Por dentro da vacinação de cães e gatos

Empresa

MSD

Data de Publicação

31/12/2000

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Prof. Dra. Mitika Kuribayashi Hagiwara
Prof. colaboradora Sênior departamento de clínica Médica FMvZ-USP email:mkhagiwa@usp.br

Introdução

Atualmente os cães e gatos adquiriram o status de “membros da família” e, como tal, recebem todas as atenções de seus proprietários: alimentação de primeira qualidade, banho e tosa, produtos de higiene produzidos especificamente para suas necessidades e refinados cuidados de saúde que vão desde a imunização contra as principais doenças infecciosas até o acompanhamento dos problemas de saúde por profissionais altamente capacitados nas diferentes especialidades veterinárias. Os profissionais veterinários contam atualmente com uma gama imensa de vacinas, medicamentos e rações produzidos especificamente para promover a saúde e o bem-estar dos pets. Dentre as vacinas, as indicadas para proteção contra as principais doenças infecciosas graves e fatais, como a cinomose, a parvovirose canina, a hepatite infecciosa canina e a leptospirose para os cães, a panleucopenia felina, a rinotraqueíte infecciosa e a calicivirose para os gatos, além da vacina antirrábica para ambas as espécies, fazem parte da rotina de imunização há décadas. Vacinas contra outras doenças menos graves foram sendo desenvolvidas e incorporadas ao longo dos anos no portfólio de imunógenos licenciados e comercializados, e geralmente estão incluídas nas vacinas polivalentes amplamente utilizadas na clínica de pequenos animais ou são apresentadas como produtos únicos.

Vacinologia

A vacinologia canina e felina tem se beneficiado da contínua evolução da ciência e, com a incorporação de novos conhecimentos e tecnologias, novas vacinas ou diferentes vias de aplicação dos imunógenos foram desenvolvidas para o benefício de cães e gatos, como, por exemplo, as vacinas intranasais e as vacinas recombinantes. Apesar dos avanços tecnológicos na produção das vacinas e dos conhecimentos imunológicos, ainda estamos aplicando as vacinas de acordo com os protocolos vacinais desenvolvidos e recomendados há anos.

As vacinas caninas inicialmente compreendiam aquelas contra cinomose, hepatite infecciosa canina e leptospirose. Ao longo do tempo foram desenvolvidas as vacinas contra parainfluenza canina, parvovirose canina, coronavirose canina e os antígenos de leptospiras dos sorovares grippotyphosa e pomona. São vacinas de vírus vivo e vacinas mortas, acrescidas de adjuvantes, que levam ao desenvolvimento de diferentes graus de imunidade. Por questões de praticidade e custos, todos esses antígenos são incorporados em um só produto vacinal. Em relação aos felinos, as vacinas inicialmente continham os antígenos do parvovirus, herpesvirus e calicivirus. Foi posteriormente acrescido de Clamydophila felis. Uma das vacinas comercializadas no Brasil contém também a vacina contra a leucemia felina. Há ainda a antirrábica, obrigatória para ambas as espécies.

Hoje, as principais vacinas de cães são polivalentes e contêm de sete a nove antígenos para promover proteção contra as diferentes doenças. São utilizadas tanto na série primária de imunização quanto nos reforços anuais. As vacinas dos gatos contêm quatro ou cinco antígenos. Para os cães, além da vacina antirrábica, ainda existem outras vacinas indicadas para proteção contra doenças respiratórias, giardíase e, agora, contra a leishmaniose visceral canina. Seriam todas essas vacinas necessárias? São todas isentas de riscos? Estamos sobrecarregando o sistema imunológico do animal com excesso de antígenos? Há necessidade de revacinação anual, por toda a vida do cão ou do gato? Nos felinos, as vacinas estão associadas ao desenvolvimento de sarcomas no sítio de injeção?

Essas são as dúvidas muitas vezes formuladas por profissionais veterinários e pelos donos dos animais de companhia, preocupados com o possível excesso de vacinas recebidas por um único animal e, principalmente, com os eventuais efeitos adversos associados à vacinação. As respostas a essas questões não podem ser simplificadas e colocadas em posições diametralmente opostas. Os aspectos imunológicos, as diferentes condições de vida e do ambiente onde vivem os animais, o agente infeccioso envolvido e a doença resultante da infecção, as características intrínsecas do produto biológico e a resposta do hospedeiro à vacinação devem ser criteriosamente analisados para que se obtenha o máximo beneficio da imunização em prol da manutenção da saúde dos cães e dos gatos.

Conceito de vacinas essenciais, opcionais e não-recomendadas

A preocupação em relação à sobrecarga vacinal e a possibilidade de ocorrência de efeitos adversos pós-vacinais resultaram na análise criteriosa da real necessidade das vacinas em uso(2). A conclusão a que se chegou foi a de que: 1, nem todos os felinos ou caninos necessitam de todas as vacinas disponíveis, no intervalo vacinal adotado, principalmente após o término da série primária de vacinação; 2, as vacinas não estão isentas de efeitos indesejáveis decorrentes de seu uso e os benefícios advindos da vacinação devem ser sempre maiores que os eventuais riscos de desenvolvimento de reações adversas; 3, os cães e gatos não precisam ser vacinados contra doenças raras ou cuja prevalência é baixa, que podem ser facilmente tratadas por outros meios ou que possuem pequena significância clínica ou epidemiológica.

As vacinas existentes foram incluídas em três categorias distintas, tendo como base o conhecimento de cada uma das doenças infecciosas, sua distribuição na população canina ou felina, as características do agente infeccioso envolvido, a gravidade da infecção, a eficácia e a segurança das vacinas e a duração da imunidade pós-vacinal(2).

  • Vacinas essenciais, que todos os animais devem receber. São vacinas especificamente indicadas para aquelas doenças em que os benefícios advindos da imunização ativa sobrepujam em muito qualquer efeito adverso resultante de seu uso, os agentes infecciosos são amplamente distribuídos na natureza e não existem tratamentos específicos contra as infecções. Estão neste grupo as vacinas contra cinomose, parvovirose canina e hepatite infecciosa canina, para os cães, e as vacinas contra panleucopenia, rinotraqueíte infecciosa felina e calicivirose felina, para os gatos. A vacina antirrábica é considerada essencial quando requerida pela legislação vigente e nos países onde a doença é endêmica.
  • Vacinas opcionais, que nem todos os animais precisam receber. Sua indicação está na dependência da localização geográfica e da distribuição do agente infeccioso, do estilo de vida do animal e dos riscos de exposição a que está exposto. Nesta categoria estão incluídas as vacinas cuja duração da imunidade resultante é mais baixa e, em geral, voltadas para infecções mais benignas. É o caso das vacinas contra o vírus da parainfluenza canina e também contra Bordetella bronchiseptica, Borrelia burgdorferi (nos Estados Unidos), além das vacinas contra leptospirose* (Leptospira interrogans sorovar icterohaemorrhagae e canicola, na Europa, e sorovares grippotyphosa e pomona, nos Estados Unidos).Para os felinos, enquadram-se nesta categoria as vacinas contra Clamydophila felis, Bordetella bronchiseptica e contra a leucemia felina e imunodeficiência.
  • Vacinas não recomendadas: contra a coronavirose canina e contra a giardíase (Giardia canis) em cães e contra peritonite infecciosa felina, para os gatos.

Nota: Em relação à leptospirose, o conceito de vacinas opcionais não se aplica em nosso meio. As vacinas contra os sorovares mais presentes nos ambientes urbanos e transmitidos pelos roedores sinantrópicos e pelos próprios cães (icterohaemorrhagaie e canicola), são ainda necessárias devido às precárias condições de saneamento ambiental existentes em praticamente todas as regiões urbanas brasileiras. Na realidade, a imunização contra os sorovares grippotuphosa e pomona pode ser omitida e está indicada apenas em algumas condições em que há maior risco de contato com os reservatórios desses sorovares. É interessante salientar que a leptospirose é uma infecção bacteriana contra a qual existem antimicrobianos eficazes.

“A imunidade induzida pelas vacinas contra leptospirose é de curta duração e por serem adicionadas de adjuvantes, as vacinas estão associadas com maior número de reações adversas.” (2)

Imunidade passiva dos filhotes de cães e gatos

A ingestão de colostro permite a transferência de anticorpos da mãe para o filhote, propiciando ao recém-nascido uma proteção adequada contra as doenças infecciosas, que podem ser fatais na infância. Em cães e gatos, o tipo de placenta não permite a passagem de anticorpos da mãe para os fetos durante a gestação. Ao mamarem o colostro nas primeiras 24 horas após o nascimento, os filhotes recebem a transferência de anticorpos da mãe. Quanto maior o grau de imunidade materna e maior a quantidade de colostro ingerido, melhor e mais prolongada é a imunidade do filhote. A quantidade de colostro ingerido pelos filhotes é variável e, assim, a duração da imunidade transferida varia entre os membros de uma mesma ninhada e entre diferentes ninhadas de uma mesma gata ou cadela, dependendo, ainda, do agente infeccioso contra o qual foram gerados os anticorpos.

Quadro 1. Meia vida das imunoglobulinas derivadas da mãe (idM) em cães e gatos neonatos.(3)

Nota: Meia-vida é o tempo necessário para a redução do título de anticorpos em 50%. Por exemplo, no caso da cinomose, a cada 8,4 dias o título de anticorpos cai pela metade, até que se torna suficientemente baixo para perminitr a imunização ativa, por meio da vacinação. IDM é o período de tempo (em média) em que os anticorpos transferidos passivamente através do colostro podem proteger os filhotes contra a infecção natural e podem interferir na imunização ativa.

Os anticorpos derivados da mãe protegem os neonatos e, ao mesmo tempo, constituem um desafio para a vacinação dos filhotes. Aqueles que receberam colostro (dependendo da qualidade e da quantidade de colostro recebido) apresentam um período de 6 a 12 semanas de imunização (ou de 4 a 14 semanas, dependendo do agente infeccioso e da imunidade materna). Nesse período, os anticorpos derivados da mãe são gradualmente reduzidos a níveis não protetores contra as infecções naturais, mas se encontram em concentrações suficientes para interferir na vacinação e na resposta dos filhotes a antígenos estranhos. É a chamada “janela de suscetibilidade”. (Figura 1)

Fig. 1. Eliminação de anticorpos maternos no neonato e vacinação. Durante um período crítico (janela de suscetibilidade) os anticorpos presentes poderão bloquear uma vacina de vírus atenuado, mas poderão falhar em proteger contra a infecção de vírus virulento. Adaptado de Green & Schultz (2005).

série primária de vacinação

De um modo geral, a duração da imunidade derivada da mãe (IDM) é, na maioria dos filhotes caninos e felinos, de 6 a 12 semanas. Excepcionalmente, e dependendo da doença infecciosa contra a qual foram geradas as imunoglobulinas maternas e da quantidade de colostro ingerido, a duração da IDM pode ser menor ou até maior para um filhote em particular. São exceções, no entanto.

O protocolo vacinal atualmente recomendado nos rótulos vacinais pelos produtores de biológicos visa a proporcionar à maioria dos filhotes caninos e felinos o benefício da resposta imune, sobrepujando a janela de suscetibilidade. É indicado o início da vacinação com seis semanas de idade (primeira dose), sendo que a segunda e a terceira doses devem ser aplicadas com 9 e 12 semanas, respectivamente. Opcionalmente, outros protocolos mais flexíveis recomendam a primeira dose entre 6 e 8 semanas de idade, a segunda entre 9 e 11 semanas e a terceira entre 12 e 14 semanas. Como as vacinas contêm vírus vivo, é necessário manter o intervalo mínimo de 14 dias entre as doses. Esse protocolo vacinal permite a imunização da grande maioria dos filhotes caninos e felinos contra as principais doenças infecciosas.

Em circunstâncias excepcionais, como por exemplo em ambientes de alta densidade populacional, como os abrigos, ou em condições de alta exposição ao risco da infecção, pode haver a necessidade de se iniciar a imunização mais precocemente, com menos de seis semanas de idade dos filhotes. Nessas condições, a recomendação é de que, idealmente, sejam utilizadas vacinas que contenham apenas as vacinas virais essenciais para a proteção das doenças mais graves, as quais os filhotes podem estar expostos, como a cinomose e a parvovirose, no caso dos cães, a rinotraqueíte infecciosa (herpesvirus felino) e a panleucopenia, no caso dos gatos. Esse tipo de vacina com menos componentes também pode ser utilizada como primeira dose vacinal, com seis semanas de idade. Nas demais vacinações, é mais interessante serem utilizadas as vacinas V8 ou V10.

É altamente recomendável também que a última dose da série primária seja dada após as 12 semanas de idade, idealmente com 16 semanas, principalmente no Brasil, em locais onde a cinomose ainda é endêmica e uma boa parcela dos cães não é vacinada.

A cinomose é a principal e a mais grave das doenças infecciosas dos cães. O vírus é extremamente sensível a condições naturais e facilmente inativado por desinfetantes comuns. Porém, a infecção é de curso crônico e o cão infectado elimina o vírus através de secreções oronasais, urina e fezes durante dias, semanas ou vários meses, constituindo fonte de infecção para os suscetíveis. Os cães estão imunologicamente maduros para resistir à infecção natural após os seis meses ou, em alguns casos, apenas após os doze meses de idade. Antes dessa idade, os cães dependem da imunidade adquirida por meio da vacinação para se protegerem da doença quando são expostos ao risco da infecção.

Em alguns filhotes de cães cuja IDM é alta, a última dose da vacina aplicada com 12 semanas de idade pode ainda ser parcialmente inativada pelos anticorpos transferidos pelo colostro e a resposta imune resultante ser de baixa qualidade e de curta duração. O cão, nessas circunstâncias, poderá adquirir a infecção quando for exposto ao vírus de campo e adoecer antes de receber o reforço, um ano após a primoimunização. Essa aparente suscetibilidade à infecção não se relaciona a uma “falha vacinal” e sim ao protocolo vacinal, especificamente nesse caso. A última dose vacinal aplicada com 14 a 16 semanas de idade poderia ter eliciado uma resposta imune mais protetora.

Explica-se, assim, a importância da vacinação dos filhotes e da aplicação da terceira dose vacinal após 12 semanas de idade, ou da quarta dose, se o procedimento vacinal tiver sido iniciado antes de seis semanas de idade. Idealmente, a série de vacinação primária deve ser concluída com 16 semanas de idade para todos os cães. Isso não quer dizer necessariamente introdução da quarta dose da vacina. Para os cães que vivem em locais onde a incidência de cinomose é baixa e, portanto, o risco de infecção é menor, o intervalo entre as doses pode ser de quatro semanas e, assim, a última dose da série primária poderia ser aplicada com 14 semanas de idade ou pouco mais, abolindo a necessidade de uma dose adicional.

Durante a fase de imunização é extremamente recomendável que os filhotes sejam protegidos de uma possível infecção natural, mantendo-os afastados do contato com outros animais que sejam portadores da cinomose e possam potencialmente se constituir em fonte de infecção para eles, que ainda não têm a devida imunidade induzida pela vacinação.

Revacinação (reforço vacinal)

Concluída a série primária de imunização, é de primordial importância o reforço vacinal. Normalmente recomenda-se que seja feito um ano após a terceira dose da série primária, isto é, ao redor de 15 meses de idade. Entretanto, se a última dose da série primária tiver sido aplicada com 12 semanas de idade, é recomendável que a dose de reforço vacinal seja dada com 12 meses de idade. Isso se justifica principalmente se a cinomose for endêmica na região onde o cão vive, resultando em maior oportunidade de contágio para os animais que não desenvolveram uma imunidade mais consistente. A partir de um ano de idade, recomenda-se a revacinação anual com as vacinas polivalentes. A necessidade de revacinação anual para doenças virais como cinomose, parvovirose canina, hepatite infecciosa canina, panleucopenia felina e rinotraqueíte infecciosa dos felinos vem sendo amplamente discutida, tendo em mente a questão do excesso de vacinas para um mesmo animal(2).

Duração da imunidade adquirida

A revacinação anual indicada nos rótulos dos produtos foi estabelecida baseada na duração (mínima) da imunidade (DI) proporcionada pelas vacinas de vírus vivo atenuado (VV), quando foram produzidas inicialmente, há mais de 50 anos. Pouco se conhecia sobre a duração máxima da imunidade. Recentemente, testes sorológicos e testes de vacinação/desafio com o vírus virulento mostraram que, nas infecções virais, a imunidade é muito mais prolongada: por exemplo, a imunidade pós-vacinal desenvolvida contra a cinomose pode ser mais longa do que cinco anos, o que nos permitiria ampliar o intervalo vacinal nos adultos, pelo menos em relação a essa infecção.

Com as evidências de que a DI pós-vacinal é muito maior do que se supunha inicialmente, e no sentido de minimizar possíveis efeitos indesejáveis advindos da excessiva vacinação, os protocolos vacinais até então vigentes foram revistos, emergindo desses estudos a proposta atual de revacinação do cão ou do gato adulto a cada três anos(2). Essa nova orientação esbarra em três questões de ordem prática, que poderão ser equacionadas somente em longo prazo. São elas:

  1. A limitação dada pelas vacinas atualmente comercializadas: vacinas polivalentes contendo, em um mesmo produto, antígenos vivos, que promovem imunidade de longa duração, e antígenos inativados, como os das leptospiras e coronavírus, que induzem baixa imunidade, de menos de um ano de duração. Há necessidade de produtos específicos contendo vacinas de vírus vivo e outros produtos contendo os antígenos inativados que resultam no desenvolvimento de imunidade mais tênue e de curta duração.
  2. Indicação da duração da imunidade de um ano e revacinação anual nos rótulos das vacinas existentes. Requer a modificação dos rótulos vacinais com a indicação da DI.
  3. O hábito, longamente estabelecido, de retorno ao veterinário para revacinação anual. Do ponto de vista prático, a vacinação anual é conveniente, protege contra as doenças mais graves e familiariza o proprietário do animal com a ideia de visita anual ao veterinário para a manutenção da saúde do pet, baseado na atualização das vacinas. O espaçamento entre as revacinações quebraria esse paradigma, confundindo os proprietários dos pets. Há necessidade de um longo processo educativo e mudança de enfoque e dos hábitos adquiridos, transformando a visita anual ao veterinário para a atualização das vacinas em uma etapa de um programa de qualidade da saúde do animal, com visitas anuais para check-up geral, incluindo a atualização das diversas vacinas indicadas para o animal em questão.

Protocolo vacinal versus programa de imunização

Como procedimento médico, a decisão de vacinar um animal deve ser individualizada para cada um, levando-se em consideração a gravidade da infecção natural, o potencial de zoonose representado pelo agente infeccioso, o risco de exposição do animal e os requerimentos legais relacionados à vacinação. (3)

Para delinear, recomendar e executar um plano efetivo de vacinação para cada paciente, é essencial o conhecimento das principais doenças que se constituem em ameaça para a saúde e a vida dos cães e gatos, principalmente os filhotes, além do conhecimento da eficácia e da segurança das vacinas disponíveis e do grau de exposição ao risco em função do estilo de vida do animal. Informações relativas à ingestão de colostro e à exposição ao risco da infecção são importantes para a definição do programa de vacinação de um animal. Cães e gatos desprovidos de colostro ou que vivem em ambientes coabitados por múltiplos animais de diferentes faixas etárias, com histórico de vacinação desconhecido, como no caso de abrigos, devem receber a primeira dose vacinal mais precocemente que aqueles que receberam colostro e vivem em locais onde são os únicos pets ou onde convivem com jovens e adultos de histórico vacinal conhecido. (3, 4)

As diretrizes emanadas dos grupos de estudos não são normas, mas apenas guias para auxiliar os clínicos veterinários na escolha do melhor programa de imunização para um paciente em particular. Os programas a serem formulados devem considerar as diferenças entre os cães e os gatos minimamente expostos aos riscos da infecção e criados em ambientes estritamente domésticos e aqueles mantidos em condições de abrigo, onde a contínua introdução de animais cujas condições de saúde não são conhecidas representam um permanente risco para os suscetíveis, principalmente os mais jovens.