Entenda a Dirofilariose Canina

Empresa

Ceva

Data de Publicação

31/12/2000

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A dirofilariose canina, também conhecida como cardiopatia parasitária, é uma doença cosmopolita, mais prevalente em regiões tropicais e subtropicais. Causada pelo nematoide Dirofilaria immitis, é transmitida por meio da picada de mosquito (gêneros Aedes, Anopheles e Culex), cujo hospedeiro definitivo é o cão. Para compreender a fisiopatogenia e aspectos clínicos da doença, é importante conhecer o ciclo do parasito:

Os vermes adultos (L5) são parasitos filariformes esguios que habitam o ventrículo direito do coração e liberam larvas de estágio 1 (L1) na circulação. Quando o mosquito ingere essas larvas, ao picar o cão doente, elas sofrem duas mudas nos Túbulos de Malpighi do trato digestório do mesmo (L1-L2 e L2-L3). A larva L3 é a larva infectante e é transmitida a um novo hospedeiro (cão) quando o mosquito pica o animal ao se alimentar. Nesse momento ocorre a transmissão da L3 que, ao chegar ao tecido subcutâneo, se transforma em L4 e, posteriormente, em L5 (adultos). Os parasitos jovens atingem o sistema cardiovascular migrando através das artérias pulmonares periféricas dos lobos caudais do animal. Uma nova geração de larvas L1 só será detectada no sangue periférico após um período de cinco a seis meses pós-infestação, o que é indicativo da presença de vermes adultos (fêmeas e machos) no coração. Acredita-se que no cão o parasito adulto tenha vida média de três a cinco anos e as microfilárias de um a dois anos.

As manifestações clínicas e a gravidade da doença estão relacionadas com a quantidade de vermes adultos. Segundo Calvert e Thomason (2008), até 50 parasitos, em um cão de 25 Kg, localizam-se nas artérias pulmonares; 75 vermes no átrio direito, enquanto a síndrome da veia cava é caracterizada por mais de 100 parasitos.

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas da diro lariose podem ser classi cadas em duas formas: cardiopulmonar e hepática. A forma cardiopulmonar ocorre pelo acometimento dos pulmões e coração, e os sintomas cardiorrespiratórios (tosse, dispneia, intolerância ao exercício e síncope) são os mais frequentes. Já a forma hepática da doença, mais conhecida como síndrome da veia cava, ocorre pela maior presença do parasito no ventrículo direito, causando uma insu ciência cardíaca congestiva, e os sintomas mais relatados são distensão abdominal, intolerância ao exercício e síncopes. O comprometimento renal e envolvimento cutâneo também podem estar associados, porém de forma menos frequentes.

Embora parasitados, muitos animais podem permanecer assintomáticos por um longo período. Ao exame físico, podem-se evidenciar perda de peso, reforço da 2a bulha, insu ciência da valva tricúspide e ritmo de galope. Em caso de insu ciência cardíaca direita, observa-se distensão e pulsação da veia jugular, além de distensão abdominal e hepatoesplenomegalia.

Independentemente da forma clínica, a gravidade da doença está relacionada com o número de parasitos, com a duração do processo e com a resposta do hospedeiro.

Diagnóstico

O diagnóstico se baseia nos sintomas, no histórico do animal (visitação a regiões endêmicas) e em exames complementares.

Entre os exames complementares estão o exame radiográ co, a pesquisa de micro lárias no sangue (técnica de Knott modi cada), o hemograma e testes imunológicos (tipo ELISA) para detecção de antígenos do parasito adulto (fêmea). Eletrocardiograma e ecocardiograma têm importância secundária no diagnóstico de diro lariose.

a Eficácia de Canex Premium® na Prevenção da dirofilariose

Esse estudo teve como objetivo determinar o perfil farmacocinético da ivermectina por meio da quantificação analítica no plasma de animais tratados com uma dose de Canex Premium®. Foram utilizados 10 cães adultos, SRD, cinco machos e cinco fêmeas, com peso entre 10 e 20 kg. Os animais foram pesados previamente ao tratamento e receberam comprimidos de Canex Premium® na dose de um comprimido para cada 10 kg. Após o tratamento, amostras de sangue foram coletadas e a análise do plasma foi realizada a cada três dias, por 30 dias (sete análises).

Ettinger & Feldman (2004) afirmam que as microdoses de 6 mcg/kg de ivermectina são eficazes na prevenção de infestações por D. immitis se administradas mensalmente. O trabalho realizado por Daurio et. al. (1992) concluiu que a administração oral de ivermectina na dose de 6 mcg/kg é efetiva na manutenção de níveis plasmáticos entre 0,15-0,2 ng/mL, resultado este, que sugere 100% de eficácia contra microfilárias de D. immitis, principalmente no 4o estágio.

Os animais avaliados após a administração de Canex Premium® apresentaram concentração plasmática de ivermectina, durante todo o período experimental (30 dias), acima de 0,2 ng/ml, ou seja, superior à concentração plasmática necessária para a prevenção da dirofilariose. Portanto, conclui-se que o tratamento mensal com Canex Premium® é eficaz na prevenção da dirofilariose em cães.

Algumas raças, como Collies, podem apresentar deficiência na p-glicoproteína, ficando susceptíveis a reações tóxicas causadas pela ivermectina, assim como por outras lactonas macrocíclicas, com aparecimento de sinais neurológicos. No entanto, a “American Heartworm Society” atesta que as doses-padrão profiláticas dos fármacos estritamente aprovados para os cães podem ser utilizadas com segurança em todas as raças.