São Bernardo

Nome da Raça

São Bernardo

Porte

Gigante

Peso

Fêmeas: 50-75 kg. Machos: 55-90 kg

Altura na Cernelha

Fêmeas: 65-80 cm. Machos: 70-90 cm

Nível de atividade

Moderada

Temperamento

Amigável, paciente e extrovertido

Adestrabilidade

Alta

Introdução

Origem

No alto da grande passagem Alpina de São Bernardo, na Suíça, a 2469 metros acima do nível do mar, um hospício foi fundado por monges no século 11 como um lugar de refúgio para viajantes e peregrinos. Lá, grandes cães de montanha foram mantidos desde os meados do século 17 para a guarda e proteção. A existência de tais cães foi documentada através de imagens desde o ano1695 em documentos.

Os cães foram utilizados também como cães de companhia e especialmente como cães de resgate para os viajantes perdidos na neve e em nevoeiros. As crônicas sobre as numerosas vidas humanas salvas por estes cães da "morte branca", publicadas em diversos idiomas, e os relatos verbais dos soldados que atravessaram a passagem com o exército de Napoleão Bonaparte em 1800, difundiram o fama do São Bernardo, chamado naquele tempo de cão Barry, por toda a Europa durante o século 19.

O lendário cão Barry tornou-se o símbolo do cão de resgate. Os antepassados diretos do São Bernardo eram os grandes cães de fazenda comuns naquela região. Dentro de algumas gerações e visando um tipo ideal definido, estes cães foram desenvolvidos para o atual tipo de raça.

Heinrich Schumacher, da cidade de Holligen, perto de Berna, foi o primeiro a começar a emitir documentos genealógicos para seus cães em 1867. Em fevereiro de 1884 o "Schweizerisches Hundestammbuch", o livro de registro suíço, foi iniciado. No dia 15 de março de 1884, o St. Bernards-Club foi fundado na Basiléia. Por ocasião de um congresso canino internacional em 2 de junho de 1887, o cão São Bernardo foi oficialmente reconhecido como uma raça suíça e desde então, o São Bernardo tem sido considerado como o cão nacional suíço.

A raça São Bernardo foi reconhecida pela AKC em 1885 e pela FCI em 1954.

Nome original

St. Bernhardshund / Bernhardiner

País de origem

Suíça

Características gerais

Aspectos raciais

Existem duas variedades do São Bernardo: a variedade de pelo curto, com pelagem dupla, chamada de Stockhaar e a variedade de pelo longo. Ambas as variedades são de tamanho considerável e de aparência impressionante. Têm um corpo equilibrado, poderoso, resistente e musculoso e uma expressão facial de alerta.

A cabeça do São Bernardo é poderosa, imponente e muito expressiva. Possui um crânio forte, largo, visto de perfil e de frente ligeiramente arredondado. Quando o cão está em alerta, o encaixe das orelhas e o topo do crânio formam uma linha reta, que se inclina nos lados em uma curva para as bochechas elevadas e fortemente desenvolvidas. A testa caindo abruptamente em direção ao focinho. O osso occipital somente moderadamente desenvolvido, e as cristas superciliares bem desenvolvidas. O sulco frontal, que começa na base da testa, é distintamente desenvolvido e corre no meio do crânio. A pele da testa forma pequenas rugas acima dos olhos que convergem para o sulco frontal. Quando o cão está em atenção, são moderadamente visíveis caso contrário, eles são bastante imperceptíveis. O stop é distintamente pronunciado. O focinho possui uma trufa preta, larga e quadrada com narinas bem abertas. De largura uniforme, a ponte nasal é em linha reta, com leve sulco. A borda dos lábios é pigmentada da cor preta, fortemente desenvolvidos, firmes e não muito pendulares, formando uma ampla curva em direção à trufa, sendo que os cantos da boca permanecem visíveis. Os Maxilares superior e inferior são fortes, largos, e iguais em comprimento. Mordedura é em tesoura ou pinça (torquês) bem desenvolvida, regular e completa. Boca bem ajustada com prognatismo inferior sem nenhum espaço entre os incisivos inferiores e os superiores é aceitável.

Os olhos são de médio porte, cor marrom escuro a castanho, com as bordas completamente pigmentadas. As orelhas são têm tamanho médio, inseridas altas e largas com as cartilagens fortemente desenvolvidas. São flexíveis, triangulares, com as extremidades arredondadas. As bordas traseiras são ligeiramente em pé, e as bordas dianteiras são assentadas próximo às bochechas.

O pescoço é forte e de comprimento suficiente. A barbela e pele solta no pescoço são moderadamente desenvolvidas. O tronco é imponente, equilibrado, impressionante e bem músculos, com a cernelha bem definida. O dorso é largo, forte, firme. Linha superior é reta e horizontal até o lombo, com garupa longa, pouco inclinada, fundindo suavemente com a raiz da cauda. A ponta do peito é moderadamente profunda com costelas bem arqueadas, mas não em forma de barril. Não se projeta abaixo do nível do cotovelo. A cauda é larga, forte, comprida e pesada. A última vértebra alcança pelo menos a articulação do jarrete. Quando em repouso, a cauda pende para baixo ou ligeiramente para cima no seu terço final.

Os membros anteriores vistos de frente são retos e paralelos. Verticalmente são moderadamente largos. As escápulas são oblíquas, musculosas e bem unidas à parede torácica. O ângulo entre a escápula e o braço não é muito brusco. Os cotovelos são bem fechados, e os antebraços retos, com ossos fortes, com musculatura magra. As mãos são largas, com dedos fortes, unidos e bem arqueados. Os membros posteriores são musculosos, com angulação moderada. Visto por trás, são paralelas e não permanecem de pé juntas. As coxas são fortes, musculosas, largas, e os joelhos bem angulados, não se voltando para dentro nem para fora. Os pés são largos, com dedos fortes, unidos e bem arqueados.

O São Bernardo possui um movimento harmônico de longo alcance com boa propulsão dos membros posteriores. O dorso permanecendo estável e firme. Mãos e pés se movimentam para frente em linha reta.

A variedade de pelo curto, Stockhaar, de pelagem dupla, tem o revestimento exterior denso, macio, bem fechado e grosso. Subpelo em abundância e a cauda coberta com densa pelagem. A variedade de pelo longo o revestimento exterior é liso, de comprimento médio e com abundância de subpelo. O Pelo é curto na face e nas orelhas, normalmente um pouco ondulado sobre o quadril e a garupa. Membros anteriores emplumados, posteriores com um bom revestimento e a cauda com pelos em profusão.

Cor principal da pelagem do São Bernardo é a branca com manchas vermelho-claras maiores ou menores (cães de pelagem manchada) a um contínuo manto vermelho claro a escuro cobrindo o dorso e flancos (cães com manto). Podendo também ser um manto falho castanho avermelhado e de mesmo valor. Uma cor rajada castanho avermelhada é permitida. Amarelo acastanhado é tolerado. Sombras escuras na cabeça são desejáveis e um leve toque de sombreamento preto no corpo é tolerado.

Marcações brancas no peito, extremidades dos membros, ponta da cauda, faixa do focinho, listra na cabeça e mancha no pescoço são obrigatórias, sendo um colarinho branco e uma máscara escura simétrica desejáveis.

Pelo

Semi-longo

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

O São Bernardo é um cão amigável, de temperamento calmo, astuto e vigilante. Dócil e pacífico às vezes é um pouco teimoso.

Pouco agressivo por natureza, é particularmente gentil com crianças, sendo considerado como um “cão babá”. Entretanto sabe como ser respeitado se uma pessoa desconhecida se aproximar da casa, sendo assim um bom cão de guarda.

Por sua estatura imponente e sua "cabeça forte", o São Bernardo deve receber uma educação rigorosa e firme, mas sem qualquer relação de força. Caso contrário, a sensação de território muito pronunciada e seu tamanho podem se tornar difíceis de gerenciar na idade adulta.

Embora não sejam muito ativos, eles precisam de exercícios diários, e se contentarão com longas caminhadas e brincadeiras em amplos espaços. Essas atividades são importantes, pois permitem controlar seu peso e, portanto, preservar sua saúde.

Além da escovação semanal regular, o banho ocasional irá mantê-los limpos e com a pelagem saudável.

Sensibilidade a fármacos

Não relatada

Predisposição à doenças

Cardiovasculares

Cardiomiopatia dilatada

  • Maior prevalência com a idade
  • Duas vezes mais comum nos machos que nas fêmeas
  • A deficiência de taurina pode estar associada a cardiomiopatia dilatada nesta raça

Dermatológicas

Foliculite piotraumática

  • Cães jovens predispostos
  • Também conhecido como hot spot, eczema úmido

Síndrome de Ehler-Danlos

  • Também conhecido como astenia cutânea
  • Pode ser herdado como um sistema autossômico dominante
  • Provavelmente letal em homozigotos

Dermatite de calo / pioderma

  • - Mais comum sobre as articulações do cotovelo

Intertrigo

  • Pioderma da dobra lábial

Gastrointestinais

Síndrome dilatação torção vólvulo-gástrica

  • Predisposição de raça

Hematológicas e imunológicas

Hemofilia B

  • Deficiência do Fator IX
  • Também conhecido como Doença de Natal
  • Herança relacionada ao sexo

Musculoesqueléticas

Displasia do cotovelo

  • Também conhecida como osteocondrose
  • Possui predisposição genética
  • A doença do processo coronoide medial é comum na raça

Displasia coxofemoral

  • Elevada prevalência nesta raça

Ruptura do ligamento cruzado craniano

  • Causa comum da claudicação dos membros posteriores
  • Animais castrados podem estar mais predispostos
  • Cães jovens podem estar predispostos

Luxação lateral da patela

  • Também conhecido como genu valgum
  • Pode ser herdado geneticamente

Neoplásicas

Linfoma não epiteliotrópico

  • Afeta cães mais velhos

Linfossarcoma

  • Maior incidência observada nesta raça
  • A maioria dos casos são vistos em cães de meia idade, média 6 – 7 anos

Osteossarcoma

  • Os machos podem estar mais predispostos

Neurológicas

Surdez congênita

  • Sinais vistos desde o nascimento

Epilepsia verdadeira

  • Suspeita de herança genética
  • Idade do início: 6 meses a 3 anos

Narcolepsia-cataplexia

  • Idade do início clínico: inferior a 1 ano

Polineuropatia distal

  • Idade do início clínico: acima de 1 ano

Infarto fibrocartilaginoso

  • Isquemia focal do parênquima medular, devido à obstrução de vasos que irrigam a medula espinal por material fibrocartilaginoso
  • Sugere-se que o material fibrocartilaginoso penetre diretamente a vasculatura arterial e venosa da medula espinal ou vértebras, após aumento da pressão intratorácica e intra-abdominal durante episódios de tosse, esforços, exercício ou trauma, migrando para o interior das artérias e veias espinais
  • Ocorre principalmente em cães jovens mas pode acometer também, cães adultos, tanto machos quanto fêmeas

Oftálmicas

Dermóide

  • Predisposição da raça

Entrópio (Associado à fissura macropalpebral)

  • Herança poligênica provável

Ectrópio (Associado à fissura macropalpebral)

  • Herança poligênica provável

Fissura macropalpebral resultando em combinação entrópio e ectrópio “Olho de Diamante”

  • Predisposição da raça
  • Base genética não entendida completamente

Eversão da cartilagem da terceira pálpebra

  • Possivelmente herdado como um traço recessivo
  • Geralmente ocorre em cães jovens

Catarata

  • Suspeita de herança genética
  • As cataratas subcapsulares posteriores ocorrem entre os 6 – 18 meses e são progressivas
  • As cataratas corticais posteriores são vistas entre 7 – 8 anos, sendo também progressivas

Hipoplasia do nervo óptico

  • Defeito congênito
  • Não conhecido se ocorre herança genética

Reprodutivas

Hiperplasia vaginal

  • Possível predisposição da raça

Respiratórias e pneumológicas

Paralisia laringiana

  • Cães machos e castrados são mais frequentemente afetados
  • Ocorre entre 1,5 a 13 anos
  • Angústia respiratória, principalmente inspiratória
  • Intolerância a exercícios, alteração da fonação, estridor laringiano progressivo

Referências bibliográficas

http://cbkc.org/application/views/docs/padroes/padrao-raca_61.pdf

https://www.chien.fr/race/saint-bernard/

http://www.akc.org/dog-breeds/st-bernard/

https://saintbernardclub.org/

JERICÓ, Márcia Marques; ANDRADE NETO, João Pedro de; KOGIKA, Márcia Mery. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015.

GOUGH, Alex; THOMAS, Alison. Breed Predisposition to Disease in Dogs and Cats.1. Ed. Oxford:Blackwell Publishing Ltd, 2004 – páginas 129 à 131 .

NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

Imagem: https://www.askideas.com/media/15/Saint-Bernard-Dog-In-Snow.jpg