Cão d’Água Português

Nome da Raça

Cão d’Água Português

Porte

Médio

Peso

Machos: 19 – 25 kg. Fêmeas: 16 – 22 kg.

Altura na Cernelha

Machos: 50 – 57 cm. Fêmeas: 43 – 52 cm.

Nível de atividade

Muito alta

Temperamento

Afetuoso, atlético e aventureiro

Adestrabilidade

Alta

Introdução

Origem

A raça do Cão d’Água Português é muito antiga. Foi desenvolvida a partir dos cruzamentos de diversas variedades de cães no litoral de Portugal com o Barbet, raça de origem francesa de quem herdou o gosto pela água e sua aparência física.

A província de Algarve, no sul de Portugal, é considerada seu berço histórico. Este é o lugar onde o Cão d’Água Português continuou a ser usado como auxiliar na pesca enquanto que este papel foi gradualmente retirado em outras regiões costeiras do país, devido à modernização das atividades de pesca. Também foi utilizado como ligação entre os barcos a costa, especialmente com mensageiro.

A raça foi oficialmente reconhecida pela FCI em 1955 e pela AKC em 1983.

Nome original

Cão d’Água Português

País de origem

Portugal

Características gerais

Aspectos raciais

O Cão d’Água Português é uma raça de proporções médias, formato harmonioso, balanceado, robusto e bem musculoso.

Sua cabeça é bem proporcionada, forte e larga, com os eixos crânio-focinho paralelos.

Visto de perfil, o seu comprimento é ligeiramente mais longo que o do focinho. A sua curvatura é mais acentuada posteriormente e a crista occipital é pronunciada. Visto de frente o crânio possui os parietais têm a forma abobadada, com leve depressão central e a fronte é ligeiramente escavada, com sulco frontal prolongando-se até dois terços dos parietais e as sobrancelhas proeminentes. O stop é bem definido e situado um pouco atrás dos cantos internos dos olhos. A trufa é larga, com narinas bem abertas e pigmentadas. De cor preta nos exemplares de pelagem preta, branca e suas combinações. Nos castanhos, a cor segue a tonalidade da pelagem. O focinho é reto, mais largo na base que na extremidade, e possui lábios grossos, especialmente na frente.

A mucosa bucal (céu da boca, debaixo da língua e gengivas) é acentuadamente pigmentada de preto em cães com pelagem preta e intensamente marrom em cães marrons. Maxilares são fortes e os dentes não aparentes quando a boca está fechada. Os caninos são especialmente desenvolvidos, e a mordedura é em tesoura ou torquês. Os olhos do Cão d’Água Português são de tamanho médio, perceptíveis e com formato arredondado, bem afastados e levemente oblíquos. A coloração da íris é preta ou castanha e as pálpebras são finas. Orelhas possuem inserção acima da linha dos olhos, colocadas contra a cabeça, levemente levantadas para trás e cordiformes. Textura fina, com as suas extremidades nunca ultrapassando a garganta.

O pescoço é reto, curto, arredondado, musculoso, bem inserido e portado alto. Conecta-se ao tronco em harmoniosa transição, sem colar nem barbela. O tronco possui a linha superior reta, nivelada, com a cernelha larga e não proeminente. O dorso é reto, curto, largo e bem musculoso. O lombo é curto e bem unido à garupa que é bem proporcionada, levemente inclinada, com extremidades ósseas simétricas e pouco aparentes. Seu tórax é profundo e as costelas são compridas e regularmente oblíquas, proporcionando grande capacidade respiratória. A cauda tem inserção mediana, grossa na raiz e afinando para a ponta e seu comprimento não deve ultrapassar o jarrete. Quando o cão está atento, enrola-se em anel, não ultrapassando a linha média do lombo. É de grande utilidade quando o Cão d’Água Português nada e mergulha, servindo como leme.

Membros anteriores são musculosos, retos e de comprimento médio, paralelos à linha média do corpo. As mãos são arredondadas e planas, com dedos ligeiramente arqueados, de comprimento médio. A membrana digital, que acompanha o dedo em todo o seu comprimento, é constituída por tecidos flácidos e guarnecida por abundante e comprida pelagem. Os coxins palmares são duros e espessos. Os membros posteriores possuem nádega forte e bem arredondada. Com todos os tendões e ligamentos do membro muito fortes. Os pés possuem as mesmas características das mãos em todos os aspectos.

O Cão d’Água Português possui movimento suave, com passos curtos quando caminhando, trote ágil e cadenciado e galope enérgico.

Sua pele é grossa, elástica, não muito justa e com as membranas mucosas internas e externas pigmentadas. Todo o corpo se encontra abundantemente revestido de pelos resistentes, sem subpelo. Há duas variedades de pelos: uma longa e ondulada e outra mais curta e encaracolada. A primeira é ligeiramente lanosa e brilhante, a última é densa, sem brilho e forma cachos cilíndricos compactos. Com exceção das axilas e virilhas, os pelos distribuem-se por igual em todo o corpo. Na cabeça tomam o aspecto de tufos, na pelagem ondulada, e encaracolada na outra variedade.

O pelo das orelhas é mais longo na variedade de pelo longo e ondulado. A pelagem é preta ou marrom em suas várias tonalidades, ou branco sólido. Em pelagens pretas ou marrons, o branco é aceito nos seguintes locais: focinho, topete, pescoço, antepeito, abdômen, ponta da cauda e parte inferior dos membros, abaixo dos cotovelos e jarretes. A pelagem branca deve existir sem albinismo, consequentemente, a trufa, as bordas palpebrais e o interior da boca devem ser pigmentadas de preto, ou de marrom em cães marrons.

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

Um cão de excepcional inteligência, compreende e obedece facilmente com alegria a todas as ordens do seu dono.

Cão de temperamento ardente, voluntarioso e altivo, sóbrio e resistente à fadiga. Tem a expressão dura e um olhar penetrante e atento. Possui grande poder visual e apreciável sensibilidade olfativa. Nadador e mergulhador exímio e resistente, é o companheiro inseparável do pescador, a quem presta inúmeros serviços, não só pescando, mas também guardando e defendendo seu barco e propriedade. Durante o trabalho da pesca, atira-se voluntariamente ao mar para recuperar os peixes que escaparam, mergulhando se necessário, e procedendo da mesma maneira se uma rede se rompe ou algum cabo se solta. É também utilizado como agente de ligação entre os barcos e a terra firme e vice-versa, mesmo quando a grandes distâncias.

Necessita de muita atividade física para drenar sua energia. Por ser um cão que ama estar na água, atividade que envolvam nadar são extremante recomendadas. Além disso longas caminhadas diárias ajudam a manter o Cão d’Água Português equilibrada física e mentalmente. Normalmente late apenas quando necessário.

Considerado fácil de educar, é obediente, muito ligado ao seu dono e entusiasmado no trabalho, gosta de aprender faz isso com prazer. Uma educação baseada em reforço positivo permite obter excelentes resultados com este cão. Uma dose de firmeza deve ser aplicada, mas não deve incluir qualquer forma de brutalidade.

Sua pelagem exige um cuidado especial sendo recomenda escovações duas vezes por semana. Banhos apenas quando for necessário. É característica nesta raça a tosa parcial da pelagem, quando esta se torna muito comprida. A metade posterior do corpo, o focinho e parte da cauda são tosados, deixando-se um tufo de volumosos pelos longos na sua ponta.

Sensibilidade a fármacos

Não relatada

Predisposição à doenças

Cardiovasculares

Cardiomiopatia dilatada

  • Pode ter o início juvenil nesta raça

Dermatológicas

Displasia folicular canina

  • Perda de pelos começa entre 2 – 4 anos de idade, principalmente no flanco nesta raça
  • Eventualmente, todo o tronco está envolvido

Endócrinas

Hipoadrenocorticismo

  • As fêmeas são mais frequentemente afetadas e correspondem a aproximadamente 70% dos casos
  • Machos e fêmeas castrados tem 3x mais chance de desenvolver a doença
  • A idade de desenvolvimento varia de 1 – 14 anos, sendo mais frequente em cães jovens e de meia idade

Oftálmicas

Distiquíase

  • Predisposição da raça
  • Modo de herança desconhecido

Catarata

  • Suspeita de herança genética

Atrofia progressiva da retina

  • Herança autossômica recessiva
  • Os sinais estão visíveis entre 3 – 6 anos de idade

Referências bibliográficas

http://cbkc.org/application/views/docs/padroes/padrao-raca_166.pdf

http://www.akc.org/dog-breeds/portuguese-water-dog/

https://www.chien.fr/race/chien-eau-portugais/

http://www.fci.be/en/nomenclature/PORTUGUESE-WATER-DOG-37.html

http://www.blogdocachorro.com.br/ranking-de-inteligencia-canina/

JERICÓ, Márcia Marques; ANDRADE NETO, João Pedro de; KOGIKA, Márcia Mery. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. 1. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015.

GOUGH, Alex; THOMAS, Alison. Breed Predisposition to Disease in Dogs and Cats.1. Ed. Oxford:Blackwell Publishing Ltd, 2004 – página 124.

NELSON, R.W.; COUTO, C.G. Medicina interna de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

Imagem: http://portaldodog.com.br/cachorros/wp-content/uploads/2013/10/cachorro-pelo-encaracolado-cao-dagua-portugues.jpg