Baby: O Pequeno Cão de uma grande história

Empresa

Ibasa

Data de Publicação

27/08/2019

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Relato de Caso - Cetoconazol Suspensão oral 20%

Uso do Cetoconazol oral associado a shampoo antifúngico no tratamento de dermatofitose canina.

  • Luciano Marra Alves
  • Ana Paula de Jesus
  • Alexandre Matsui

Introdução

Adermatofitose é uma micose cutânea causada por um grupo de microorganismos denominados dermatófitos, sendo os mais importantes pertencentes aos gêneros Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton, que possuem a capacidade de invadir tecidos queratinizados como pele, pelos e unhas, tanto em animais quanto em humanos (NEVES et al., 2011; OLIVEIRA, 2012). De acordo com Maciel & Viana (2005) o microrganismo mais encontrado em cães e gatos é da espécie Microsporum canis, assim como em seres humanos, que podem ser expostos aos artroconídios ou hifas presentes nos pelos desses animais ou no ambiente contaminado.

A dermatofitose pode acometer animais de todas as idades, sendo mais comum em cães e gatos que vivem em coletividade ou em animais imunossuprimidos (KEENAM, 2007). Os sinais clínicos geralmente incluem alopecia, eritema, crostas e escamas (BOND, 2010) e a forma de transmissão pode ocorrer por contato direto com animal contaminado e suas descamações ou através de fômites (LOPES et al., 2016). O tratamento deve ser local (de forma tópica) e sistêmico, com a administração de antifúngicos.

De acordo com Moriello e Newbury (2006) para auxiliar no diagnóstico da dermatofitose deve ser realizado como triagem os exames da lâmpada de wood e o tricograma (análise direta dos pelos em microscópio). Além disso, deve ser feita a cultura micológica para confirmação, através da qual é possível observar e classificar a espécie do fungo.

Diante disso, o objetivo deste trabalho foi relatar um caso de dermatofitose canina causada pela espécie Microsporum canis, em um cão atendido em uma aula prática do curso de aperfeiçoamento em dermatologia veterinária.

Relato de Caso

O presente trabalho foi desenvolvido no mês de março, durante aula prática do curso de aperfeiçoamento em dermatologia veterinária, do Dermatovet Cursos (www.dermatovetcursos.com.br), na cidade de Maringá – PR, na qual foi atendido o canino Baby não castrado, da raça Yorkshire terrier, macho, quatro anos de idade. Na anamnese os tutores relataram início de lesões localizadas, circularese alopécicas há cerca de 10 meses e prurido leve. O animal convivia com outros cães e gatos e uma das tutoras apresentava também lesões circulares e pruriginosas na pele. Durante o exame físico, os parâmetros vitais estavam normais, alopecia generalizada, pele seca, descamativa e unhas quebradiças. (Figura 1)

Figura 1: Canino Baby, atendido em aula prática no curso de aperfeiçoamento em dermatologia veterinária, mostrando alopecia generalizada, pele seca e descamativavas.

De acordo com o histórico e o quadro do animal, foram realizados os seguintes exames dermatológicos: raspado profundo de pele para análise de ectoparasitas, com resultado negativo descartando demodicose; lâmpada de wood, com fluorescência em pelos próximos aos lábios (Figura 2); tricograma, através do qual observou-se estruturas denominadas artroconídios, compatíveis com Microsporum e, cultura fúngica de pelos e unhas.

Figura 2: Exame da lâmpada de Wood, onde foi observado fluorescência de pelos principalmente em região labial.

Após a coleta de amostras e realização de exames foi instituído o tratamento com cetoconazol de uso oral na dose de 10 mg/kg SID (Cetoconazol Suspensão Oral 20%, Laboratório Ibasa Ltda – www.ibasa.com.br) e banhos com shampoo terapêutico manipulado a base de clorexidine 2 % e miconazol 2,5 % a cada 3 dias. A cultura fúngica foi avaliada após 10 dias de crescimento das colônias em meio Àgar Sabouraud (Figura 3), onde encontrou-se o fungo Microsporum canis (Figura 4).

Figura 3: (A) Crescimento das colônias após dez dias de cultivo em meio Àgar Sabouraud e (B) Microsporum canis encontrado na leitura da cultura fúngica, após 10 dias de crescimento das colônias.

Após 15 e 30 dias de tratamento (Figuras 4 e 5, respectivamente) o animal voltou para retorno já com crescimento de pelos por todo o corpo, mostrando uma boa resposta ao tratamento instituído.

Figura 4: 15 dias após início de tratamento com cetoconazol oral na dose de 10 mg/kg SID e banhos a cada 3 dias com shampoo manipulado a base de clorexidine 2% e miconazol 2,5 %.

Figura 5: animal atendido em retorno após 30 dias em tratamento.

Conclusão

A dermatofitose é uma infecção fúngica, causada principalmente pelo fungo Microsporum canis, muito comum em cães e gatos e tem potencial zoonótico. Para confirmação da infecção o clínico deve realizar exames específicos como a lâmpada de wood, tricograma e cultura micológica. O tratamento deve contemplar a terapia associativa tópica e sistêmica, com banhos e administração de antifúngicos orais. O tratamento sinérgico com cetoconazol oral juntamente com banhos usando o shampoo à base de clorexidine e miconazol demonstraram bons resultados na recuperação do canino Baby, que ainda segue em acompanhamento veterinário.

Informações Importantes

  • Agitar bem antes de usar.
  • 1 mL equivale a 20 gotas do produto e cada gota do produto contém 10mg de Cetoconazol
  • Não deve ser administrado em animais com insuficiência renal ou hepática, pois afeta fígado e rins.
  • Cuidado com a dosagem em filhotes e animais idosos.
  • Utilize antes ou com o alimento. Evitar a ingestão concomitante de leite ou outras substâncias com antiácidos, anticolinérgicos e anti-histamínicos bloqueadores H2 que diminuem a secreção gástrica e a absorção do cetoconazol.
  • A dose diária total pode ser fracionada em 2, e o tratamento não deve ser inferior a 40 dias, sendo que a cura deve ser verificada pelo Médico Veterinário através de exames laboratoriais.

Referências Bibliográficas

BOND, R. Superficial veterinary mycoses. Clinics in Dermatology, v.28, n.2, p.226-236, 2010. 

KEENAM, L.D. Micoses superficiais - Dermatofitoses. Nosso Clínico, n.57, p.6-14, 2007.

LOPES, C.A., DANTAS, W.M.F. Dermatofitose em cães e gatos. Revista Científica Univiçosa. v.8, n.1, p.292- 297, 2016.

MACIEL, A.S.; VIANA, J.A. Dermatofitose em cães e gatos - primeira parte. Revista Clínica Veterinária, v.56, p.48-56, 2005.

MORIELLO, K.A.; NEWBURY, S.N. Recommendations for the Management and Treatment of Dermatophytosis in Animal Shelters. Veterinary Clinics Small Animal Practice. Elsevier Saunders. 2006.

NEVES, R. C. S. M.; CRUZ, F. A. C. S.; LIMA, S. R.; et al. Retrospectiva da dermatofitose em cães e gatos atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso, nos anos de 2006 a 2008. Ciência Rural, v. 41, n. 8, p. 1405-1410, 2011.

OLIVEIRA, J. C. Micoses Superficiais. In: ______. Tópicos em Micologia Médica. 3º Ed. Rio de Janeiro, 2012. cap. 2. p. 33-50.