Nome da Raça

Collie Pelo Curto (Smooth Collie)

Porte

Grande

Peso

Fêmeas: 18-25 kg Machos: 21-29 kg

Altura na Cernelha

Fêmeas: 51-56 cm Machos: 56-61 cm

Nível de atividade

Alta

Temperamento

Nobre, inteligente, sensivel

Adestrabilidade

Muito Alta

Introdução

Origem

Acredita-se que esta raça, tanto na variedade de pelo curto como pelo longo, descenda de cães nativos na Escócia e cães que acompanharam os invasores romanos em 50 anos d.C. Eles provavelmente herdaram o nome de um tipo de ovelha negra, Colleys, criada nas terras baixas da Escócia.

Na década de 1860, a Rainha Victoria ficou encantada com esses cachorros quando visitou sua propriedade escocesa em Balmoral e levou alguns cães com ela para o Castelo de Windsor. Conhecido na época como o Sheepdog escocês, o Collie entrou pela primeira vez no show-ring no Birmingham Dog Society Show e ficou muito popular. 

Em 1878, a América ganhou seus exemplares. Na década de 1940, a raça atingiu fama ainda maior quando um Rough Collie foi escolhido para atuar como "Lassie".

Nome original

Smooth Collie

País de origem

Grã-Bretanha

Características gerais

Aspectos raciais

Esta raça porta-se com dignidade, guarnecido de perfeita formação anatômica, sem qualquer das regiões fora de proporção, passando a impressão de capacidade para o trabalho. 

A estrutura física mantém a linha da potência e atividade, ausência de rusticidade e sem qualquer traço grosseiro. A expressão é o mais importante. Vista de frente ou de perfil, a cabeça apresenta uma figura cuneiforme, limpa, com limites bem definidos por um contorno suave. 

No ponto médio entre os cantos proximais dos olhos (que é o centro de um “stop” bem posicionado), está o centro de equilíbrio em comprimento da cabeça. O crânio é plano. As laterais das faces convergem gradual e suavemente das orelhas à ponta da trufa. A profundidade do crânio, do supercílio até a linha inferior do maxilar, jamais poderá ser excessiva (profunda demais). 

Na região facial a rufa é sempre preta. Os olhos possuem expressão doce, são de tamanho médio, de inserção suavemente oblíqua, formato amendoado e cor marrom escuro, exceto no caso dos exemplares azul-merle, nos quais os olhos são frequentemente (um ou ambos) azuis ou manchados de azul.

As orelhas são moderadamente grandes, mais largas na base e inseridas não muito próximas umas da outras, nem das laterais da cabeça. Em repouso, são portadas para trás, mas, em alerta, são direcionadas para frente e portadas semi-eretas, ou seja, com aproximadamente dois terços da orelha eretas - o terço final fica naturalmente caído para frente. 

A cauda é longa com o osso (última vértebra) alcançando, no mínimo, a articulação do jarrete. Em repouso, portada baixa, com uma ligeira curva para cima na ponta. Pode ser portada alegremente (alta) quando excitado, mas nunca sobre o dorso. A pelagem é curta, textura áspera, com subpelo denso. 

O pelame não deve ser tosado ou aparado. Três cores são reconhecidas para essa raça: “sable” (zibelina) e branco, tricolor e azul-merle. “Sable” (Zibelina): qualquer nuance, desde o dourado claro ao mogno escuro ou “sable” sombreado.

Tricolor: predominantemente preto com marcas castanho bem saturadas nos membros e na cabeça. Azul-Merle: predominantemente claro, azul prateado, salpicado e marmorizado com preto. Marcações em castanho intenso são preferidas, mas sua ausência não deve ser penalizada.

Todas as cores acima mencionadas podem apresentar marcações brancas típicas do Collie em maior ou menor grau. As seguintes marcações são favoráveis: colar branco, completo ou parte dele; antepeito, pernas e patas brancas; ponta da cauda branca. Uma marca branca pode aparecer no focinho, no crânio ou em ambos. 

Pelo

Curto

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

O Collie Pelo Curto é um cão elegante e altamente inteligente. Eles são sensíveis, leais e fáceis de treinar. Geralmente são bons com outros animais de estimação e amigáveis com outros cães. Alguns cães podem exibir comportamentos dos antepassados quando são filhotes, como beliscar os calcanhares das pessoas ou tratá-las como rebanho. Com treinamento regular e constante, eles podem ser ensinados a agir corretamente perto dos humanos. 

A raça precisa ser escovada uma vez por semana. O restante trata-se de cuidados básicos como idas periódicas ao veterinário, escovação dentária semanal e alimentação de boa qualidade.

Sensibilidade a fármacos

Em cães, as reações à certos fármacos resultam da mutação de um gene chamado MDR1, responsável pela codificação da glicoproteína-P, que tem como função o transporte de diversas classes de fármacos em tecidos como intestino delgado, fígado, rins, barreira hematoencefálica, barreira testicular e placenta, limitando a absorção e promovendo a excreção destas substâncias.

Algumas raças de cães possuem mutação no gene MDR1, o que promove a presença de uma glicoproteína-P afuncional ou de baixa funcionalidade, levando ao acúmulo de certas drogas em tecidos como sistema nervoso central, testículos e fetos. Este acúmulo será responsável por provocar sinais clínicos que variarão conforme a quantidade de glicoproteína-P funcionante, a droga e a dose utilizada.

Os cães podem ser classificados quanto à mutação como homozigotos mutantes (apresentam as duas fitas de DNA mutante), heterozigotos (apresentam uma fita de DNA mutante e outra íntegra/normal) e homozigotos não mutantes (animais normais).

Sabe-se que os cães homozigotos mutantes apresentam maior sensibilidade e maior predisposição à intoxicação com classes de fármacos transportados pela glicoproteína-P do que os animais heterozigotos e estes podem expressar sensibilidade intermediária quando comparados aos animais homozigotos mutantes e homozigotos normais.

Os cães normais não apresentam sensibilidade ou predisposição à intoxicação nas doses recomendadas. Assim, dependendo da classificação genética do cão e da dose utilizada do fármaco, os sinais clínicos podem ser desde leves, caracterizando-se por alterações de comportamento, apatia, salivação discreta, até graves, apresentando quadros convulsivos, tremores, midríase, cegueira, coma e morte.

Antigamente, a mutação no gene MDR1 era apenas relacionada a cães da raça Collie e raças dolicocefálicas e o fármaco clássico causador de intoxicação nestes animais era a ivermectina. Porém, além dos Collies, outras raças foram identificadas com altos índices de indivíduos mutantes, incluindo: Pastor de Shetland, Pastor Australiano, Border Collie, Old English Sheepdog, Pastor Australiano Mini, Pastor Alemão, Pastor Suiço, SRDs, Silken Windhound e o Whippet.

Além disto, atualmente se sabe que uma variedade de classes de fármacos são substratos da glicoproteína-P e podem ser um risco à saúde para animais que possuem a mutação. Dos fármacos mais utilizados na rotina médica veterinária que podem causar sinais de intoxicação quando utilizados em animais com mutação do gene MDR1 incluem:

1 – Quimioterápicos: doxorrubicina, mitoxantrone, paclitaxel, vimblastina, vincristina, actinomicina D, docetaxel e etoposide.

2 – Antimicrobianos / antifúngicos: doxiciclina, eritromicina, itraconazol, cetoconazol, rifampicina, tetraciclina e levofloxacina.

3 – Agentes imunossupressores: ciclosporina A e tacrolimus.

4 – Antihistamínicos: cimetidina, ranitidina e terfenadine.

5 – Glicosídeos cardíacos: digoxina, diltiazem, verapamil, quinidina, losartana e talinolol,

6 – Esteróides: aldosterona, cortisol, dexametasona, estradiol, hidrocortisona e metrilprednisolona.

7 – Diversos: butorfanol, morfina, moxidectina, ivermectina, fentanil, fenotiazínicos, selamectina, milbemicina oxima, loperamide, ondansetrona e domperidona. 

É preciso lembrar que animais com o gene mutado podem utilizar estes medicamentos, desde que a dose utilizada seja inferior ao que é recomendado pela bula ou a via de administração seja substituída (por exemplo, doxorrubicina, que normalmente é usada por via intravenosa, nestes animais a recomendação é a administração por via oral). 

Predisposição à doenças

Dermatológicas

Histiocitose cutânea:

  • Não aparenta haver predileção sexual ou de idade;
  • Causa desconhecida.

Lúpus eritematoso discóide:

  • Condição incomum;
  • Não aparenta ter predileção sexual ou de idade.

Lúpus eritematoso sistêmico:

  • Incomum;
  • Machos aparentam ser mais acometidos.

Pênfigo foliáceo:

  • Condição incomum.

Dermatomiosite canina familial

Piogranuloma e granuloma idiopático estéril

Dermatose ulcerativa idiopática dos Pastores de Shetland e Collies

Dermatite por Malassezia:

  • Condição comum;
  • Acomete qualquer idade;
  • Pode ser sazonal.

Pênfigo eritematoso

Gastrointestinais

Síndrome da dilatação/torção vôlvulo-gástrica

Pancreatite crônica

Hematológicas e imunológicas

Neutropenia cíclica:

  • Vista em Collies de coloração cinza.

Deficiência de fator I:

  • Sinais clínicos moderados na raça.

Musculoesqueléticas

Síndrome da hiperextensão carpal:

  • Vista em cães jovens com menos de 6 meses de idade;
  • Fatores ambientais contribuem para o aparecimento.

Luxação de cotovelo congênita:

  • Condição incomum;
  • Nesta raça, verifica-se luxação da cabeça do rádio;
  • Ocorre entre 4 e 5 meses de idade.

Neoplásicas

Schwannoma maligno, neurofibroma

Tumores de cavidade nasal

  • Machos mais predispostos;
  • Idade média: 9 anos.

Tumor de glândula sudorípara:

  • Idade média: 9.5 anos.

Neurológicas

Surdez congênita:

  • Prevalência na raça ainda desconhecida;
  • Suspeita-se que tenha caráter hereditário.

Epilepsia idiopática:

  • Caráter hereditário nesta raça;
  • Início do aparecimento dos sinais clínicos: 6 meses a 6 anos;
  • Condição comum.

Oftálmicas

Entrópio

Atrofia retiniana progressiva generalizada:

  • Perda de visão noturna ocorre geralmente aos 6 meses, em média, e progressão para cegueira total com 1 ano de idade.

Defeitos oculares múltiplos:

  • Origem congênita;
  • Pode incluir: microftalmia, microcórnea, catarata congênita e defeitos na retina.

Coloboma:

  • Congênito.

Hipoplasia de nervo óptico:

  • Congênito; 
  • Incomum.

Displasia de retina:

  • Congênito;
  • Suspeita-se de fator hereditário.

Renais e urinárias

Amiloidose renal:

  • Idade ao momento do diagnóstico: acima de 6 anos;
  • A amiloidose é principalmente glomerular e os cães apresentam proteinúria e falência renal associadas;
  • Nesta raça, a amiloidose renal pode ser vista como secundária à dermatomiosite.

Referências bibliográficas

CBKC Confederação Brasileira de Cinofilia. Padrão Oficial da Raça: Collie Pelo Curto. Disponível em: http://cbkc.org/racas. Acesso em: 15 fev. 2018. 

FOGLE, B. Guia Ilustrado Zahar Cães. 2 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. 344 p.

GOUGH, A.; THOMAS, A. Breed Predispositions to Disease in Dogs and Cats. 3º Ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2018. 398 p.

Nestlé Purina Australia. Dog Breeds. Smooth Collie. Disponível em: http://www.purina.com.au/owning-a-dog/dog-breeds/SmoothCollie. Acesso em: 10 fev. 2018

Pet guide. Breeds. Dog Breeds. Smooth Collie. Disponível em: http://www.petguide.com/breeds/dogs/smoothcollie. Acesso em: 10 fev. 2018

Vet Street. Dog Breeds. Collie. Disponível em: http://www.vetstreet.com/dogs/collie. Acesso em: 10 fev. 2018

Imagem disponível em: http://elelur.com/data_images/dog-breeds/smooth-collie/smooth-collie-08.jpg