Somali

Nome da Raça

Somali

Peso

Fêmeas: 3,5-5,5 kg. Machos: 3,5-5,5 kg

Altura

Fêmeas: 31-32 cm. Machos: 31-32 cm

Temperamento

Ativo, equilibrado e calmo

Introdução

Origem

Nas ninhadas de Abissínios desde sempre surgiram (com um tipo muito mais substancial que o atual) gatinhos de pelo suave e semilongo. Mas os criadores os consideravam sem interesse e não os incluíam na reprodução.

O gene responsável por pelo comprido teria sido introduzido pelo cruzamento entre o Abissínio e gatos de pelo comprido (Persas ou Angorás). No Canadá, apenas na década de 1960 que os criadores Don Richings, Mary Mailing e o juiz KenMacGill mostraram interesse por estes novos gatos.

Em 1976, a criadora norte-americana Evelyn Mague conseguiu fixar o caráter do pelo semilongo do Abissínio. A nova raça foi batizada com o nome Somali, como referência ao país vizinho da Etiópia, de onde se supõe ser originário o Abissínio. E. Mague criou o gatil LynnLee’s assim como o primeiro clube da raça nos Estados Unidos. Expôs o primeiro Somali em 1972.

A C.F.A. reconheceu a raça em 1977. Lynn Lee’s Picasso e Lynn Lee’s Pearl, dois Somalis provenientes do gatil de E. Mague, chegaram à França em 1979. A F.I.Fe homologou a raça em 1983. Este gato tem registrado um interesse crescente por parte do público.

Outra designação

Longhaired Abyssinian

País de origem

Estados Unidos da América

Características gerais

Aspectos raciais

Corpo de tamanho médio e musculatura forte com tipo semiestrangeiro, gracioso. Seu pelo é semilongo, denso, muito fino e suave. Pelo curto na face, zona anterior dos membros e ombros; semilongo no dorso, flancos, peito e ventre. Comprido no pescoço, zona posterior das coxas e na cauda (penacho). A pelagem ticking, ou seja, presença em cada pelo de uma alternância de faixas escuras e claras. No mínimo, 2 a 3 faixas podendo chegar até 8. A extremidade do pelo deve apresentar uma faixa escura. As variedades são: lebre (usual na Grã-Bretanha, ruddy nos Estados Unidos) com faixas negras e cor de alperce, azul com faixas azul ardósia e creme, sorel (red nos Estados Unidos) com faixas chocolate e cor de alperce, bege (fawn) com faixas bege escuro e claro, silver sorel com faixas chocolate e brancas, silver azul com faixas azuis e brancas.

A cabeça vista de frente forma um triângulo de contornos arredondados. De perfil, apresenta uma curvatura suave. Orelhas grandes, largas na base, bastante espaçadas, com pontas ligeiramente arredondadas. “A marca do polegar” é desejável da parte posterior da orelha. São apreciados os penachos nas extremidades. Os olhos grandes, amendoados, bastante espaçados, sublinhados por um curto traço vertical (vestígio do “M” nos gatos tabby). Cor: âmbar, verde. Nariz de comprimento médio, sem stop.

Patas longas, finas e bastante musculosas. Pés compactos e ovais. Parece caminhar na ponta dos pés. Cauda longa, erguida e muito peluda, como a da raposa.

Pelo

Longo

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

Trata-se de um gato muito vivo e ativo, mas não exuberante. Robusto, equilibrado, com um caráter pacífico, é mais calmo que o Abissínio. Dotado de um temperamento meigo e sociável. Muito brincalhão, convive bem com as crianças.

Meigo, muito afetuoso, requer muita atenção, mas se mostra menos possessivo que o Abissínio. Embora receie um pouco o frio, não suporta a vida em apartamento. Grande caçador, convirá dispor de um jardim.

Manutenção moderada. Sua pelagem requer apenas uma escovagem semanal. Em período de muda, deverá ser feita diariamente. As crias nascem praticamente bicolores: escuros na parte superior e claros nas zonas em declive. O ticking vai-se instalando de forma progressiva. De igual forma, a pelagem só atinge o comprimento e aspecto definitivo durante o segundo ano de vida.

Eles se dão bem com outros animais de estimação, quando devidamente introduzidos e gostam de fazer parte de uma família. Os cuidados com a higiene corporal, oral, alimentação e hidratação são extremamente importantes.

A higiene oral diária evita doenças periodontais. A ração deve ser de boa qualidade e a hidratação deve estar sempre disponível.

Manter o animal domiciliado para protegê-lo de doenças propagadas por outros gatos, ataques de cães e acidentes automobilísticos.

A vacinação e desverminação devem sempre estar em dia. Visitas periódicas ao veterinário são bem-vindas, mesmo que seja para um simples “check-up”. Sua expectativa de vida varia, em média, de 11 a 16 anos.

Sensibilidade a fármacos

Os felinos apresentam respostas diferentes daquelas manifestadas pelos cães quando submetidos à administração de diversos fármacos.

A intoxicação de gatos medicados com drogas como o paracetamol, o ácido acetilsalicílico e a dipirona por seus donos é bastante frequente, podendo, por vezes, levar o animal a óbito. Por outro lado, sabe-se hoje que drogas anteriormente contraindicadas para gatos, como os opioides, podem ser usadas com segurança nas doses recomendadas para felinos.

Para isso, é necessária a constante busca por atualização por parte dos veterinários nessa área, que é tão pouco discutida, mas que vem ganhando importância cada vez maior com o crescente número da população felina.

As doses de muitos medicamentos utilizados em felinos são obtidas a partir daquelas utilizadas para cães, podendo desencadear reações adversas nesses animais. Essas manifestações ocorrem devido às diferenças no metabolismo entre as espécies.

Gatos apresentam uma deficiência relativa na atividade de algumas enzimas, como a glicuronil transferase, que catalisam as reações de conjugação mais importantes no metabolismo de fármacos dos mamíferos.

Além disso, estes animais são muito suscetíveis à metahemoglobinemia e à formação de corpúsculos de Heinz após a administração de alguns fármacos, por possuir um número maior de grupos sulfidril nas hemácias, comparado com cães e humanos.

Dessa forma, é importante que o médico veterinário esteja atento a essas peculiaridades metabólicas dos gatos para melhor atender e informar seus clientes.

Predisposição à doenças

A raça apresenta duas incidências patológicas que têm origem genética. As doenças que afetam o Somali são: a deficiência de piruvato quinase (PKD) e a atrofia retiniana progressiva.

A PKD é hereditária, de caráter autossômico recessivo, e tem sido relatada em muitos países em todo o mundo. Dados sugerem que 15 a 30%, ou mais, dos gatos Abissínio e Somali sejam portadores do gene defeituoso. Afeta tanto os machos quanto fêmeas e ocorre mais frequentemente na raça Somali que em outras raças de gatos. A PK é uma enzima encontrada dentro dos glóbulos vermelhos (eritrócitos) na circulação, o que lhes permite produzir energia para sobreviver. Se esta enzima faltar, a viabilidade dos glóbulos vermelhos é reduzida, resultando em uma redução no número desses na circulação (anemia). Felizmente existe um teste genético (DNA) confiável para a deficiência de PK. É importante realizar o teste genético naqueles animais que se destinam à reprodução, de modo que a reprodução seletiva pode ser realizada para reduzir gradualmente o número de portadores e assim reduzir o risco de gatos afetados ao nascer. Embora a doença possa ser leve, em ocasiões pode produzir anemia com risco de vida.

A atrofia retiniana progressiva é o termo usado para descrever um grupo de distúrbios genéticos que resultam em degeneração e atrofia da retina. Isso pode levar a um declínio progressivo na qualidade da visão e, em alguns casos, pode levar à cegueira. Os proprietários podem tomar consciência dessa condição quando a visão fica significativamente prejudicada e, por exemplo, o gato pode começar a se desorientar ou colidir com objetos. Um teste genético também está disponível para essa afecção.

Referências bibliográficas

CAT Time. Somali. Disponível em: http://www.cattime.com/cat-breeds/somali-cats#/slide/1. Acesso em: 13 abr. 2017.

HASS, R. A. Metabolismo de Fármacos por Felinos – revisão de literatura. 2011. 36f. Monografia (Especialização Clínica Médica de Pequenos Animais) – Universidade Federal do Semi-Árido, Mossoró.

INTERNATIONAL Cat Care. Progressive Retinal Atrophy. Disponível em: https://www.icatcare.org/advice/cat-health/progressive-retinal-atrophy. Acesso em: 8 abr. 2017.

UFAW. Genetic Welfare Problems of Companion Animals. Disponível em: https://www.ufaw.org.uk/cats/somali---pyruvate-kinase-deficiency-. Acesso em: 22 abr. 2017.

Imagem disponível em: https://phz8.petinsurance.com/-/media/all-phz-images/2016-images-breeds-850/somali850.jpg.