Vanguard® Shot (Ano 1, nº 04) - Os principais componentes do sistema imune

Empresa

Zoetis

Data de Publicação

15/01/2018

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O sistema imune é responsável por proteger o organismo contra a invasão por agentes patogênicos externos, tais como vírus, bactérias, fungos, protozoários e helmintos. Apesar de, no contexto médico, frequentemente falar-se apenas em produção de anticorpos como mecanismo de proteção, deve-se lembrar de que eles representam apenas uma parte do sistema imune. De forma didática, as defesas do organismo podem ser agrupadas em barreiras físicas, imunidade inata e imunidade adaptativa.

As barreiras físicas constituem a primeira linha de defesa contra agentes invasores. Exemplos de barreiras físicas incluem os epitélios intactos, a microbiota normal que reside nesses epitélios e os processos de autolimpeza normais das mucosas tais como tosse, espirros, produção de muco, acidez gástrica, vômito, diarreia e fluxo urinário. Todos esses processos, no conjunto, perfazem uma linha de defesa bastante e ciente.

A imunidade inata é representada por uma série de componentes que estão ativados de forma permanente e asseguram uma proteção inespecífica contra os agentes invasores. Como exemplos de componentes do sistema imune inato podem ser citados as células fagocíticas e sentinelas, o sistema complemento, as citocinas e as células natural killer (NK). (Tabela 1).

A imunidade adaptativa é aquela representada por células ou anticorpos. Existe um escalonamento de resposta imune diante de uma tentativa de invasão por agentes patogênicos. Ou seja, se as barreiras físicas falham, entra em ação a imunidade inata e, quando esta também não consegue conter a invasão, ativa-se a imunidade adaptativa (Figura 1).

Os principais componentes celulares da imunidade adaptativa são os linfócitos T do tipo αβ (CD4+ ou helpers e CD8+ ou citotóxicos) ou linfócitos T do tipo γδ encontrados em mucosas e cujas funções têm sido investigadas recentemente. Os principais componentes da resposta humoral são os anticorpos ou imunoglobulinas (IgM, IgG, IgA, IgE e IgD), os quais são produzidos pelos linfócitos B, que se diferenciam em plasmócitos para cumprir tal função. Os anticorpos podem ser encontrados na circulação (imunidade humoral sistêmica) ou em mucosas (imunidade humoral local).

Figura 1 – Escalonamento da resposta imune conforme o tempo (adaptado de Tizard, 2013).

Há muitas diferenças entre a imunidade inata e a adaptativa. Uma das principais é que a imunidade inata é inespecífica. Em outras palavras, os seus componentes são capazes de reconhecer sinais provenientes de micróbios ou tecidos com lesão, mas sem detectar antígenos em particular.

Tais sinais são conhecidos como PAMP (pathogen associated molecular patterns) ou DAMP (damage associated molecular patterns). Por outro lado, a imunidade adaptativa reconhece apenas antígenos específicos dos agentes invasores.

Outra diferença fundamental é que a imunidade inata não possui memória, ao passo que a adaptativa pode proteger os animais por períodos muito longos (na dependência do agente envolvido), devido à existência de populações de linfócitos T e B de memória. A Tabela 2 sumariza as principais diferenças entre as imunidades inata e a adaptativa.

Fonte: Tizard, 2013

As vacinas são produtos biológicos que promovem imunização ativa, de forma semelhante ao que se verifica nas infecções naturais. Sendo assim, o organismo é estimulado a montar uma resposta de defesa própria. Isso se opõe à imunidade passiva, em que anticorpos pré-formados são fornecidos através da placenta, pelo leite ou via administração de alguns produtos veterinários.

De forma geral, quando se aplica uma vacina, objetiva-se induzir a uma imunidade ativa de natureza adaptativa, seja ela mediada por células, anticorpos ou ambos. A natureza da resposta adaptativa depende das características do agente contra o qual se quer proteger e da capacidade de a vacina induzir o tipo de resposta adequada para prevenir a doença por um determinado agente.

Assim, para certas doenças virais (como a cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina e raiva) ou bacterianas (como a leptospirose), a imunidade sistêmica desencadeada por anticorpos neutralizantes é a principal defesa. Para outras doenças virais (como adenovirose respiratória, parainfluenza e coronavirose intestinal), além dos anticorpos na circulação, requer-se a presença de anticorpos nas mucosas por onde os agentes penetram o organismo para haver proteção.

Por fim, a imunidade celular pode ter um efeito protetor adicional em doenças como a cinomose e a leptospirose. A Tabela 3 resume o tipo de proteção vacinal esperado para algumas das principais doenças infecciosas de cães.

* Compilado de informações de Day et. al, 2010 e Greene, 2012.

** O texto sublinhado indica que o tipo de proteção é preponderante.

Pontos-chave:

As barreiras físicas e a imunidade inata são partes importantes do sistema imune e conferem proteção elevada contra agentes invasores potenciais.

Existe um escalonamento temporal da resposta imune, sendo, em ordem de rapidez de efeito, as barreiras físicas, a imunidade inata e a imunidade adaptativa.

A resposta imune inata é inespecífica e sem a capacidade de gerar memória imunológica, ao contrário da imunidade adaptativa, que é antígeno-específica e capaz de desencadear memória.

Vacinas em geral desencadeiam mecanismos de imunidade adaptativa, seja mediada por células, anticorpos ou ambos.

O tipo de resposta protetora que uma vacina produz depende das características do agente contra o qual se quer proteger e da capacidade de a vacina induzir o tipo de resposta adequada para prevenir a doença por esse agente.

Nas infecções virais, os anticorpos neutralizantes sistêmicos são o principal mecanismo de proteção gerado pelas vacinas.

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Vanguard® Plus e Vanguard® HTLP são vacinas polivalentes que protegem contra cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa canina, adenovirose respiratória, parainflueza, coronavirose e leptospirose.

No entanto, o mecanismo de imunidade exato para cada uma dessas doenças pode variar, sendo importante conhecê-los no contexto clínico para entender a extensão da proteção e interpretar exames laboratoriais que aferem a resposta imune.