Rottweiler

Nome da Raça

Rottweiler

Porte

Grande

Peso

Fêmeas: 34-48 kg. Machos: 50-60 kg

Altura na Cernelha

Fêmeas: 56-63 cm. Machos: 61-68 cm

Nível de atividade

Muito Alta

Temperamento

Autoconfiante, protetor e leal

Adestrabilidade

Muito Alta

Introdução

Origem

O Rottweiler figura entre as raças mais antigas. Sua origem remonta à época dos romanos, onde foi criado como um cão de guarda e boiadeiro. Esses cães imigraram com as legiões romanas através dos Alpes, guardando homens e tocando o rebanho.

Nos arredores de Rottweil, Alemanha, eles se encontraram com os cães da região. Houve, então, uma miscigenação, formando a raça com conhecemos atualmente.

Estes cães passaram a serem chamados de Rottweiler por causa da antiga cidade de Rottweil, Rottweiler Metz-gerhund (Cão de açougueiro de Rottweil). Os açougueiros criavam esta raça por pura exibição, sem qualquer utilidade específica.

Assim, no decorrer do tempo, este cão de passeio passou a ser mais utilizado como cão de tração. No início do século, quando se pesquisaram diversas raças para a função policial, o Rottweiler também foi avaliado, demonstrando-se extraordinariamente adequado às tarefas do serviço policial. Por esta razão, no ano de 1910, foi oficialmente reconhecido como um cão policial.

A raça foi reconhecida pela AKC em 1931 e pela FCI em 1º de janeiro de 1955.

Nome original

Rottweiler

País de origem

Alemanha

Características gerais

Aspectos raciais

É um cão robusto de porte grande, sem ser leve, grosseiro, pernalta ou esguio. Sua estrutura, em proporções corretas, forma uma figura compacta, forte e bem proporcionada, revelando potência, agilidade e resistência

Sua cabeça é formada por um crânio de comprimento médio, largo entre as orelhas. Visto de perfil, a linha da testa é moderadamente arqueada. Occipital é bem desenvolvido, sem ser muito protuberante, e o stop é bem definido. Seu focinho possui uma trufa bem desenvolvida, mais para larga que para redonda, com narinas relativamente grandes e sempre de cor preta. Não deve parecer alongado nem curto em proporção ao crânio. Cana nasal reta, larga na raiz, diminuindo moderadamente em direção à trufa. Os lábios são pretos, ajustados, comissura labial fechada, gengivas escuras. Os maxilares e dentes são fortes e largos e os incisivos apresentam mordedura em tesoura. Os olhos são de tamanho médio, amendoados, de cor marrom profundo e pálpebras bem ajustadas. As orelhas também são de tamanho médio, pendentes, triangulares, bem separadas, de inserção alta. O crânio aparenta ser mais largo quando as orelhas estão voltadas para frente e caídas bem rentes à face.

O pescoço é forte, moderadamente longo, bem musculoso, com uma linha superior ligeiramente arqueada; seco, sem barbelas ou peles soltas. O Tronco possui dorso reto, firme e forte, com o lombo curto, forte e profundo. A região da garupa é larga, de comprimento médio; ligeiramente arredondada e de angulação mediana. O peito é largo e profundo (aproximadamente a metade da altura na cernelha), com antepeito bem desenvolvido e costelas bem arqueadas. A cauda em condições naturais, é horizontal como prolongamento da linha superior e em repouso pode ser pendente.

O Rottweiler é um trotador. O dorso permanece firme e relativamente imóvel. A evolução dos movimentos é harmônica, segura, forte e fluente, com um bom alcance de passada

Os membros anteriores vistos de frente, são retos e moderadamente afastados. Vistos de perfil, antebraços retos e verticais. As escápulas formam um ângulo próximo a 45º com a horizontal. Os ombros são bem colocados, braços junto ao corpo e antebraços fortemente desenvolvidos e musculosos. Os metacarpos são fortes, ligeiramente flexíveis e oblíquos e as mãos arredondadas, bem fechadas e arqueadas, com coxins plantares duros, unhas curtas, pretas e fortes. Os membros posteriores vistos por trás, são retos e moderadamente afastados. Em posição ortostática, a coxa forma um ângulo obtuso com a garupa e com a perna, assim como a perna com o jarrete. Os pés são um pouco mais alongados que as mãos, mas igualmente bem fechadas e arqueadas, com dedos fortes.

A pele é bem ajustada ao corpo, podendo, quando em atenção, apresentar leves rugas na cabeça. A pelagem do Rottweiler é formada por pelo e subpelo. O pelo é rijo, de comprimento médio, denso e assentado. Nos membros posteriores o pelo é um pouco mais longo. O subpelo não deve ultrapassar o comprimento da pelagem externa. A coloração da pelagem é preta, com marcações bem delimitadas numa rica coloração de castanho nas faces, focinho, garganta, peito e pernas, bem como acima dos olhos e sob a raiz da cauda.

Pelo

Curto

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

O Rottweiler é um cão basicamente, amigável e pacífico, muito apegado à família, fácil de se conduzir e ávido por trabalho. Sua estampa revela primitivismo e autofiança, com coragem e nervos firmes. Sempre atento a tudo que o cerca, reage com grande presteza. É um formidável cão de guarda que fará tudo para proteger seu dono e sua casa. É um cão que não se dá bem com estranhos e caso sinta-se em perigo, não hesitará em colocar-se de frente contra a ameaça. Contrariamente às crenças populares e apesar de sua aparência dissuasiva, é um companheiro muito carinhoso. Curioso, se dá bem com crianças e animais menores que ele, porém requer atenção e supervisão de algum responsável sempre durante estes momentos para evitar acidentes.

Muito inteligente e seguro de si mesmo, o Rottweiler deve ser educado o mais rápido possível, pois é um cão de natureza muito dominante. Precisa de um dono experiente, com muito pulso e autoridade. No entanto, é um cão trabalhador, dócil e tolerante na aprendizagem, daí o seu uso frequente na polícia

O Rottweiler não deve passar o tempo todo sozinho, excluído do convívio da família. Se mantidos isoladamente, podem desenvolver rapidamente traços desagradáveis. Necessitam de seções diárias de exercícios sólidos além de caminhadas para se manterem equilibrados física e mentalmente. Sua pelagem curta precisa de pouca manutenção além da higiene semanal regular com uma escova e o banho ocasional.

Sensibilidade a fármacos

Não relatada

Predisposição à doenças

Cardiovasculares

Estenose aórtica

  • Congênita
  • Não há predileção sexual
  • O modo de herança é possivelmente autossômico dominante com genes modificadores ou poligênicos

Fibrilação atrial idiopática

  • Machos mais frequentemente afetados

Cardiomiopatia dilatada

  • Maior prevalência nos machos
  • Idade média ao diagnóstico de 7 anos

Dermatológicas

Lipidose folicular

  • Suspeita de predisposição genética
  • Afeta cães jovens de qualquer sexo

Paraqueratose folicular

  • Fêmeas mais predispostas
  • Possível modo de herança ligado ao cromossomo X

Foliculite / Furunculose (Acne Canina)

  • Traumas locais, hormônios e genética podem desempenhar um papel na patogenia

Hipopigmentação mucocutânea

  • Congênita nesta raça
  • Afeta os lábios e focinho

Hipotricose congênita

  • Presente no nascimento ou se desenvolve no primeiro mês da vida
  • Maior predisposição para machos sugere ligação sexual

Distúrbios hipopigmentares

  • Possivelmente herdado

Vitiligo

  • Presumido ser hereditário

Onicodistrofia

Endócrinas

Hipoadrenocorticismo

  • As fêmeas mais predispostas
  • - Maior incidência em animais castrados (aproximadamente 3 vezes mais, tanto machos quanto fêmeas)
  • - Mais frequente em cães jovens e de meia idade

Gastrointestinais

Gastroenterite eosinofílica, enterite e enterocolite

  • Predisposição da raça
  • Mais comum em cães de 5 anos ou menos

Granuloma eosinofílico gastrointestinal

  • Possível predisposição da raça
  • Mais comum em cães jovens e de meia idade

Hepatite dissecante lobular

  • Possível predisposição da raça
  • Visto principalmente em cães jovens (7 meses ou mais jovens)
  • Fêmeas possivelmente mais predispostas

Síndrome hipereosinofílica dos Rottweilers

  • Causa de esplenomegalia infiltrativa não neoplásica
  • Caracterizada por eosinofilia periférica, hiperplasia na medula óssea dos precursores eritroides e infiltração de múltiplos órgãos por eosinófilos maduros

Hematológicas e imunológicas

Susceptibilidade ao Parvovirus canino

  • Raça suscetível a graves e muitas vezes fatais infecções por Parvovírus canino tipo 2
  • - Causa sérios quadros de enterite
  • - Afeta normalmente cães jovens

Musculoesqueléticas

Displasia do cotovelo

  • Predisposição genética
  • A doença do processo coronóide medial é comum nesta raça

Poliarrite / meningite

  • - Idiopática
  • Afeta cães de 6 – 9 meses de idade

Sesamoidite crônica

  • Presente em 44% dos Rottweilers em um estudo
  • Não necessariamente associada à claudicação

Osteocondrose de Hock

  • Doença comum
  • Afeta as cristas trocleares medial e lateral

Ruptura do ligamento cruzado craniano

  • Causa comum da claudicação dos membros posteriores
  • Animais castrados podem estar mais predispostos
  • Cães jovens podem estar predispostos

Displasia coxofemoral

  • Elevada prevalência nesta raça

Discoespondilite

  • Pode afetar cães de qualquer idade mas mais comum no adultos
  • Média de aparecimento da doença de 5 anos

Neoplásicas

Carcinoma de células escamosas

  • Possível predisposição da raça
  • Cães mais velhos são mais predispostos

Histiocitoma cutâneo canino

  • Mais comum em cães jovens 1-2 anos de idade

Osteossarcoma

  • Os machos podem estar mais predispostos

Neurológicas

Surdez congênita

  • Sinais vistos desde o nascimento

Subluxação Atlantoaxial

  • Congênita
  • Idade do início clínico: < 1 ano

Vacuolização neuronal e degeneração espinocerebelar

  • Doença degenerativa, multifocal e progressiva do SNC, de etiologia desconhecida
  • Achados histopatológicos de vacúolos intraneuronais primariamente em tronco encefálico, cerebelo e substância cinzenta da medula espinal

Doença do disco intervertebral (DDIV)

  • Predisposição elevada na raça
  • Adultos afetados

Malformação vertebral cervical (Síndrome Wobbler)

  • Predisposição da raça

Oftálmicas

Entrópio

  • Predisposição da raça
  • Herança poligênica provável

Distiquíase

  • Predisposição da raça
  • Modo de herança não está claramente estabelecida

Ulceração corneana refratária

  • Idade de início: 5 – 10 anos

Coloboma da íris

  • Congênito
  • Pode ser visto com outros defeitos oculares

Catarata

  • Suspeita de herança genética
  • Idade do início: < 2 anos
  • Progressão lenta

Displasia retinal multifocal

  • Condição congênita autossômica recessiva

Atrofia generalizada progressiva da retina

  • Modo de herança desconhecido, mas presumido recessivo
  • Geralmente diagnosticada após os 3 anos de idade

Descolamento da retina

  • Visto aos 2 – 3 anos de idade
  • Pode ser associado a anormalidades vitreais

Renais e urinárias

Doença renal familiar

  • Insuficiência renal crônica relatada em cães entre 6 – 12 meses
  • Doença glomerular primária
  • Possível predisposição das fêmeas

Respiratórias e pneumológicas

Paralisia laringiana-polineuropatia complexa

  • Congênita
  • Incapacidade das cartilagens aritenoides em abduzir durante a inspiração
  • Provoca obstrução das vias respiratórias anteriores
  • Associada a polineuropatia

Hipoplasia traqueal

  • Pode ser congênita
  • Pode ser congênita

Broncopneumopatia eosinofílica

  • Infiltração eosinofílica do pulmão e da mucosa brônquica
  • Geralmente adultos jovens, 4 a 6 anos de idade

Referências bibliográficas

http://cbkc.org/application/views/docs/padroes/padrao-raca_60.pdf

http://www.akc.org/dog-breeds/rottweiler/

http://www.amrottclub.org/

https://www.chien.fr/race/rottweiler/

JERICÓ, Márcia Marques; ANDRADE NETO, João Pedro de; KOGIKA, Márcia Mery. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015.

GOUGH, Alex; THOMAS, Alison. Breed Predisposition to Disease in Dogs and Cats.1. Ed. Oxford:Blackwell Publishing Ltd, 2004 – páginas 127 à 129 .

NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

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