Quadros ototegumentares encontrados na rotina clínica de cães e gatos

Empresa

Elanco

Data de Publicação

15/04/2019

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Dermatopatias em cães e gatos

As dermatopatias são muito frequentes na rotina da clínica de animais de companhia. Muitas são as manifestações clínicas, secundárias ao problema primário, que pode ser dermatológico ou até uma doença sistêmica. Dentre as dermatopatias mais comuns que causam as lesões de pele estão as alérgicas, as de contato, bacterianas (piodermites), fúngicas, parasitárias, seborreias e disqueratinizações e autoimunes. Por conta dos mecanismos da doença e sintomas, como o prurido, causam inflamação e na maioria das vezes infecção bacteriana e fúngica secundárias.

Lesões cutâneas localizadas

Dentre os quadros dermatológicos, principalmente quando a doença de base é crônica, como no caso das alérgicas, mais comumente a dermatite atópica, é frequente o aparecimento de lesões de pele localizadas que se tornam recidivantes.

Dentre as lesões localizadas de pele, se incluem as otites externas agudas e crônicas, cistos interdigitais, infecção de glândula ad-anal, lesões localizadas secas, exsudativas, eczematosas, seborreicas e por contato, incluindo traumas. Essas lesões muitas vezes também podem aparecer sem uma causa de base evidente, mas devem ser tratadas também de forma sintomática para a resolução.

Além do processo inflamatório, os agentes infecciosos mais comumente presentes nas lesões cutâneas localizadas, são as bactérias, principalmente o Staphylococcus pseudointermedius, mas também o Staphylococcus aureus e schleiferi, dentre outros, Streptococcus canis, Pseudomonas aeruginosa e outras bactérias gram negativas e as fúngicas, normalmente causadas pelas leveduras do gênero Malassezia pachydermatis e menos frequentemente a Candida albicans.

Lesões cutâneas localizadas

A manifestação de pele pode apenas apresentar um ou poucos tipos de lesões mais comuns, como alopecia, eritema e pápulas (mais comum nos quadros inflamatórios iniciais) até descamação (no caso das seborreias e disqueratinizações), colarinhos epidérmicos e crostas melicéricas (infecção bacteriana seca), secreção e erosão/ulceração em lesões exsudativas e oleosidade e hiperqueratose nos casos de malasseziose. É comum o diagnóstico de padrões mistos.

Lesão cutânea alopécica e eritematosa em cão.

Lesão cutânea com alopecia, pápula e crostas melicéricas em gato.

Lesão cutânea ulcerada e exsudativa em cão.

Pododermatite em cão.

Pododermatite em gato.

Adenite ad-anal

A adenite ad-anal é um afecção comum na rotina clínica veterinária. As glândulas ad-anais podem estar obstruídas, inflamadas e/ou infeccionadas por causa idiopática ou secundária, muito frequentemente por dermatopatias. As bactérias mais comuns são gram negativas, como Proteus spp. e Escherichia coli.

Adenite ad anal fistulada em gato.

Cistos interdigitais

Essa afecção inflamatória é normalmente causada por trauma, incluindo lambedura tanto por dor quanto por prurido, e também pode ter infecção secundária associada.

Otites externas

As otopatias em cães e gatos estão frequentemente relacionadas às dermatopatias e o quadro ótico mais frequente entre os cães é o de otite externa. Assim, é importante considerar que a maioria dos casos de otopatias é secundário a diversos quadros tegumentares, e também se enquadram entre os casos de doenças de pele, visto que o conduto auditivo externo é revestido pela mesma.

Os casos de otopatias podem chegar até 10 a 20% de todos os casos atendidos na rotina clínica e são classificadas em: bacterianas, parasitárias, micóticas ou fúngicas, ceruminosas, eczematosas e estenosantes. Dessa forma é muito importante o conhecimento da anatomia específica das orelhas de cães e gatos, cuja parte externa é formada pelo pavilhão auricular e o conduto auditivo, canal vertical e horizontal, que se estende até a membrana timpânica (figura 1).

Figura 1: Anatomia da orelha do cão e do gato.

As orelhas saudáveis apresentam pH fisiológico entre 4,6 a 7,2 em cães e gatos, com média de 6,1 e toda a estrutura normal da pele que reveste o restante do corpo, com folículos pilosos, glândulas sebáceas e ceruminosas, o que promove o equilíbrio da flora bacteriana e fúngica, o processo de descamação (autolimpeza) e a quantidade e qualidade dos cerúmen normais.

As otites são causadas frequentemente por inflamação da pele que reveste a orelha e que com a evolução e desequilíbrio da fisiologia, propiciam a proliferação bacteriana e fúngica. Apesar dos gatos serem mais acometidos por otites médias em decorrência de alterações respiratórias, o mesmo mecanismo pode ocorrer também nessa espécie.

Como causa da inflamação das orelhas se incluem excesso de produção de cerúmen, anatomias específicas de algumas raças, principalmente as que possuem orelhas pendulares e mais pregueadas, limpeza inadequada, umidade excessiva (como entrada de água durante o banho), processos traumáticos e inflamatórios diversos, que podem ser locais ou, como já citado, por dermatopatias como alergias, especialmente a dermatite atópica, parasitárias, fúngicas, processos seborreicos e auto-imunes.

O processo infeccioso instalado é normalmente causado por bactérias que fazem parte da microbiota, como Staphylococcus spp., Bacillus sp., Escherichia coli, Corynebacterium sp., Streptocuccus sp., e Micrococcus sp., mas também podem ser acometidas por Pseudomonas sp. e Proteus sp. Em relação à presença de fungos há proliferação de Malassezia pachydermatis, também componente da microbiota.

Tratamento

O tratamento com antibióticos e antifúngicos sistêmicos nem sempre é o ideal se há alternativa eficaz, pelo aumento do risco de seleção de agentes infecciosos resistentes, o custo e a possibilidade de eventos adversos. Dessa forma a terapia tópica deve ser utilizada isoladamente quando possível e como adjuvante do tratamento sistêmico, visando otimizar o mesmo.

Além disso, a terapia tópica reduz a inflamação e reduz a quantidade dos agentes infecciosos, o que auxilia no controle da microbiota, na restauração da estrutura normal da pele e assim das recidivas. Dessa forma, medicamentos que contenham ativos que tratem de forma multifatorial essas afecções são o ideal na maioria dos casos.

No caso das otites, independente da causa da mesma, o tratamento sempre deve ser iniciado com a limpeza dos condutos auditivos para remoção do excesso de cerúmen ou secreção, com o objetivo de prepara-la para a ação do medicamento.

Panolog

Panolog™ pomada possui quatro efeitos terapêuticos eficazes, além de veículo exclusivo, o Plastigel, que promove distribuição e liberação homogênea dos quatro princípios ativos (acetonil triancinolona, nistatina, tiostreptona e o sulfato de neomicina), o que resulta em ação anti-inflamatória, antipruriginosa, antifúngica e antibiótica associadas.

A acetonil triancinolona, um corticosteroide de ação intermediária, que causa alívio rápido e prolongado da inflamação, promove conforto ao paciente ao controlar a dor, eritema, edema, meneios cefálicos e prurido. A nistatina possui ação fungica em uma variedade de leveduras, como a Malassezia pachydermatis e a Candida albicans.

A tiostreptona é um antibiótico polipeptídico que possui ação bactericida em bactérias gram positivas, incluindo aquelas que apresentam resistência a outros antibióticos. O sulfato de neomicina é um antibiótico da classe dos aminoglicosídeos, com ação bactericida em bactérias gram negativas, como a Pseudomonas sp. e o Proteus sp.

Dessa forma, Panolog™ é indicado para a terapia local de quadros ototegumentares em cães e gatos, como otites externas agudas ou crônicas, cistos interdigitais, adenite adanal, dermatopatias inflamatórias e infecciosas, dentre elas as secas, exsudativas, eczematosas, seborreias e por contato, além de coadjuvante das dermatopatias parasitárias.

A aplicação pode ser feita uma ou duas vezes ao dia, de acordo com a gravidade da afecção por um período de cinco dias nos casos agudos e por pelo menos 21 dias em casos crônicos. Antes da aplicação deve ser realizada limpeza do local para remoção de secreções.

Figura 2: Orelha afetada por otite externa aguda e crônica.

Panolog®

Rapidez e eficácia total nas otites de cães e gatos.

Tabela: Ação dos princípios ativos de Panolog™.

Descrição

PANOLOG® associa a nistatina, o sulfato de neomicina, a tiostreptona e acetonil triancinolona em um veículo protetor, não irritante, o Plastigel (gel de petrolato branco), um polietileno a base de gel de óleo mineral.

PANOLOG® é apresentado em tubos de 15ml, cada tubo tem ponta cega para fácil aplicação. O produto destina-se a terapia local em uma variedade de doenças cutâneas de cães e gatos e é especialmente útil em afecções causadas, complicadas ou ameaçadas por infecção bacteriana, micótica, leveduras e/ou candidíase (Monilia).

Ações

Em virtude de seus quatro ingredientes ativos, PANOLOG® produz quatro efeitos terapêuticos básicos: anti-inflamatório, antipruriginoso, antifúngico e antibacteriano. A acetonil triancinolona é um potente corticosteróide sintético, fornecendo alivio sintomático rápido e prolongado após a administração tópica. A inflamação, o edema e o prurido cessam prontamente, permitindo a cura das lesões.

A nistatina é o primeiro antibiótico antifúngico bem tolerado e de eficácia segura para o tratamento de infecções causadas por Candida albicans (Monilia). A nistatina é fungistática in vitro contra uma variedade de leveduras (Malassezia pachydermatys) e fungos leveduriformes, incluindo muitos fungos patogênicos a animais, porém, não apresenta atividade apreciável contra bactérias.

A tiostreptona tem grande atividade contra microrganismos gram-positivos, incluindo muitos que são resistentes a outros antibióticos. A neomicina exerce ação contra ampla variedade de bactérias gram-positivas e gram-negativas. Em associação eles fornecem terapia compreensiva contra os microrganismos responsáveis pela maioria das infecções bacterianas superficiais.

Indicações

PANOLOG® é particularmente útil no tratamento das otites externas e crônicas de etiologias variadas e cistos interdigitais em cães e gatos, bem como infecções da glândula anal dos cães. O produto também é indicado no tratamento de doenças dermatológicas caracterizadas por inflamação e dermatite seca ou exsudativa, particularmente nas causadas, complicadas ou ameaçadas por infecções bacterianas, micóticas ou candidíase (Candida albicans).

Também deve ser usada em dermatite eczematosa, dermatite de contato, dermatite seborreica e também como coadjuvante no tratamento da dermatite causada por infestação de parasitas externos.

Precauções

PANOLOG® não se destina ao tratamento de abscessos ou infecções de localização profunda, como a inflamação de vasos linfáticos. Nestas infecções, terapia antibiótica parenteral é a indicada.

PANOLOG® (Pomada de nistatina, sulfato de neomicina, tiostreptona e acetonil triancinolona) é bem tolerada. Reações cutâneas atribuídas a seu uso são extremamente raras. A ocorrência de reações sistêmicas raramente representa problema com a administração tópica. É evidente que os corticosteróides podem ser absorvidos após a aplicação tópica, podendo causar efeitos sistêmicos.

Portanto, um animal recebendo terapia com PANOLOG® deve ser observado cuidadosamente para sintomas de polidipsia, poliúria e aumento de peso corpóreo. Em geral, PANOLOG® não é recomendado para o tratamento de ferimentos profundos ou causados por punção ou queimaduras sérias.

Hipersensibilidade à neomicina pode ocorrer. Se vermelhidão, irritação ou edema persistem ou são exacerbados, deve-se interromper seu uso. Não usar esta pomada na presença de pus, visto que a droga pode permitir a propagação da infecção. Manter esta e todas as medicações fora do alcance de crianças e animais domésticos.

Dosagem e Administração

A frequência da administração depende da gravidade da afecção. Nas infecções agudas PANOLOG® deve ser aplicado de uma a duas vezes ao dia durante 5 dias. Em casos crônicos o tratamento deverá se estender por período mínimo de 21 dias.

Otite externa

Limpar o conduto auditivo removendo o tampão de cerúmen. Examinar o conduto e remover quaisquer corpos estranhos. Instilar 3 a 5 gotas de PANOLOG®. O uso preliminar de um anestésico local pode ser recomendado. A dose recomendada é de 2 gotas instiladas na orelha anteriormente à limpeza.

Glândulas anais infectadas, áreas císticas etc.

Drenar a glândula ou cisto em seguida preencher com PANOLOG® durante três dias consecutivos.

Após este período, realizar uma aplicação semanal, durante duas ou três semanas.

Outras doenças dermatológicas

Limpar as áreas afetadas, removendo qualquer secreção ou exsudato incrustado. Aplicar PANOLOG® (Pomada de nistatina, sulfato de neomicina, tiostreptona e acetonil triancinolona) numa camada delgada.

Apresentação

PANOLOG® é apresentado em tubos de 15ml. Cada tubo tem ponta cega para facilitar a aplicação.

Validade do produto: 2 (dois) a partir da data de fabricação. Licenciado no Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento sob o n° 1065 em 06/02/80

Responsável técnico: Denis Frota Daflon – CRMV-SP-n° 23.802

Proprietário: Novartis Saúde Animal Ltda. Av. João Vilallobo Quero, 2.253 - 06421-300 - Barueri - SP CNPJ: 00.820.120/0005-69

Fabricante: Hertape Calier Saúde Animal S/A Rod. MG 050 n° 2.001 – Juatuba – MG

Referências

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Banco de dados de imagem Elanco.