria dos Bengals são sociáveis e se dão bem com outros animais, incluindo cães, mas podem apresentar características territorialistas. Eles se adaptam melhor em casas com crianças mais velhas e geralmente adoram brincar com elas.

Em especial, é uma raça que necessita de um ambiente verticalizado, pois são exímios escaladores e devem ser estimulados a ter este comportamento característico de sua natureza. Isto pode ser provido através da instalação de prateleiras e arranhadores altos, além de camas suspensas.

Eles são gatos que geralmente adoram água, portanto, como forma de enriquecimento ambiental, principalmente durante o calor, pode-se instalar bacias de água no quintal.

Por serem muito espertos e inteligentes, aprendem truques facilmente e devem ser estimulados e desafiados diariamente com brinquedos interativos, que estimulem o hábito de caça (por exemplo varinhas com penachos e ratinhos) e interação com o proprietário através de recompensas por reforço positivo.

Seu manto de tamanho curto não exige escovação diária, mas esta pode ser realizada de forma semanal para retirar o pelame morto e como forma de estimular uma interação positiva com o proprietário.

O restante do cuidados e manejo abrangem o básico que se deve ser proporcionado a todo gato desde sua infância. Isto inclui escovação dentária semanal, corte de unhas (quando necessário) e limpeza de orelhas (quando orientado por veterinário).

Sensibilidade a fármacos

Quando submetidos à administração de alguns fármacos, os felinos apresentam diferentes respostas daquelas manifestadas pelos cães.

Em gatos, a intoxicação pelo uso de substâncias como o paracetamol, ácido acetilsalicílico e dipirona se faz bastante frequente na rotina médico-veterinária, podendo, muitas vezes, levar o animal a óbito e isto ocorre devido às particularidades dos mecanismos de metabolização farmacológica da espécie.

Gatos apresentam uma deficiência relativa na atividade de algumas enzimas, como a glicuronil-transferase, responsável por catalisar as reações de conjugação mais importantes no metabolismo de fármacos dos mamíferos.

Além disso, estes animais são muito suscetíveis ao desenvolvimento de metahemoglobinemia e à formação de corpúsculos de Heinz após a administração de alguns fármacos, por possuírem um número maior de grupos sulfidril nas hemácias, quando comparado com cães e humanos.

Desta forma, é fundamental que o médico veterinário esteja atento a essas peculiaridades metabólicas dos gatos para melhor atender e informar seus clientes quanto ao risco da administração de certas substâncias.

Predisposição à doenças

Cardiomiopatia hipertrófica: Diversos relatos descrevem o Bengal como uma raça altamente predisposta a desenvolver a cardiomiopatia hipertrófica (CMH), a doença cardíaca mais comum dos gatos.

Esta condição causa um espessamento (hipertrofia) do músculo cardíaco, o que resulta no volume reduzido de sangue dentro dos ventrículos, reduzindo assim o volume de sangue que o coração bombeará para a circulação sistêmica.

A CMH pode gerar falência cardíaca, tromboembolismo arterial sistêmico e é uma causa de morte súbita em gatos. Um ecocardiograma pode confirmar se o animal a possui.

Displasia coxofemoral: É uma anormalidade no desenvolvimento da articulação do quadril, que envolve o acetábulo e a cabeça do fêmur. Se esta articulação não está bem formada e fixada, pode-se desenvolver uma frouxidão e um movimento anormal da mesma, o que com o passar do tempo, gerará uma osteoartrite, que é um processo muito doloroso.

Esta condição é reconhecida em algumas raças de gatos e em gatos sem raça definida, e foi descrita certa prevalência em gatos Bengal, sugerindo-se ser uma raça predisposta.

Tritricomoníase: Esta doença causadora de enterite, ocorre devido a presença do parasita Tritrichomonas foetus e pode ser uma causa de diarreia crônica ou intermitente em gatos, principalmente aqueles vindos de ambientes superpopulosos como gatis, ONGs e abrigos.

O Bengal foi descrito como sendo uma raça com alta prevalência de T. foetus em um estudo realizado no Reino Unido. Gatos com até 1 ano de idade são mais predispostos a adquirir a infecção.

Deficiência de piruvato-quinase: Trata-se da deficiência de uma enzima que participa do metabolismo energético das hemácias. Esta deficiência gera, tipicamente, uma anemia intermitente e foi descrita em gatos da raça Bengal. É uma condição hereditária, causada por um gene recessivo. Atualmente, existe um teste específico para saber se o gato possui a doença.

Atrofia retiniana progressiva: É o termo utilizado para descrever um grupo de desordens genéticas que resultam na degeneração e atrofia da retina. Isto pode levar a um declínio progressivo da qualidade da visão e, algumas vezes, levar à cegueira. Foi descrita em gatos da raça Bengal.

Referências bibliográficas

GOUGH, A.; THOMAS, A. Breed Predispositions to Disease in Dogs and Cats. 2º Ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2010. p. 219 – 220

The Cat Encyclopedia: The Definitive Visual Guide. Editora: Penguim Random House / DK, 2014.

Enciclopédia Larousse do Gato e do Gatinho. Editora: Larousse, 2010.

International Cat Care. Bengal. Disponível em: https://icatcare.org/advice/cat-breeds/bengal

Vet Street. Bengal. Disponível em: http://www.vetstreet.com/cats/bengal

Disponível em: http://www.vetstreet.com/cats/bengal