Nome da Raça

Bulldog Inglês

Porte

Médio

Peso

Fêmeas: 23-25 kg Machos: 23-25 kg

Altura na Cernelha

Fêmeas: 31-36 cm Machos: 31-36 cm

Nível de atividade

Baixa

Temperamento

Corajoso, amigável, sociável

Adestrabilidade

Moderada

Introdução

Origem

O Bulldog foi o primeiro classificado como tal na década de 1630, embora houvesse anterior menção de tipos similares designados “bandogs”, hoje um termo reservado para um tipo de cão de briga. Os Bulldogs vêm da antiga raça de Bullenbeissers, um cão utilizado para atacar animais selvagens na Assíria, Grécia, Egito e Roma. 

O Bullenbeisser, que existiu em vários tamanhos, também foi utilizado por por tribos teutônicas e celtas. Na Inglaterra, durante o reinado do rei João (século XIII), o enorme Bullenbeisser foi criado, originalmente, para ser um cão menor.

Ao longo dos anos, foi se desenvolvendo um cão ideal para combate com touros (esporte sangrento chamado bull baiting). Felizmente, as perseguições e os combates de cães foram proibidos na Inglaterra em 1835. 

Desde aquele dia, os donos desta cães Bulldog começaram a criar a selecionar a raça para eliminar os elementos mais agressivos da raça e estabelecer um animal de estimação de boa natureza, mas ainda assim, determinado.

Uma das raças autóctones mais antigas, conhecido como o Cão Nacional da Grã-Bretanha e associado em todo o mundo com a determinação britânica e do lendário John Bull.

Nome original

English Bulldog

País de origem

Inglaterra

Características gerais

Aspectos raciais

De forma geral, o Bulldog tem um pelo macio; atarracado, de estatura bastante baixa, largo, poderoso e compacto. Nenhuma parte deve estar em excesso em proporção a outras, a ponto de prejudicar a simetria geral ou fazer com que o cão pareça deformado ou mesmo interferir em sua movimentação. Cães mostrando dificuldades respiratórias são altamente indesejáveis.

A cabeça, quando vista de perfil, parece muito alta e moderadamente curta do occipital à trufa. A testa é plana, com pele por cima e ao redor da cabeça, ligeiramente solta e finamente enrugada, sem excesso, nem proeminente, nem pendente na face.

A face, desde a frente dos ossos das bochechas (arcos zigomáticos) até a trufa, é relativamente curta. A pele pode ser levemente enrugada. A distância do canto interior do olho (ou do centro do stop entre os olhos) até a extrema ponta da trufa não deve ser menor que a distância da ponta da trufa à comissura labial inferior. 

Na região craniana, o crânio é relativamente grande em circunferência. Visto de frente, aparenta ser alto do canto do maxilar inferior até o occipital; também largo e quadrado. Um sulco se estende a partir do “stop” até a metade do crânio e sendo marcado até o ápice da cabeça (occipital). 

Na região facial, quando vista de frente, as várias partes da face devem ser igualmente balanceadas de cada lado de uma linha imaginária descendo do centro. A trufa e as narinas são grandes, amplas e pretas, jamais de cor fígado, vermelha ou marrom. Narinas bem grandes, largas e abertas, com uma linha reta vertical bem definida entre elas.

O focinho é curto, largo, curvando-se para cima e muito profundo do canto do olho ao canto da boca. A ruga sobre a narina, caso presente, inteira ou incompleta, nunca deve afetar negativamente ou ocultar os olhos ou a narina. Narinas estreitas e rugas pesadas sobre a narina são inaceitáveis e devem ser severamente penalizadas.

Lábios são grossos, largos, pendentes e profundos, cobrindo completamente as laterais da mandíbula, mas unindo-se ao lábio inferior na frente. Dentes não visíveis. Os maxilares são largos, fortes e quadrados. A mandíbula se projeta ligeiramente para frente do maxilar superior, moderadamente curvada para cima.

Maxilares largos e quadrados, com seis incisivos pequenos regularmente inseridos entre os caninos, em uma linha reta. Caninos bem separados. Dentes grandes e fortes, nunca devem ser vistos com a boca fechada. Quando vista de frente, a mandíbula deve se juntar direta e paralelamente ao maxilar superior.

A bochechas são bem arredondadas e estendidas lateralmente além de cada lado dos olhos. Os olhos, quando vistos de frente, inseridos baixos no crânio, bem separados das orelhas. Olhos e stop numa mesma linha reta em um ângulo reto do sulco frontal.

Bem separados, mas seus contornos externos ficam contidos no contorno das bochechas. Redondos, de tamanho moderado, nem inseridos profundamente nem proeminentes. De cor muito escura, quase preta, sem mostrar o branco quando olhando diretamente para frente. Livre de óbvios problemas oculares.

As orelhas têm alta inserção, isto é, a borda anterior de cada orelha (vista de frente) se junta ao contorno do crânio no seu canto superior, de maneira que as orelhas fiquem bem separadas, mais altas e mais distantes possível dos olhos.

Pequenas e finas. Orelhas em rosa é correto, quer dizer, dobradas para dentro na sua parte posterior, a borda anterior ou superior interna se curva para o exterior e para trás, mostrando a parte interna do ouvido. 

O pescoço é de comprimento moderado, grosso, profundo e forte. Bem arqueado atrás, com alguma pele solta, grossa e enrugada na garganta, formando pequena barbela de cada lado.

O tronco, a linha superior é ligeiramente caída para trás, atrás dos ombros (parte mais baixa), de onde a coluna vertebral se direciona para o lombo (ponto mais alto que o ponto dos ombros), descendo, de novo, bruscamente, até a cauda, formando um ligeiro arco, característica típica da raça.

O dorso é curto, forte, largo nos ombros; peito largo, proeminente e profundo; costelas bem arqueadas para trás, não planas nas laterais, mas bem arredondadas; peito redondo e profundo, bem descido entre as pernas dianteiras; ventre retraído e não pendente. 

A cauda tem inserção baixa, saliente e reta, depois inclinando para baixo. Redonda, lisa, sem franjas ou pelos ásperos. De comprimento moderado, mais curta do que longa, grossa na raiz, afilando rapidamente para uma ponta fina.

Portada baixa (não tem uma curva para cima, na ponta), nunca portada acima do dorso. Ausência de cauda, caudas invertidas ou extremamente apertadas são indesejáveis. 

Os membros anteriores são caracterizados por pernas curtas em proporção às pernas posteriores, mas não tão curtas que o dorso pareça longo ou prejudique a atividade do cão. Ombros são largos, oblíquos e profundos, muito poderosos e musculosos, dando a aparência de serem unidos ao corpo.

Os cotovelos longos e colocados bem longe das costelas. Os antebraços são muito robustos e fortes, bem desenvolvidos, bem separados, grossos, musculosos e retos. Ossos das pernas grandes e retos, nem arqueados nem tortos.

Metacarpos são curtos, retos e fortes. As patas são retas e viradas muito ligeiramente para fora; de tamanho médio e moderadamente redondas. Dedos compactos e grossos, bem separados, com juntas proeminentes e altas. 

Os membros posteriores possuem pernas grandes e musculosas, ligeiramente mais longas em proporção que às anteriores. Pernas longas e musculosas do lombo aos jarretes. Joelhos são virados muito ligeiramente para fora. Jarretes ligeiramente angulados, bem descidos. Patas são redondas e compactas e os dedos compactos e grossos, bem separados, com juntas proeminentes e altas. 

A marcha natural da raça é o andar a passos curtos e rápidos, na ponta dos dedos. As patas posteriores não se elevam muito, parecendo roçar o chão. Quando o cão se movimenta rapidamente, um ou outro ombro avança. Uma movimentação sem defeitos é de suma importância. 

O pelo tem textura fina, curto, fechado e liso (duro unicamente por ser curto e fechado, mas não de arame). A cor é unicolor ou “smut” (com fuligem, isto é, de uma só cor com máscara preta ou focinho preto).

Somente unicolor (que deve ser brilhante e puro); tigrado, vermelho em suas diferentes tonalidades, fulvo, marrom claro, etc.; branco e malhado (combinação de branco com qualquer das cores precedentes). As cores fígado, preto e preto com castanho são altamente indesejáveis pelo padrão internacional da raça. 

Pelo

Curto

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

Hábito de pular em pessoas e difícil adestramento.

Sensibilidade a fármacos

Não foram encontrados em literatura relatos de sensibilidade à fármacos específicos relacionados à raça em questão.

Predisposição à doenças

Cardiovasculares

Estenose pulmonar: 

  • Terceira causa mais frequente de doença cardíaca canina;
  • Nesta raça, pode estar associada à uma anomalia no desenvolvimento da artéria coronária.

Estenose aórtica:

  • Doença congênita comum;
  • Ausência de predileção sexual.

Tetralogia de Fallot:

  • Condição incomum;
  • Condição congênita.

Defeito no septo ventricular:

  • Não há predileção sexual.

Dermatológicas

Displasia folicular canina (alopecia de flanco sazonal):

  • Provavelmente possui base genética;
  • Alopecia inicia entre 2 e 4 anos de idade e é restrita ao flanco nesta raça;
  • Pode ocorrer nas estações de outono ou primavera.

Demodicose generalizada:

  • A raça mostrou-se entre as 10 mais acometidas pela doença em um estudo nos Estados Unidos; 
  • Condição comum;
  • Não aparenta ter predileção sexual;
  • Animais jovens são mais predispostos;
  • Incidência da doença pode variar de acordo com a geolocalização.

Hiperestrogenismo:

  • Condição rara;
  • Afeta fêmeas mais velhas e inteiras.

Intertrigo

Foliculite/furunculose:

  • Regiões de focinho e boca;
  • Também conhecida como acne canina;
  • Trauma local, hormônios e fatores genéticos podem ter papel na etiopatogenia.

Pododermatite:

  • Pode afetar animal em qualquer idade ou sexo;
  • Machos mais predispostos;
  • Patas dianteiras são mais acometidas.

Linfoedema primário:

  • Não aparenta ter predileção sexual.

Endócrinas

Hipotireoidismo:

  • Pode ocorrer em animais jovens (entre 2 e 3 anos);
  • Machos e fêmeas castrados mais predispostos.

Fisiológicas

Acondroplasia:

  • Nanismo genético.

Gastrointestinais

Fenda palatina:

  • Condição congênita.

Hematológicas e imunológicas

Hemofilia A:

  • Deficiência severa do fator VIII de coagulação na raça.

Musculoesqueléticas

Ruptura do ligamento cruzado cranial:

  • Causa comum de claudicação de membro traseiro na raça;
  • Cães castrados podem ser mais predispostos;
  • Cães mais velhos são mais predispostos.

Luxação congênita de cotovelo:

  • Condição incomum;
  • Luxação da articulação úmero-ulnar e na cabeça do rádio é vista nesta raça;
  • Luxação da cabeça do rádio ocorre entre 4 – 5 meses de idade;
  • Luxação da articulação úmero-ulnar ocorre nos primeiros 3 meses de idade.

Panosteíte:

  • Condição comum;
  • Também conhecida como enostose ou panosteíte eosinofílica;
  • Machos jovens são mais predispostos.

Luxação patelar:

  • Condição comum.

Displasia de quadril:

  • Condição comum;
  • Machos mais predispostos;

Neoplásicas

Histiocitoma cutâneo canino: 

  • Idade média de acometimento: 3.6 anos;
  • Ocorre principalmente em cabeça, pavilhão auricular e membros.

Linfoma cutâneo:

  • Idade média de acometimento: 9.6 anos.

Mastocitoma:

  • Pode ser visto em qualquer idade, mas geralmente visto em animais mais velhos;
  • Sítios de predileção incluem membro traseiro, períneo e escroto.

Neurológicas

Discoespondilite:

  • Condição incomum;
  • Cães jovens a meia idade mais acometidos;
  • Machos mais predispostos.

Surdez congênita:

  • Prevalência na raça ainda desconhecida;
  • Suspeita-se que tenha caráter hereditário.

Hemivértebra:

  • Incomum;
  • Congênito.

Oftálmicas

Entrópio

Ectrópio

Ceratoconjuntivite seca

Prolapso da membrana da glândula nictitante (“cherry eye”)

Displasia de retina

Renais e urinárias

Ureteres ectópicos:

  • Incomum;
  • Congênito;
  • Presente geralmente antes de 1 ano de idade;
  • Mais comum em fêmeas.

Disgenesia sacrocaudal:

  • Causa incontinência urinária;
  • Congênito.

Prolapso uretral:

  • Condição rara, vista mais frequentemente nesta raça;
  • Geralmente vista em cães machos de 4 a 5 anos de idade.

Fístula uretroretal:

  • Condição rara, vista mais frequentemente nesta raça;
  • Machos mais comumente afetados que fêmeas.

Urolitíase:

  • Cálculos de cistina e urato;
  • Cães mais jovens são mais predispostos;
  • Machos mais acometidos.

Reprodutivas

Criptorquidismo:

  • Congênito; 
  • Pode ter componente hereditário.

Distocia:

  • Raça tem maior predisposição à distocia obstrutiva devido ao canal pélvico mais estreito da fêmea e aos fetos grandes.

Hiperplasia vaginal / prolapso vaginal:

  • Geralmente visto em fêmeas jovens e inteiras durante o proestro, entre o primeiro e terceiro ciclo estral. 

Respiratórias e pneumológicas

Hipoplasia de traquéia:

  • Condição comum;
  • Esta raça corresponde a 55% dos casos.

Síndrome respiratória dos cães braquicefálicos:

  • Complexo de diversas deformidades anatômicas;
  • Comum na raça;
  • Acredita-se ser consequência de seleção da raça para alcançar algumas características faciais;
  • Pode estar associada a edema pulmonar não cardiogênico nesta raça;
  • Ocorre aerofagia associada a esta condição, podendo levar a flatulência excessiva.

Referências bibliográficas

CBKC Confederação Brasileira de Cinofilia. Padrão Oficial da Raça: Bulldog Inglês. Disponível em: http://cbkc.org/racas. Acesso em: 15 fev. 2018. 

FOGLE, B. Guia Ilustrado Zahar Cães. 2 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. 344 p.

GOUGH, A.; THOMAS, A. Breed Predispositions to Disease in Dogs and Cats. 3º Ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2018. 398 p.

Nestlé Purina Australia. Dog Breeds. English Bulldog. Disponível em: http://www.purina.com.au/owning-a-dog/dog-breeds/EnglishBulldog. Acesso em: 10 fev. 2018

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Vet Street. Dog Breeds. English Bulldog. Disponível em: http://www.vetstreet.com/dogs/english-bulldog. Acesso em: 10 fev. 2018

Imagem disponível em: https://www.petful.com/wp-content/uploads/2017/02/Bulldog.jpg