Australian Kelpie

Nome da Raça

Australian Kelpie

Porte

Médio

Peso

14 – 21 kg

Altura na Cernelha

Machos: 46 – 51 cm. Fêmeas: 43 – 48 cm.

Nível de atividade

Alta

Temperamento

Inteligente, trabalhador e dócil

Adestrabilidade

Muito alta

Introdução

Origem

A raça Australian Kelpie foi desenvolvida conjuntamente com seu país de origem, a Austrália. Seguindo a abertura de vastas áreas de terra nos estados de New South Wales e Victoria, o número de ovelhas cresceu tão drasticamente que algumas propriedades com mais que 2 milhões de acres possuíam mais de 250 milhões cabeças. Em áreas tão extensas quanto essas, o pastoreio que originalmente era executado por prisioneiros condenado tornou-se impraticável, então cercas de arame farpado foram erguidas e as ovelhas deixaram de correr livremente.

Tornou-se necessário então o auxilio de cães para lidar com as ovelhas nessas grandes áreas. Estes cães criados para o trabalho deveriam suportar as duras condições presentes na Austrália, incluindo o calor, terreno irregular, tempestades de areia e largas distâncias. Foi nesse cenário que o Australian Kelpie se mostrou um trabalhador incansável, mesmo nos dias mais quentes e nos terrenos mais arenosos e rústicos era capaz de efetuar o trabalho de vários homens.

Como em muitas outras raças, a origem do Kelpie é disputada. Não há dúvida, entretanto, que a origem da raça veio de cães importados da Escócia. Esses cães eram pretos e castanhos “tan”, de pelo longo, com orelhas semi-eretas, tamanho médio e do tipo Collie. Outros eram de pelo curto com orelhas eretas, mas ainda assim do tipo do Collie. Ninhadas desses cães também produziram filhotes vermelhos, indo do marrom a cor de fígado.

A raça Australian Kelpie foi reconhecida oficialmente pela FCI em 1973 e pela AKC em em julho de 2017.

Nome original

Australian Kelpie

País de origem

Austrália

Características gerais

Aspectos raciais

A aparência geral do Australian Kelpie deve ser de um cão ágil e ativo, mostrando condição muscular resistente combinada com grande elasticidade dos membros e transmitindo capacidade incansável de trabalhar.

A cabeça é em proporção ao tamanho do cão. A forma global e contorno produzem uma expressão de raposa, que é suavizada pelo formato amendoado dos olhos. O crânio é ligeiramente arredondado e largo entre as orelhas, com o stop pronunciado. A trufa possui a cor de acordo com aquela da pelagem do corpo. O focinho é claramente cinzelado e definido, ligeiramente mais curto do que o comprimento do crânio. Os lábios são ajustados e limpos, livres de frouxidão.

Os dentes são fortes e uniformemente espaçados, com uma mordedura em tesoura. As bochechas são equilibradas, nem grosseiras nem proeminentes, mais arredondadas na face. Os olhos são de formato amendoado, de tamanho médio, claramente definido nos cantos e mostrando uma expressão inteligente. A cor dos olhos deve ser marrom, harmonizando com a cor da pelagem. Em caso de cães de pelagem azul, a cor dos olhos mais clara é permitida. As orelhas são eretas com a ponta fina nas extremidades, são inseridas afastadas do crânio e viradas para fora, ligeiramente curvadas na borda externa e de tamanho moderado. O interior das orelhas é bem guarnecido de pelos.

O pescoço é de comprimento moderado, forte, moldando-se gradualmente nos ombros, livre de barbelas e mostrando uma clara quantidade de juba. O tronco possui uma linha superior firme e nivelada, com o lombo forte e bem musculoso terminando numa garupa longa e inclinada. O tórax é profundo, musculoso e moderadamente largo. Costelas bem arqueadas e portadas bem para trás, mas não em forma de barril. A cauda, em descanso, deve ser portada em uma curva muito leve. Durante o movimento de excitação, deve estar levantada, mas em nenhuma circunstância a cauda deve ultrapassar a linha desenhada a partir da raiz. Deve ser guarnecida de uma boa pelagem em pincel. Inserida numa posição combinada à garupa descendente, e deve atingir aproximadamente até os jarretes.

Os membros anteriores devem ser musculosos, com ossos fortes, mas refinados, retos e paralelos quando vistos de frente. As mãos devem ser redondas, fortes, com coxins profundos, dedos unidos, bem arqueados e fortes e unhas curtas. Os membros posteriores devem mostrar largura e força. Quando vistos por trás, são retos e colocados paralelos, nem fechados nem muito afastados. Os pés possuem as mesmas características das mãos.

Para produzir a energia quase ilimitada demandada para o trabalho de cão pastor em grandes espaços abertos, o Australian Kelpie deve ser perfeitamente balanceado, tanto em construção quanto em movimento, sendo livre e incansável. O cão deve ter habilidade para retornar subitamente à velocidade. Quando trotando, as patas tendem a se fechar juntas ao nível do solo à medida que a velocidade aumenta, mas quando o cão está em repouso, apoia-se nos quatro membros.

A pelagem é composta de um pelo duplo, com um subpelo curto e denso. A pelagem externa é fechada, cujos pelos são retos, duros e deitados, sendo resistentes à chuva. Sob o corpo, atrás das pernas, a pelagem é mais longa e forma, próximo à coxa, uma suave forma de culotes (franja). Na cabeça, incluindo a face interna das orelhas, até a face anterior dos membros e das patas, o pelo é curto. Ao longo do pescoço, é mais longo e mais grosso, formando um colar. A cauda deve ser bem guarnecida com uma boa escova. Como uma média, o pelo no corpo deve ter de 2 a 3 cm de comprimento. As cores são preto, preto e castanho “tan”, vermelho, vermelho e castanho “tan”, fulvo, chocolate e azul fumaça.

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

O Australian Kelpie é extremamente alerta, trabalhador e inteligente. Possui uma disposição quase inesgotável de energia, além de marcada lealdade e devoção às obrigações. Tem uma aptidão para o trabalho com ovelhas sendo um parceiro de primeira escolha para criadores na lida com o rebanho.

Apesar de possuirem grande energia, não são cães agitados. Necessitam de atividades físicas para atenderem suas necessidade de executar um trabalho. Longas caminhadas diárias e atividades como o agility permitirão que o cão se mantenha equilibrado. Não se adaptam bem a pequenos espaços, por isso é indicado que o cão possua uma ampla area para se movimentar.

Conhecido pela facilidade de aprendizado, o Australian Kelpie adora aprender e constantemente se esforça para agradar seu dono. Sua educação e socialização devem ser realizadas desde uma idade precoce, dessa maneira o cão crescerá equilibrado tornando-se uma companhia bastante agradável. É essencial apreendê-lo com um bom equilíbrio entre firmeza e suavidade.

Por serem cães rústicos, a pelagem não necessita de nenhum tipo de cuidado especial, sendo recmendado apenas escovações esporádicas e banhos somente quando necessario.

Sensibilidade a fármacos

Não relatada

Predisposição à doenças

Dermatológicas

Síndrome de Ehler-Danlos

  • Também conhecido como astenia cutânea
  • Pode ser herdado como uma característica autossômica dominante
  • Provavelmente letal em homozigotos

Neurológicas

Abiotrofia cortical cerebelar

  • Desenvolvimento normal do cerebelo ocorre primeiro e é seguido de degeneração progressiva e precoce dos neurônios, principalmente das células de Purkinje
  • Doença progressiva nessa raça, 6 a 12 meses

Esfingolipidose ou leucodistrofia das células globoides

  • Doença hereditária caracterizada pela deficiência de galactosilceramidase, enzima envolvida no catabolismo da mielina, e a sua deficiência leva a um acúmulo de psicosina, um lipídio extremamente tóxico para oligodendrócitos e células de Schwann
  • Sinais variando de 6 a 13 semanas nesta raça
  • Apresentando ataxia progressiva, tremores, paresia e hipermetria

Oftálmicas

Atrofia progressiva da retina

  • Modo de herança desconhecido, mas presumido ser recessivo
  • Sinais visíveis a 1,5 anos, com progressão para cegueira em 4 anos

Referências bibliográficas

http://cbkc.org/application/views/docs/padroes/padrao-raca_3.pdf

http://www.akc.org/dog-breeds/australian-kelpie/

https://www.chien.fr/race/kelpie/

http://www.fci.be/en/nomenclature/AUSTRALIAN-KELPIE-293.html

JERICÓ, Márcia Marques; ANDRADE NETO, João Pedro de; KOGIKA, Márcia Mery. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015.

GOUGH, Alex; THOMAS, Alison. Breed Predisposition to Disease in Dogs and Cats.1. Ed. Oxford:Blackwell Publishing Ltd, 2004 – página 15 e 126.

NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

Imagem: https://www.pets4homes.co.uk/images/breeds/393/large/b41452b7fa07102ecc2567a7d7c4a7ff.jpg