Mel - Depoimentos de Sucesso IBASA - Linha Dermocalmante

Empresa

Ibasa

Data de Publicação

02/03/2020

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Cetoconazol Suspensão Oral 20%

Cetoconazol Shampoo 2%

Cetoconazol Spray 2% 

Paciente: Mel, canino, Shih Tzu, fêmea, 4 meses. 

Médica Veterinária: Luiza Raymundi

Colaborador Ibasa: Cristiane Andreis / Fernando Chapon 

Local: Sananduva, Rio Grande do Sul, Brasil. 

Anamnese

O tutor relatou que a paciente foi adquirida de um canil e que já possuía algumas lesões cutâneas na região da axila e dígitos do membro torácico esquerdo. No período de 15 dias foi tratada pelo tutor com aplicação de pomada de cetoconazol nas lesões BID, porém houve piora clínica e a paciente teve que ser levada para atendimento veterinário. Ainda na anamnese, o tutor relatou ausência de prurido e presença de leve desconforto ao caminhar devido ao edema nos dígitos. A canina reside em uma casa, com acesso ao ambiente externo, onde habita mais um animal num canil, o qual não apresenta alterações dermatológicas. 

Suspeita Clínica 

Dermatofitose. 

Exame clínico 

No exame clínico foi detectada alopecia, hiperqueratose e eritema na região de axila esquerda (Figura 1 – A). Os dígitos do mesmo membro apresentavam alopecia, edema, eritema e hiperqueratose (Figura 1 – B). 

Figura 1: Canina, fêmea, raça Shihtzu, com infecção por M. canis, apresentando alopecia, hiperqueratose e eritema na região da axila esquerda (A); alopecia, edema, eritema e hiperqueratose nos dígitos do mesmo membro (B). Fonte: Luiza Raymundi. 

Exames complementares 

De acordo com a anamnese e os sinas clínicos, suspeitou-se de dermatofitose e encaminhou-se a paciente para exames de triagem: Teste de fluorescência com lâmpada de Wood e tricograma. Por se tratar de uma dermatozoonose, quando questionado, o tutor relatou apresentar lesão em braço direito, com aspecto avermelhado, circular e hiperqueratótico (Figura 2). Ao exame de triagem com lâmpada de Wood as hastes dos pelos nas regiões das lesões apresentaram positividade à fluorescência, confirmando o diagnóstico. 

Figura 2: Lesão em braço direito do tutor de uma canina com dermatofitose. Fonte: Luiza Raymundi. 

Figura 3: Canina, fêmea, raça shih tzu, com infecção por M. canis, onde no exame de triagem com lâmpada de Wood, apresenta fluorescência de hastes pilosas de lesão axilar (círculo). Fonte: Luiza Raymundi. 

No tricograma não foram visualizados infiltrados de hifas e artrósporos nas hastes pilosas. Para diagnóstico definitivo, no dia do atendimento, foi realizada coleta de material para cultura fúngica (Vetcheck). No período de 14 dias houve mudança da cor do meio de cultura de amarelo para vermelho e crescimento de colônias brancas. 

Figura 4: Canina, fêmea, raça shih tzu, com infecção por M. canis, diagnóstico definitivo através de cultura fúngica (Vetcheck) (A); com crescimento de colônias brancas em 14 dias (B). Fonte: Luiza Raymundi. 

Na microscopia foram identificados macroconídeos de Microsporum canis, confirmando o diagnóstico de dermatofitose. 

Figura 5: Canina, fêmea, raça Shihtzu, dermatofitose, com diagnóstico positivo através da Microscopia em objetiva de 10 x com identificação dos macroconídeos de Microsporum canis (círculos). Fonte: Luiza Raymundi. 

Tratamento 

Produtos Ibasa: Cetoconazol Shampoo 2%, Cetoconazol Spray 2% e Cetoconazol em Susp. Oral 20%.

O tratamento instituído foi à base de Shampoo, Spray e Suspensão Oral de Cetoconazol Ibasa. Banhos com shampoo duas vezes por semana durante um mês, seguidos de banhos semanais com o mesmo produto até remissão total das lesões. Spray diretamente nas lesões SD durante 45 dias. Suspensão Oral (1 gota/kg) SD junto ao alimento até remissão total das lesões e duas culturas fúngicas negativas no intervalo de 30 dias. Além da terapia tópica e sistêmica foi recomendado a tosa de pelos da paciente, higienização do ambiente e descarte de fômites. Também foi orientado o uso de luvas para manipulação da mesma (por ser uma dematozoonose), e recomendou-se evitar o contato com a outra canina que reside no mesmo domicilio, a fim de impedir a transmissão da doença. Para o tutor, foi indicado consulta médica para tratamento da dermatofitose. 

Evolução Clínica 

No retorno de quinze dias, o tutor relatou melhora das lesões da paciente. Durante exame clínico, pôde-se observar redução da hiperqueratose e eritema da região axilar, apresentando leve hiperpigmentação local (Figura 6 – A). Nos dígitos, houve redução do edema, do eritema e da hiperqueratose, podendo ser observada hiperpigmentação local pós-inflamatória assim como na região axilar (Figura 6 – B). 

Figura 6: Canina, fêmea, raça Shihtzu, com infecção por M. canis, após 15 dias de tratamento apresentando melhora em relação a figura 1 em região axilar (A) e nos dígitos (B). Fonte: Luiza Raymundi. 

No segundo retorno, após 30 dias de tratamento, a paciente manteve o peso, recebendo a dose do cetoconazol 20% (1gota/kg VO – total 2 gotas) SD e passou a tomar banhos semanais com o shampoo de cetoconazol 2%. Foi suspenso o uso do spray, pois a paciente lambia os locais após o uso. Na avalição clínica das lesões tanto na região axilar (Figura 7 – A) como nos dígitos (Figura 7 – B), verificou-se redução completa da hiperemia das crostas e do edema. Percebeu-se o início da repilação do membro afetado, bem como redução da hiperpigmentação pós-inflamatória. 

Figura 7: Canina, fêmea, raça shih tzu, com infecção por M. canis, após 30 dias de tratamento apresentando melhora em relação a figura 1 e 2 em região axilar (A) e nos dígitos (B). Fonte: Luiza Raymundi. 

Aos 60 dias de tratamento foi realizada a primeira cultura fúngica, com resultado negativo para dermatofitose. A paciente ganhou peso e passou para a dose de 3 gotas de cetoconazol 20% SD sempre junto ao alimento, mantendo os banhos com shampoo de cetoconazol 2% uma vez por semana.

Com 90 dias de tratamento, a segunda cultura fúngica foi realizada e não houve crescimento. A partir dessa segunda cultura negativa e repilação completa em regiões de axila (Figura 8 – A) e inter dígitos (Figura 8 – B), sem alterações, a paciente recebeu alta. 

Figura 8: Canina, fêmea, raça Shihtzu, com infecção por M. canis, após 90 dias de tratamento com a segunda cultura fúngica negativa e repilação completa na região axilar (A) e nos dígitos (B). Fonte: Luiza Raymundi. 

Discussão 

As dermatofitoses são um grupo de micoses cutâneas produzidas por fungos imperfeitos,

Microscoporum spp

. e Trichophyton spp., que penetram no extrato córneo invadindo os pelos, as unhas e a camada córnea da pele (CAVALCANTI et al., 2003). Corroborando com o presente caso, tanto em relação à apresentação das lesões como pelo diagnóstico do agente causador por Microscoporum canis, para a realização de tratamento correto.

Como as dermatofitoses são infecções contagiosas (BETANCOURT et al., 2009) caracterizadas como zoonose, não é raro observar animais, mas também o homem atingido por essa patologia (PINHEIRO et al., 1997). Essa transmissão da infecção por dermatofitose também foi verificada neste relato de caso. 

Antigamente, muitos profissionais da área de saúde pública e dermatologia, por considerarem os animais potenciais reservatórios de fungos patogênicos, aconselhavam seus pacientes portadores de enfermidades dermatológicas a se desfazerem de seus animais de estimação, ainda que sem a confirmação do diagnóstico etiológico da doença (PINHEIRO et al., 1997). Essa conduta é diferente no presente caso, tendo em vista a evolução da medicina humana e veterinária. Desse modo, os tratamentos são curativos tanto para a dermatofitose humana quanto para o tratamento de cães e gatos, fazendo com que antiga ideia de se livrar dos pets, já não seja uma alternativa indicada pelos profissionais da saúde para controle da zoonose. 

A descontaminação do meio ambiente é um aspecto muito importante, e ainda é difícil de ser realizado corretamente, pois os esporos infecciosos podem sobreviver no ambiente por até 18 meses. Fatores ambientais como elevadas temperaturas e umidade, extremos de idade e aglomeração de animais podem facilitar a infecção por dermatófitos (CERUNDOLO, 2004). Gatis e canis vêm sendo os principais locais de contaminação e disseminação da doença, através da venda dos animais infectados para os diversos estados do Brasil, levando a infecção para locais onde não existiam. 

A cultura para fungos e a identificação do agente, é o padrão para diagnóstico (RHODES e WERNER, 2014). Na atualidade, assim como no relato de caso, a cultura fúngica e a identificação dos macroconídeos ainda são os métodos de eleição para o diagnóstico de dermatofitose. 

Para o tratamento da dermatofitose no relato de caso incluiu a tosa dos pelos, o controle do ambiente, o tratamento tópico com sprays e banhos antifúngicos, assim como o uso de medicamentos de uso sistêmico. Todas as ações foram essenciais para o controle e cura da infecção da paciente. Há um consenso de que os animais de estimação devem ser tratados tópica e sistemicamente, além de serem tomadas medidas para reduzir a contaminação ambiental (PATEL e FORSYTHE, 2010). 

A alta, ou seja, a suspensão do tratamento medicamentoso deve ser preconizada quando forem obtidos pelo menos dois cultivos micológicos negativos após a cura clínica caracterizada pelo desaparecimento das lesões e pela repilação (LARSON e LUCAS, 2016). Isso também foi preconizado nesse relato de caso, onde a suspensão do fármaco foi realizada após duas culturas fúngicas negativas realizadas a cada 30 dias, além de repilação completa do membro afetado, sem sinais clínicos de dermatofitose. 

Conclusão 

A dermatofitose é uma doença de pele comum em cães e gatos, principalmente daqueles oriundos de canis e gatis, o que se torna preocupante pela disseminação da dermatozoonose. O exame de cultura fúngica para identificação dos mascroconídeos segue como padrão de diagnóstico. O tratamento tanto tópico com Shampoo e Spray de Cetoconazol 2%, quanto sistêmico com a Suspensão Oral de Cetoconazol 20% Ibasa continuam sendo eficazes, em conjunto com o manejo do animal e do ambiente, para a cura da dermafitose e o controle da sua disseminação.