Boletim Técnico - Vacinação em filhotes de cães: o que você deve saber!

Empresa

Boehringer Ingelheim

Data de Publicação

02/07/2020

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Quando os filhotes devem iniciar sua vacinação? Quando devem terminar? Quais as razões para essas escolhas?

Esses são alguns dos questionamentos comuns que os médicos-veterinários recebem no dia a dia da rotina clínica. Embora as respostas pareçam simples, na era digital, com o acesso à informação cada vez maior por parte dos tutores, devemos estar preparados para explicações mais detalhadas sobre os porquês das condutas clínicas. Lidar com possíveis objeções referente ao uso ou não de determinadas vacinas é outro ponto que pode ser questionado por tutores mais atentos ao que se pratica no restante do mundo.

0 a 6 semanas de idade

  • Ao nascimento, há a ingestão de colostro – filhotes recebem os Anticorpos Maternos (AM)1 ;
  • Até as 6 semanas de idade: amadurecimento gradativo do sistema imune do filhote;
  • Os AM geralmente persistem em níveis mais altos e até mesmo protetores contra desafios ambientais1.

6 a 8 semanas de idade

  • Filhotes geralmente já desmamaram e iniciam exploração territorial 1;
  • Haverá diminuição gradativa dos AM 1;
  • Idade que geralmente se iniciam os protocolos vacinais: as vacinas devem ser administradas sequencialmente a cada 2 a 4 semanas1.2.

8 a 16 semanas de idade 

  • Os AM estão cada vez mais baixos, chegando em níveis que não interferem com a vacinação entre 12 e 16 semanas (Figura 1 e 2)2;
  • Assim, é recomendado que a vacinação não termine antes das 12 semanas de idade e, preferencialmente, se estenda até as 16 semanas ou mais2

O período que compreende a transição entre a queda dos AM e a elevação dos anticorpos produzidos pelo filhotes em resposta à vacinação, apesar de nenhum dos 2 níveis estarem adequados para garantir a proteção, é chamado de JANELA DE SUSCETIBILIDADE1 (Figuras 1 e 2).

FIGURA 1: Níveis de anticorpos maternos e níveis de anticorpos dos filhotes a partir do início do protocolo vacinal. Parte dos filhotes terão interferência dos AM apenas até 12 semanas de idade e poderão terminar o protocolo vacinal nessa idade 1,2.

FIGURA 2: Níveis de anticorpos maternos e níveis de anticorpos dos filhotes a partir do início do protocolo vacinal. Grande parte dos filhotes poderão ter a persistência dos AM até 16 semanas ou mais, motivo pelo qual as diretrizes de vacinação recomendam que não se termine o protocolo vacinal antes das 16 semanas 1,2,3

Qual o protocolo ideal? A idade para cada vacina importa?

A escolha do protocolo deve ser baseada principalmente no risco envolvido com a exposição a doenças infecciosas 1,2,3

Por conta disso, os guidelines de vacinação (WSAVA - World Small Animal Veterinary Association, AAHA - American Animal Hospital Association / COLAVAC - Comitê Latinoamericano de Vacinologia de Animais de Companhia) recomendam dividir os protocolos, como descrito abaixo: 

VACINAS ESSENCIAIS

Todos devem receber, independente das circunstâncias, proteção contra doenças severas, com alto risco de morte e que tem distribuição mundial.

  • Parvovirose
  • Cinomose
  • Hepatite infecciosa canina 
  • Raiva
  • Leptospirose*

*Leptospirose é considerada como essencial de acordo com o COLAVAC e complementar de acordo com o WSAVA e AHHA.

VACINAS COMPLEMENTARES

Animais devem ser vacinados mediante justificativas geográficas ou de fatores de risco que envolvam o agente etiológico.

  • Parainfluenza Virus
  • Bordetella bronchiseptica
  • Leishmaniose
  • Giardiase**

**A vacina contra giárdia é considerada como complementar pelo COLAVAC e não recomendada ou não citada no WSAVA e AAHA.

PORTANTO, NÃO EXISTE PROTOCOLO ÚNICO E IDEAL, O QUE DEVE SER AVALIADO É O RISCO VERSUS O BENEFÍCIO PARA CADA ANIMAL E PARA CADA AGENTE ETIOLÓGICO QUE COMPÕE A VACINA EM QUESTÃO!

Questionário de risco para auxiliar na escolha do protocolo vacinal3:

1. Qual o estilo de vida? Urbano ou rural?

2. Vive em apartamento ou casa?

3. Vive em casa com quintal, com grama, área verde?

4. Terá contato social (brincar/interagir) com outros cães?

5. Frequentará hotéis ou creches (daycare)?

6. Frequentará banho e tosa?

7. Terá contato ou frequentará locais com muitos cães, tais como abrigo ou canis de criação?

8. Participará de exposições de cães?

9. Terá acesso a parques onde outros cães têm acesso? 

10. Visitará locais onde há criação de outras espécies animais, tais como fazendas, sítios onde tenham gado, ovelhas etc?

11. Terá acesso a rios, lagos?

12. Terá acesso a áreas com animais silvestres?

Obs: No site do AAHA existe um “calculador de vacinação” (Lifestyle-based vaccine calculator) com base no estilo de vida do cão. Disponível em: https://www.aaha.org/aaha-guidelines/vaccination-canine-configuration/lifestyle-based-vaccine-calculator/ (Lembre-se que algumas combinações de vacinas não estão disponíveis no Brasil).

Pontos de atenção na vacinação com cepas de Leptospira spp. em filhotes:

  • Devido à natureza das bacterinas, que geralmente são muito imunogênicas, algumas literaturas recomendam não utilizá-las em filhotes < 9 semanas de idade, já que as reações adversas, quando ocorrem, podem ser mais severas em animais muito jovens1 .
  • Vacinas inativadas (ex. Leptospira spp.) estão mais comumente associadas a reações adversas agudas3.
  • Embora haja poucos estudos publicados, alguns autores mencionam que as bacterinas podem interferir com a resposta sorológica a antígenos virais durante a série inicial de vacinação de filhotes1.

As tabelas 1 e 2 demonstram exemplos de idades possíveis de início e término da vacinação em filhotes. É recomendado que não se utilize intervalos menores do que 2 semanas ou maiores do que 4 semanas entre as doses1,2,3.

TABELA 1: Intervalo de 3 semanas (21 dias) entre doses. 

TABELA 2: Intervalo de 4 semanas (28 dias) entre doses. 

A escolha do início e do término do protocolo depende de vários fatores: 

  • Avaliação de risco versus benefício para o paciente;
  • Interferência provável de anticorpos maternos; 
  • Agente etiológico para qual se almeja a proteção*; 
  • Bula do produto escolhido

*Agentes vivos atenuados podem induzir uma resposta vacinal com uma única dose, desde que não haja interferência de anticorpos maternos. Já agentes inativados (mortos) precisam sempre de, no mínimo, 2 doses para induzir a resposta imune. Importante na hora da decisão pelo uso de vacinas contendo cepas de leptospirose, por exemplo1,2.

Pontos de atenção:

  • Booster vacinal: aos 6 ou aos 12 meses de idade é imprescindível para que se garanta uma resposta imune adequada2.
  • Testes sorológicos: recomendado para as cepas essenciais para verificar a necessidade de doses adicionais3.
  • Embora as guidelines tragam a possibilidade de reforços bianuais ou trienais, é importante sempre se informar se o fabricante respalda essa prática em bula. Os guidelines deixam claro a necessidade de termo de consentimento, caso não haja respaldo em bula e se opte por práticas desse tipo1,2.

Tecnologia Recombinante - Produção e Mecanismo de Ação4

Proteção precoce na presença dos anticorpos maternos6.

RECOMBITEK® promove uma proteção rápida e constante contra cinomose mesmo na presença dos anticorpos maternos6.

RECOMBITEK® C4

  • Tecnologia cinomose recombinante que induz imunidade na presença de anticorpos maternos4,6,8.
  • Alta concentração de parvovírus, garantindo uma excelente eficácia, com proteção cruzada comprovada contra CPV-2c7.
  • Processo de filtração melhorado que promove a redução dos debris celulares e proteínas, geralmente relacionadas à dor e inflamação5.
  • Ciência avançada e específica sem a necessidade de adjuvantes5.

Única vacina que protege contra cinomose sem utilizar o vírus inteiro, prevenindo:

  • Imunosupressão transitória8
  • Reversão para virulência8
  • Encefalite pós vacinal8
  • Transmissão viral8

As vacinas recombinantes oferecem uma excelente imunogenicidade sem utilizar organismos inteiros, mortos ou vivos modificados9.

Richard B. Ford, DVM, MS, DACVIM, DACVPM (Hon), Professor of Medicine, College of Veterinary Medicine, North Carolina State University

Referências bibliográficas:

1. Greene, C.; Levy, J. Immunoprophylaxis. In: Greene, C.;Sykes, J. Infectious Diseases of the Dog and Cat 4th Edition, Missouri, Saunders, 2011, p.1163 – 1205.

2. Day, M.D. et al. Guidelines for the Vaccination of Dogs and Cats compiled by the Vaccination Guidelines Group (VGG) of the World Small Animal Veterinary Association (WSAVA). Journal of Small Animal Practice Vol. 57 January 2016.

3. Ford, R. et al. 2017 AAHA Canine Vaccination Guidelines. In: www.aaha.org/aaha-guidelines/vaccination-canine-confi guration/vaccination-canine/ Guías de Vacunación COLAVAC-FIAVAC Compendio regional de estudios y recomendaciones inmunización en perros y gatos. In: www.fi avac.org/ guias.php.

4. Pardo MC, Bauman JE, Mackowiak M. Protection of dogs against canine distemper by vaccination with a canarypox virus recombinant expressing canine distemper virus fusion and hemagglutinin glycoproteins. Am J Vet Res. 1997;58(8):833-836.

5. RECOMBITEKR C3 product label.

6. Pardo MC, Bauman JE, Mackowiak M. Immunization of puppies in the presence of maternally derived antibodies against canine distemper virus. J Comp Path. 2007;137:S72-S75.

7. Brunet, S. et al. Effi cacy of vaccination with a canine parvovirus type 2 against a virulent challenge with a CPV type 2c (Glu426). Merial S.A.S, 254 rue Marcel Mérieux, 69007, Lyon, France.

8. Larson LJ, Schultz RD. Effect of vaccination with recombinant canine distemper virus vaccine immediately before exposure under shelterlike conditions. Veterinary Therapeutics 2006;7:113-118.

9. Ford RB. Recombinant technology: Reducing the risk of injection-site infl ammation with adjuvant-free vaccines. Clinician’s Update; Clinician’s Brief. March 2006.