Chartreux

Nome da Raça

Chartreux

Peso

Fêmeas: 3-7,5 kg. Machos: 3-7,5 kg

Altura

Fêmeas: 22-30 cm. Machos: 22-30 cm

Temperamento

Tranquilo, independente e solitário

Introdução

Origem

Trata-se de uma raça muito antiga. Antigamente, a sua pelagem lanosa, colorida e tosquiada era vendida como pele de lontra! Supõe-se que esta raça existe na França há alguns séculos.

No século XVI, Joachim Du Bellay chorou pela morte do seu pequeno gato cinzento, Belaud. No século XVIII, em A História Natural, Buffon refere-se ao Chartreux como o “Gato da França”, enquanto Linné distingue-o do gato Angorá pela denominação Felis cattus caeruleus ou “Gato Azul”.

Levantaram-se inúmeras hipóteses para a origem deste gato. De acordo com a lenda, teria sido criado pelos monges da ordem da Cartuxa que o tinham trazido da África do Sul. Segundo algumas opiniões, a origem do nome está relacionada com o fato da sua pelagem densa e lanosa recordar um tecido de lã, denominado pile desChartreux. Já para outros, como Fitzniger, seria o resultado do cruzamento entre o gato Manul e o gato Egípcio. De fato, os seus antepassados poderiam ser originários das rudes regiões montanhosas do Irã, Síria e Turquia, onde teriam adquirido a sua espessa pelagem.

Na década de 1920, alguns criadores franceses realizaram cruzamentos com Persas. O verdadeiro programa de criação só teve início em 1926, quando as irmãs Léger começaram a trabalhar com gatos azuis acinzentados que viviam naturalmente em Belle-Ile, no Morbihan. Depois de ter definido as suas características morfológicas, o Dr. Jumaud (1930) atribui-lhes o nome Felix cattus cartusinorum.

O primeiro standard da raça foi redigido em 1939. Nas décadas de 60 e 70, os cruzamentos com Bristish Shorthair Blue eram tão frequentes que a F.I.Fe decidiu, em 1970, combinar as duas raças.

Iria assim desaparecer o Chartreux? J. Simmonet, Presidente do Clube do Gato de Chartreux provou a autenticidade desta antiga raça francesa, levando novamente a F.I.Fe a separá-las e a proibir as mestiçagens. Os primeiros Chartreux chegaram aos Estados Unidos em 1970. A C.F.A. e a T.I.C.A. reconheceram a raça.

Outra designação

Gato de Chartreux (Cartuxa)

País de origem

França

Características gerais

Aspectos raciais

Corpo robusto e maciço, especialmente nos machos, composto de estrutura óssea forte, musculatura densa e sólida. Seu pelo é curto e sua pelagem lustrosa, espessa, densa como a da lontra, compacta, impermeável, ligeiramente eriçada devido ao abundante subpelo. A coloração admite todos os tons de azul, desde o azul acinzentado claro a escuro. No entanto, dá-se preferência ao azul acinzentado claro. A uniformidade da cor é essencial. A pele do nariz é azul acinzentada e os coxins plantares são rosados. As crias nascem com marcas “tabby”, que vão desaparecendo entre os 6 meses a 1 ano de idade. A tonalidade laranja dos olhos torna-se definitiva a partir dos 3 meses, tomando o lugar do azul acinzentado, cor típica dos olhos dos gatinhos. Olhos grandes, arredondados, com o canto exterior ligeiramente desviado para cima.

A cabeça grande, arredondada, mas não esférica, com a forma de um trapézio invertido com um espaço estreito e plano entre as orelhas. Nariz reto, largo, não arrebitado, stop pouco acentuado. Dá-se preferência à ausência de stop.

Patas de tamanho médio, sendo as posteriores ligeiramente mais compridas que as anteriores. Pés pequenos, redondos e largos. Coxins plantares negros. Cauda de comprimento médio, grossa na base, afilando em direção à extremidade arredondada.

Pelo

Curto

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

Os gatos da raça Chartreux são frequentemente descritos por seus tutores como gatos equilibrados, calmos, independentes, com uma personalidade forte e que não miam muito. Ele raramente usa sua voz, preferindo dirigir suas ações com um olhar. Reservado, solitário, aprecia a tranquilidade. É afetuoso e muito dedicado ao dono.

Robusto, rústico, vivo, está perfeitamente adaptado ao frio. A vida ao ar livre permite-lhe revelar os seus instintos de caçador e assegurar a qualidade e o aspecto lanoso da sua pelagem. No entanto, é preciso salientar que o sol pode criar reflexos castanhos na pelagem.

Só atinge a maturidade por volta dos 2 ou 3 anos de idade. Eles se dão bem com outros animais de estimação, quando devidamente introduzidos e gostam de fazer parte de uma família.

Manutenção fácil. Os cuidados com a higiene corporal, oral, alimentação e hidratação são extremamente importantes. A raça apresenta pelagem curta, necessitando de apenas uma escovação semanal. A muda de pelo é bastante significativa.

A higiene oral diária evita doenças periodontais. A ração deve ser de boa qualidade e a hidratação deve estar sempre disponível.

Manter o animal domiciliado para protegê-lo de doenças propagadas por outros gatos, ataques de cães e acidentes automobilísticos.

A vacinação e desverminação devem sempre estar em dia. Visitas periódicas ao veterinário são bem-vindas, mesmo que seja para um simples “check-up”. Sua expectativa de vida varia, em média, de 11 a 15 anos.

Sensibilidade a fármacos

Os felinos apresentam respostas diferentes daquelas manifestadas pelos cães quando submetidos à administração de diversos fármacos.

A intoxicação de gatos medicados com drogas, como o paracetamol, o ácido acetilsalicílico e a dipirona por seus donos é bastante frequente, podendo por vezes levar o animal a óbito. Por outro lado, sabe-se hoje que drogas anteriormente contraindicadas para gatos, como os opioides, podem ser usadas com segurança nas doses recomendadas para felinos.

Para isso, é necessária a constante busca por atualização por parte dos veterinários nessa área, que é tão pouco discutida, mas que vem ganhando importância cada vez maior com o crescente número da população felina.

As doses de muitos medicamentos utilizados em felinos são obtidas a partir daquelas utilizadas para cães, podendo desencadear reações adversas nesses animais. Essas manifestações ocorrem devido às diferenças no metabolismo entre as espécies.

Gatos apresentam uma deficiência relativa na atividade de algumas enzimas, como a glicuronil transferase, que catalisam as reações de conjugação mais importantes no metabolismo de fármacos dos mamíferos.

Além disso, estes animais são muito suscetíveis à metahemoglobinemia e à formação de corpúsculos de Heinz após a administração de alguns fármacos, por possuir um número maior de grupos sulfidril nas hemácias, comparado com cães e humanos.

Dessa forma, é importante que o médico veterinário esteja atento a essas peculiaridades metabólicas dos gatos para melhor atender e informar seus clientes

Predisposição à doenças

A raça pode ser acometida por uma patologia de origem genética/congênita, a luxação de patela.

A luxação de patela pode ser hereditária e pode variar de leve a grave. É uma condição em que a patela se desloca ou move para fora de sua localização normal. A luxação é geralmente medial, mas em algumas ocasiões pode ser lateral. Em casos congênitos e hereditários, geralmente é visto como uma doença bilateral (afetando os membros pélvicos) e pode resultar em claudicação.

Os sinais podem ser intermitentes ou permanentes (luxação completa e persistente). O diagnóstico é simples, com base na palpação da articulação femuro-tibio-patelar e por meio de radiografias, que podem ser necessárias em alguns casos. Os casos graves podem ser aliviados com cirurgia.

Referências bibliográficas

CAT Time. Chartreux. Disponível em: http://www.cattime.com/cat-breeds/chartreux-cats#/slide/1. Acesso em: 13 mar. 2017.

ENCICLOPEDIA Gato. Chartreux. Disponível em: http://www.enciclopediagato.royalcanin.com.br/. Acesso em: 7 mar. 2017.

HASS, R. A. Metabolismo de Fármacos por Felinos – revisão de literatura. 2011. 36f. Monografia (Especialização Clínica Médica de Pequenos Animais) – Universidade Federal do Semi-Árido, Mossoró.

Imagem disponível em: http://catguide.com/wp-content/uploads/2017/02/14714005164_2e75e83acf_z.jpg.