Abissínio

Nome da Raça

Abissínio

Peso

4 – 7,5 kg

Altura

25 – 30 cm

Temperamento

Ágil, ativo, curioso, inteligente e amoroso

Introdução

Origem

Existem diversas versões e hipóteses sugeridas quanto à origem exata do Abissínio, incluindo a atrativa, porém, altamente improvável história de que esta raça descende dos gatos sagrados do Antigo Egito.

Uma versão mais plausível sugere que os seus percursores podem ter sido trazidos, em 1868, da Abíssinia (agora Etiópia) por soldados britânicos, após retorno de uma expedição militar realizada no país. Entretanto, estudos genéticos mostraram que o padrão salpicado, peculiar de seu pelame, pode ter sido originado de gatos presentes de áreas da costa do Oceano Índico e algumas regiões do Sudeste Asiático.

O que é sabido, com certeza, é que a raça que conhecemos atualmente foi estabelecida e passou a ser aperfeiçoada no Reino Unido, em meados de 1870, muito provavelmente a partir do cruzamento de um British Shorthair listrado com alguma outra raça rara que foi importada.

Atualmente, o Abissínio faz parte do grupo de gatos de raças com pelame curto mais conhecidas e apreciadas no mundo. Nos Estados Unidos, começou a ser criada em meados de 1935. No Brasil, começou a ser divulgada em 1999.

Outra designação

Gato-coelho; Minipuma; Abyssinian (inglês)

País de origem

Reino Unido

Características gerais

Aspectos raciais

O conjunto da silhueta do Abissínio invoca duas principais características: sobriedade e harmonia. Desta forma, todo o corpo é perfeitamente proporcional, a meio caminho das raças orientais e europeias. A musculatura é bem desenvolvida e de caráter atlético.

As patas são proporcionais ao corpo: bastante altas, finas e musculosas, com os pés ovais e compactos. A cauda é longa e afina-se na extremidade. A cabeça é harmoniosa, exibindo listras suaves. A face tende ao formato triangular, mas sem exagero. O perfil mostra focinho, mandíbula e stop (ponto que marca a separação entre o crânio e a face) medianos.

As orelhas, largas na base, são grandes e bem afastadas, moderadamente terminadas em ponta. Encontra-se um pequenino tufo de pelos no alto delas. Os olhos são ligeiramente amendoados a esverdeados e as pálpebras contornadas de preto.

O Abissínio se caracteriza por um manto semelhante ao da lebre ou do coelho selvagem. A pelagem é fina, sedosa e curta, o que permite observar sua famosa marcação salpicada (“ticked coat”). Trata-se de faixas pigmentadas, de forma alternada, de claro e escuro em cada pelo.

São necessárias, pelo menos, duas a três faixas, sendo a da ponta do pelo mais escura e a da base, mais clara. O salpicado (“ticking”) não existe nos pelos das regiões de pescoço, abdome e interior das patas. Nestas áreas, a pigmentação é homogênea e de coloração clara. A raça demora a atingir seu aspecto definitivo, desta forma, os filhotes nascem desprovidos de pelame salpicado e são praticamente bicolores.

O salpicado aparece a partir da sexta semana e a coloração definitiva se consolida apenas por volta de um ano ou um ano e meio. De acordo com a cor, o salpicado da pelagem do Abissínio determina diversas variedades do padrão racial reconhecidas:

1 – Abissínio lebre: trata-se da variedade original e mais comumente difundida, denominada “usual” e “ruddy” (avermelhada) pelo Conselho Governamental do Gato de Raça Britânico, que propicia um manto parecido com o da lebre.

A característica da pelagem é uma coloração marrom mais escura, sendo as faixas mais escuras do salpicado de coloração marrom ou preta e as faixas claras laranja-escuras, a mesma cor das áreas descendentes.

2 – Abissínio sorrel: os primeiros exemplares desta variedade foram descritos em 1887. O termo em inglês “sorrel” pode ser traduzido para “alazão” (marrom-avermelhado). De fato, o aspecto do conjunto da pelagem é cobre-avermelhado.

As áreas escuras do salpicado variam de chocolate a marrom-avermelhado; as áreas claras e as partes ventrais, abricó escuro. Os coxins são rosados, o focinho é rosado, contornado por coloração marrom-avermelhada.

3 – Abissínio azul: variedade mais recente, criada na Grã Bretanha e ainda pouco difundida. Trata-se de uma diluição genética da variedade lebre. A pelagem é azul-acinzentada viva. As áreas escuras do pelo salpicado são azul-acinzentadas, já as zonas claras e as partes ventrais, creme-claro ou bege.

4 – Abissínio bege (castanho-claro): trata-se da diluição genética da variedade sorrel. A pelagem é bege-clara. As zonas escuras do salpicado do pelo são creme-escuro e vivo, as zonas claras e as partes ventrais são creme-claro.

Pelagem

Curto

Comportamento e cuidados

Comportamento e cuidados

O Abissínio é um gato ativo e atlético, que possui uma indispensável necessidade de espaço e enriquecimento ambiental como prateleiras, arranhadores e brinquedos interativos para que consiga gastar sua alta quantidade de energia.

É amoroso, afetuoso, participa muito da vida familiar e costuma ser muito ligado ao dono. É altamente sociável, tende a interagir positivamente com outros animais e crianças e aprende truques facilmente. Deve lhe ser dedicado muita atenção, carinho e brincadeiras, caso contrário corre-se o risco de desenvolvimento de alterações comportamentais devido ao tédio.

Para manter sua pelagem macia e sedosa, pode-se escová-la semanalmente.

A raça é predisposta a desenvolver gengivite, portanto os filhotes devem ser ensinados a tolerar a escovação dentária semanal para evitar a formação de placas bacterianas.

Sensibilidade a fármacos

Quando submetidos à administração de alguns fármacos, os felinos apresentam diferentes respostas daquelas manifestadas pelos cães. Em gatos, a intoxicação pelo uso de substâncias como o paracetamol, ácido acetilsalicílico e dipirona se faz bastante frequente na rotina médico-veterinária, podendo, muitas vezes, levar o animal a óbito e isto ocorre devido às particularidades dos mecanismos de metabolização farmacológica da espécie.

Gatos apresentam uma deficiência relativa na atividade de algumas enzimas, como a glicuronil-transferase, responsável por catalisar as reações de conjugação mais importantes no metabolismo de fármacos dos mamíferos.

Além disso, estes animais são muito suscetíveis ao desenvolvimento de metahemoglobinemia e à formação de corpúsculos de Heinz após a administração de alguns fármacos, por possuírem um número maior de grupos sulfidril nas hemácias, quando comparado com cães e humanos.

Desta forma, é fundamental que o médico veterinário esteja atento a essas peculiaridades metabólicas dos gatos para melhor atender e informar seus clientes quanto ao risco da administração de certas substâncias.

Predisposição à doenças

Deficiência de piruvato-quinase: Trata-se da deficiência de uma enzima que participa do metabolismo energético das hemácias. Esta deficiência gera, tipicamente, uma anemia intermitente e pode ocorrer em gatos Abissínios dos seis meses aos doze anos de idade.

É uma condição hereditária, causada por um gene recessivo. Atualmente, existe um teste específico para saber se o gato possui a doença.

Atrofia retiniana progressiva: É o termo utilizado para descrever um grupo de desordens genéticas que resultam na degeneração e atrofia da retina. Isto pode levar a um declínio progressivo da qualidade da visão e, algumas vezes, levar à cegueira. Pode ser vista em gatos Abissínios dos oito meses até quatro anos de idade, em média.

Luxação patelar: A luxação patelar é uma condição na qual a patela se desloca de sua localização habitual. A luxação é geralmente medial, mas em algumas ocasiões pode ser lateral.

Pode ocorrer por diversas razões como, por exemplo, trauma e injúria, malformação congênita ou malformação congênita causada por um fator hereditário. Tanto nos casos congênitos como adquiridos, geralmente ocorre de forma bilateral, resultando em claudicação ou andar rebaixado.

Estes sinais podem ser intermitentes ou permanentes. Embora a luxação de patela possa ser vista em qualquer raça de gato ou em gatos sem raça definida, é mais comumente vista em Abissínios e gatos da raça Devon Rex. Estudos realizados em Abissínios sugerem que existe um componente hereditário para o desenvolvimento da afecção.

Amiloidose renal: A amiloidose sistêmica foi inicialmente identificada em gatos Abissínios nos Estados Unidos e caracterizada na década de 80.

Os gatos acometidos geralmente possuem até seis anos de idade e desenvolvem depósitos de amiloide principalmente em rins, resultando em doença renal crônica. A influência genética desta condição ainda não foi totalmente determinada.

Referências bibliográficas

GOUGH, A.; THOMAS, A. Breed Predispositions to Disease in Dogs and Cats. 2º Ed. Oxford: Wiley-Blackwell, 2010. p. 217-219.

The Cat Encyclopedia: The Definitive Visual Guide. Editora: Penguim Random House, 2014.

Enciclopédia Larousse do Gato e do Gatinho. Editora: Larousse, 2010.

International Cat Care. Abyssinian. Disponível em: https://icatcare.org/advice/cat-breeds/abyssinian

The Cat Fanciers’ Association. Abyssinian. Disponível em: http://cfa.org/Breeds/BreedsAB/Abyssinian.aspx

Vet Street. Abyssinian. Disponível em: http://www.vetstreet.com/cats/abyssinian#overview

Imagem disponível em: http://www.vetstreet.com/cats/abyssinian