Comparação da efetividade de diferentes doses de cefalexina em foliculites superficiais de cães

Empresa

Virbac

Data de Publicação

20/10/2017

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INTRODUÇÃO

Dentre as dermatopatias, as foliculites em cães são muito frequentes, sendo responsáveis por 20-30% dos casos de dermatologia, segundo levantamento feito pelo autor nos anos de 2007-2009 na Universidade Anhembi-Morumbi. Tradicionalmente o Staphylococcus intermedius, agente coagulase positivo é a bactéria mais relacionada às piodermites de cães. Entretanto, estudos recentes revelam o potencial patogênico de algumas espécies de bactérias coagulase negativa. Além disso, novas espécies e nova nomenclatura tem sido proposta em infecções bacterianas no tegumento. Na dependência do ano de estudo, diferentes bactérias eram isoladas, criando confusão em levantamentos históricos e no estudo destes agentes. Dentre os Staphylococcus coagulase-positiva, encontra-se o grupo do S. intermedius [S.intermedius Group (SIG)], representado por S. intermedius(patógeno de pombos); S. pseudo intermedius (patógeno de cães) e S. delphini (patógeno de cavalos, camelos e golfinhos) e S. schleiferi coagulans (patógeno de cães), além do S. schleiferi scheliferi (coagulase-negativos – cães). Como a identificação até a espécie envolve várias provas bioquímicas e até de PCR, alguns autores propõem o termo SIG (S. intermedius Group), que já seria de auxílio na escolha da terapia mais adequada. A cefalexina ainda é o fármaco de eleição? Sim! Mesmo outras gerações de cefalosporinas não revelam resultados superiores no controle dos quadros bacterianos, porém, diferentes doses têm sido praticadas.

OBJETIVOS

O presente trabalho teve o objetivo de avaliar a efetividade de três doses de cefalexina na terapia das foliculites bacterianas superficiais e avaliar o tempo de cura para cada dosagem, além de comparar os grupos entre si.

MATERIAS E MÉTODOS

  • • Formato do estudo: Clínico, multicêntrico, randomizado.
  • • Animais: 51 cães de várias raças e idades com foliculite recidivante.
  • • Critérios de exclusão: piodermites externas (dermatite úmida aguda, intertrigo), piodermites profundas (furunculose, celulite), piodermites secundárias á sarnas, endocrinopatias e pseudopiodermites (complexo pênfigo e celulite juvenil), animais recentemente tratados com corticóides orais (< 30 dias), antibióticos orais ou antissépticos tópicos (< 15 dias), corticóides de depósito (< 60 dias).

Tratamentos:

  • • Cefalexina oral 15 mg/kg 12/12hs (n=16).
  • • Cefalexina oral 30 mg/kg 12/12hs (n=20).
  • • Cefalexina oral 30 mg/kg 24/24hs (n=15).

Nenhuma outra terapia dermatológica foi permitida.

Avaliação:

Os cães foram avaliados semanalmente, por no máximo 5 semanas, até a remissão do quadro. Para que se procedesse a comparação entre os grupos, foi proposta uma classificação modificada daquela de Guaguere et al (1998), onde os animais foram avaliados e receberam pontos baseados em quatro parâmetros clínicos ou critérios:

C1 – Tipo lesional: pápulas e nódulos (2 pontos); pústulas e colarinho epidérmico (2 pontos), crostas e exulceração (3 pontos); fístulas (3 pontos).

C2 – Regiões anatômicas acometidas: face e região cervical, tórax e abdômen lateral (direito), tórax e abdômen lateral (esquerdo), tórax e abdômen ventral; dorso; extremidades e interdígito. Cada região anatômica deve ser multiplicada pelas lesões.

C3 – Prurido – de 0 a 3, onde zero reflete ausência total de prurido e 3 prurido intenso.

C4 – Dor – de 0 a 3, onde zero reflete ausência total de dor e 3, dor intensa. Como exemplo, um animal com pústulas e pápulas em região abdominal ventral e tórax lateral direito e esquerdo, com prurido intenso e ausência de dor; ter-se-ia:

CS = C1xC2 + C3 + C4 = C1 (2+2) x C2 (3) + C3 (3) + C4 (0) = 15

CS – escore clínico total

A eficácia clínica foi avaliada de diferentes maneiras:

  • - Avaliação principal: os animais foram considerados curados quando os critérios C1 e C2 foram reduzidos à zero.
    • - O tratamento foi considerado inefetivo (falha), quando:
    • • O CS aumentou entre os retornos.
    • • C1 e C2 ultrapassaram 35 dias para chegar á zero.
    • • O CS não mudou por mais de 2 retornos consecutivos.

RESULTADOS

  • • Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos avaliados (Tabela 1).
  • • As bactérias isoladas nos grupos foram do grupo S. intermedius (SIG), Staphylococcus intermedius (34 casos), Staphylococcus epidermidis (14 casos) e Staphylococcus aureus (3 casos).
  • • As três doses avaliadas reduziram intensamente o escore clínico através do tempo. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos avaliados (Figura 1).
  • • A cura clínica foi obtida em mais 80% dos casos em 5 semanas em todos os grupos (Tabela 2).
  • • O tempo para obtenção de cura não foi significativamente diferente entre os grupos (Tabela 2 e Figura 2). A completa resolução foi obtida na maioria dos animais entre 14 e 21 dias de tratamento.

CONCLUSÃO

A cefalexina mostrou-se efetiva nas três dosagens praticadas, oferecendo resolução do quadro clínico em 81,3% à 86,7% dos animais tratados.

Não houve diferenças estatisticamente significativas, entre os grupos, no tempo total de tratamento e na melhora das lesões através do tempo.

A qualidade da cefalexina utilizada pode explicar a sua efetividade, mesmo em doses não usuais.