Vanguard® Shot (Ano 1, nº 02) - A soroaglutinação microscópica no diagnóstico da leptospirose canina

Empresa

Zoetis

Data de Publicação

15/01/2018

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A soroaglutinação microscópica (SAM) é considerada a técnica padrão para diagnosticar a leptospirose em cães, apesar de possuir uma série de limitações. Ela baseia-se na capacidade de os anticorpos antileptospira produzidos por um cão aglutinarem em meio líquido espécimens de leptospiras pertencentes a vários sorovares (ou sorotipos).

Em laboratório, são feitas diluições das amostras de soro a serem testadas, as quais são misturadas às culturas de leptospira em uma concentração padrão. A aglutinação é verificada em microscópio de campo escuro, e o título final da amostra corresponde à diluição mais alta do soro que provoca 50% ou mais de aglutinação das leptospiras.1 (Figura 1)

Figura 1 – Fotomicrografia da técnica de soroaglutinação microscópica (SAM) utilizando microscopia de campo escuro (Fonte: CDC - Centers for Disease Control and Prevention, Mrs. M. Gatton, figura 2888).

Apesar de a SAM ser conduzida com sorovares de Leptospira, o resultado do teste de SAM é sorogrupo-específico, e não permite distinguir os sorovares existentes em um mesmo sorogrupo. Isso ocorre porque os anticorpos contra os sorovares de um mesmo sorogrupo reagem de forma cruzada.

Diversos laboratórios oferecem a SAM como ferramenta diagnóstica, porém a variedade de sorovares para teste oscila amplamente, o que pode comprometer a interpretação dos resultados. Além disso, existem problemas de padronização da técnica entre laboratórios, fazendo com que a repetibilidade dos resultados seja inadequada. Consensos norte-americanos e europeus sobre leptospirose recomendam aos laboratórios que oferecem a SAM fazer um teste de proficiência junto à International Leptospirosis Society para melhorar a padronização e qualidade desse teste.

Outro problema da SAM é que reações cruzadas entre sorogrupos podem ocorrer. Por fim, alguns animais possuem as chamadas reações paradoxais, fenômeno pelo qual sorovares não vacinais podem ser identificados logo após a vacinação, sem necessariamente haver correlação com exposição a cepas de campo.4 A Tabela 1 mostra de forma resumida as principais limitações da técnica de SAM.

Um resultado positivo pela SAM indica a presença de anticorpos aglutinantes e, desta forma, pode ter 3 interpretações distintas:

  • • Exposição passada ao sorovar/sorogrupo: neste caso, os anticorpos apenas indicam resposta ao desa o natural
  • • Vacinação: da mesma forma que no item anterior, os anticorpos apenas indicam resposta à vacinação
  • • Exposição atual ao sorovar/sorogrupo: a correlação com o quadro clínico passa a ser muito importante

Diante de um quadro clínico compatível com leptospirose, deve-se realizar a SAM assim que possível. Títulos de pelo menos 800, acompanhados de quadro clínico apropriado, são considerados diagnósticos para leptospirose, desde que se exclua a vacinação nos últimos 4 meses.

A exclusão de imunização é necessária porque títulos muito altos (acima de 1600) já foram detectados após a vacinação apenas. No entanto, como muitos animais podem ter histórico de vacinação envolvido e, ainda, pelo fato de muitos não apresentarem soroconversão no momento de colheita de amostra, a repetição da SAM é altamente recomendável para melhorar a sensibilidade e a especificidade diagnósticas.

Demonstrou-se em um estudo que, adotando-se o título de 800 como diagnóstico para leptospirose, a repetição do teste pareado aumentou a sensibilidade de 50 para 100% e reduziu a especificidade de 100 para 92%. De fato, muitos animais não sobrevivem à fase aguda da leptospirose, porém, havendo melhora clínica, a repetição do teste deve ser feita 1 a 23 ou 2 a 4 semanas após o título inicial.

Em alguns casos, a soroconversão pode ocorrer tão cedo quanto 3 a 5 dias após a colheita da primeira amostra. Considera-se diagnóstico de leptospirose se for detectado um aumento de pelo menos 4 vezes para um dos sorovares testados. Alternativamente, animais com quadro clínico compatível e títulos zerados na primeira amostra podem ser considerados positivos caso apresentem um título igual ou superior a 800 na segunda amostra.

Deve ser ressaltado que a SAM não determina com precisão nem o sorovar nem o sorogrupo infectante – pode-se apenas dizer que houve soroconversão que confirma o diagnóstico da doença. Isso acontece porque comumente ocorrem reações cruzadas entre sorovares de um mesmo sorogrupo e, embora menos frequentemente, entre os diversos sorogrupos.

Os próprios títulos de anticorpos podem variar no mesmo animal ao longo do tempo, e nem sempre o maior título corresponde ao sorogrupo infectante. Títulos vacinais geralmente persistem por cerca de 4 meses após a vacinação, porém podem manter-se por mais de 1 ano, especialmente se ocorrer exposição constante a cepas de Leptospira de campo. Títulos mais altos (acima de 800-1600) tendem a ocorrer logo após a vacinação.

Em vista dos problemas de técnica que cercam a SAM, é recomendável que os testes sejam feitos no mesmo laboratório a fim de minimizar possíveis variações causadas pela falta de padronização entre laboratórios.

Por fim, cabe ressaltar que a utilização de antimicrobianos no curso da doença pode conter a elevação dos títulos, embora os cães geralmente soroconvertam a despeito do tratamento. A Tabela 2 lista alguns exemplos de interpretação de exames.

Pontos-chave:

A SAM continua sendo a técnica padrão para o diagnóstico da leptospirose canina, apesar de uma série de limitações que devem ser conhecidas para interpretar os resultados.

A escolha do laboratório para realizar a SAM é muito importante, pois a padronização da técnica e a variedade de sorovares oferecidos para teste podem influenciar bastante a confiabilidade dos resultados.

A SAM determina soroconversão para um determinado sorogrupo de Leptospira, porém não é precisa para indicar o sorovar ou sorogrupo infectantes.

Títulos >= 800 acompanhados de quadro clínico em animais com vacinação há mais de 4 meses são sugestivos de leptospirose; no entanto, a realização de um teste 1 a 4 semanas após é extremamente recomendável para avaliar a soroconversão.

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